{"id":5978,"date":"2020-11-24T19:14:40","date_gmt":"2020-11-24T22:14:40","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/comunidades-compartilham-experiencias-de-resistencias-ao-matopiba\/"},"modified":"2020-11-24T19:14:40","modified_gmt":"2020-11-24T22:14:40","slug":"comunidades-compartilham-experiencias-de-resistencias-ao-matopiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/comunidades-compartilham-experiencias-de-resistencias-ao-matopiba\/","title":{"rendered":"COMUNIDADES COMPARTILHAM EXPERI\u00caNCIAS DE RESIST\u00caNCIAS AO MATOPIBA"},"content":{"rendered":"<p>Comunidades do Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed, Bahia e Mo\u00e7ambique compartilham experi\u00eancias de luta e resist\u00eancia ao projeto do MATOPIBA e Pr\u00f3-Savana. As hist\u00f3rias t\u00eam em comum muita press\u00e3o por parte de empresas e governos (estaduais e municipais) via investimentos financeiros, a\u00e7\u00f5es judiciais ou at\u00e9 mesmo apoio legislativo. As formas de resistir passam pela valoriza\u00e7\u00e3o cultural e fortalecimento da identidade de cada comunidade. Seja pelas festividades religiosas, como a Festa do Divino, ou pelo bacuri, fruta t\u00edpica da regi\u00e3o do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>A troca de experi\u00eancias aconteceu durante o semin\u00e1rio nacional \u201cMatopiba: conflitos, resist\u00eancias e novas din\u00e2micas de expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio no Brasil\u201d, promovido pela Campanha em Defesa do Cerrado. O evento segue at\u00e9 o dia 18, em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/semcerrado.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/DSC_0235-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"457\" height=\"464\" class=\"alignleft wp-image-5537 lazyload\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 457px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 457\/464;\" \/>Maciel Bento (foto), da comunidade Forquilha, munic\u00edpio de Benedito Leite (MA) contou a hist\u00f3ria de resist\u00eancia da comunidade, que existe desde 1.973, localizada entre os rios Balsas e Parna\u00edba. \u201cConflito se inciou com o fazendeiro plantador de eucalipto do Mato Grosso, ele conseguiu as terras em arremata\u00e7\u00e3o judicial\u201d, a partir da\u00ed come\u00e7ou a pressionar a comunidade.<\/p>\n<p>O conflito se intensificou em 2014 quando as fam\u00edlias amea\u00e7adas de despejo pelo suposto dono come\u00e7aram a se mobilizar e foram atr\u00e1s de seus direitos e descobriram que a \u00e1rea que ocupam at\u00e9 hoje foi desapropriada na d\u00e9cada de 1970 pela antiga COHEBE e que n\u00e3o era do fazendeiro em quest\u00e3o. Com apoio da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra e outras entidades locais, a comunidade continua a resistir e atualmente as amea\u00e7as s\u00e3o as queimadas nos baba\u00e7uais, que s\u00e3o de extrema import\u00e2ncia para a subsist\u00eancias das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>A forma de resist\u00eancia das fam\u00edlias se d\u00e1 via planta\u00e7\u00e3o de pequenas ro\u00e7as, cria\u00e7\u00e3o de animais, pesca e a realiza\u00e7\u00e3o de atividades culturais e religiosas. Essa \u00e9 a motiva\u00e7\u00e3o das 19 fam\u00edlias dessa comunidade, de acordo com Maciel. Uma das maiores armas \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o cultural e religiosa, a Festa do Divino, uma das mais conhecidas da regi\u00e3o e que passou a ser valorizada at\u00e9 pelo poder p\u00fablico.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no Maranh\u00e3o, as comunidades da regi\u00e3o conhecida como Baixo Parna\u00edba \u2013 regi\u00e3o Nordeste do Maranh\u00e3o \u2013 tamb\u00e9m resistiram muito as investidas da Suzano Papel e Celulose e sojicultores na regi\u00e3o. E a resist\u00eancia se deu muito via bacuri, uma fruta t\u00edpica da regi\u00e3o. As fam\u00edlias fazem a polpa da fruta e vendem para os estados vizinhos e com a chegada da luz el\u00e9trica \u2013 via programa Luz para Todos, esse processo de produ\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de renda se fortaleceu.