{"id":5981,"date":"2020-11-24T20:09:15","date_gmt":"2020-11-24T23:09:15","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/nascidos-e-criados-em-ponta-do-mangue\/"},"modified":"2020-11-24T20:09:15","modified_gmt":"2020-11-24T23:09:15","slug":"nascidos-e-criados-em-ponta-do-mangue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/nascidos-e-criados-em-ponta-do-mangue\/","title":{"rendered":"NASCIDOS E CRIADOS EM PONTA DO MANGUE"},"content":{"rendered":"<p><em>No finalzinho do ano passado, dia 16 de dezembro, um grupo de agentes da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) que estavam reunidos no munic\u00edpio de Barreirinhas, no Maranh\u00e3o, para reuni\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o e planejamento da