<\/p>\n<p>\u201cAs comunidades impediram o desmatamento, a\u00ed a empresa come\u00e7ou a querer dialogar com as comunidades, que resistiram \u2013 apesar a investida social e econ\u00f4mica. Ent\u00e3o o Maranh\u00e3o teve que inciar o processo de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e duas \u00e1reas foram tituladas, justamente as que a Suzana se dizia dona\u201d, explicou Mayron R\u00e9gis, do F\u00f3rum Caraj\u00e1s.<\/p>\n<p>No assentamento Rio Preto, no munic\u00edpio Bom Jesus, no Piau\u00ed, vivem 41 fam\u00edlias assentadas, cercadas por grandes empreendimentos de monocultura da soja, gerando um conflito agr\u00e1rio na regi\u00e3o. Em 2008, 17 fam\u00edlias tiveram suas casas e lavouras queimadas, sofreram viol\u00eancia f\u00edsica e foram expulsas da \u00e1rea. Por\u00e9m elas continuam resistindo e dois anos depois, 2010, as fam\u00edlias conquistaram a posse definitiva da \u00e1rea, onde passaram a morar e produzir.<\/p>\n<p><strong>Pr\u00f3-Savana<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/DSC_0245-1024x683.jpg\" alt=\"DSC 0245 1024x683\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 960px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 960\/640;\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/semcerrado.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/DSC_0245-1024x683.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" data-srcset=\"http:\/\/semcerrado.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/DSC_0245-1024x683.jpg 1024w, &lt;a href=\" alt=\"\" wp-content=\"\" dsc_0245-300x200=\"\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 1024px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1024\/683;\" \/>Muito semelhante ao que ocorre no Brasil, as comunidades camponesas de Mo\u00e7ambique sofrem com investimentos do governo japon\u00eas e brasileiro para a implanta\u00e7\u00e3o do projeto Pr\u00f3-Savana \u2013 a Savana \u00e9 um bioma com especificidades semelhantes ao Cerrado brasileiro. O projeto est\u00e1 sendo implementado no corredor de Nacala, numa \u00e1rea de 14,5 milh\u00f5es de hectares. Vivem na regi\u00e3o cerca de 4.5 milh\u00f5es de habitantes, em sua maioria camponeses, cerca de 80%.<\/p>\n<p>A falta de informa\u00e7\u00f5es claras sobre o programa eleva o medo e receio de usurpa\u00e7\u00e3o de terra dos camponeses dos 19 distritos, abrangidos pelo programa. \u201cA terra \u00e9 onde produzimos, a terra \u00e9 muito importante e sem ela n\u00e3o h\u00e1 vida. Por isso estamos lutando, os camponeses precisam da terra. A nossa uni\u00e3o faz a for\u00e7a\u201d, disse Helena Terra de Mo\u00e7ambique<\/p>\n<p>Em Mo\u00e7ambique a estrat\u00e9gia do governo e empresas foi contratar pesquisadores e jornalistas para ganhar a opini\u00e3o p\u00fablica a favor do Pr\u00f3-Savana. \u201cAl\u00e9m de ter mapeado lideran\u00e7as que poderiam ter interesse em trabalhar com o Pr\u00f3-Savana, para isolar as outras lideran\u00e7as\u201d, contou Jeremias Vunjanhe. A resist\u00eancia das comunidades se d\u00e1 via Campanha N\u00e3o ao Pr\u00f3-Savana, que trabalha conscientizando as comunidades locais sobre os impactos do projeto e as poss\u00edveis alternativas.<\/p>\n<p><em>(Por Bianca Pyl, Coletivo de Comunica\u00e7\u00e3o do Cerrado e colabora\u00e7\u00e3o de Adi Spezia, MPA<\/em>&nbsp;|&nbsp;<em>Fotos: Eanes Silva)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunidades do Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed, Bahia e Mo\u00e7ambique compartilham experi\u00eancias de luta e resist\u00eancia ao projeto do MATOPIBA e Pr\u00f3-Savana. As hist\u00f3rias t\u00eam em comum muita press\u00e3o por parte de empresas e governos (estaduais e municipais) via investimentos financeiros, a\u00e7\u00f5es judiciais ou at\u00e9 mesmo apoio legislativo. 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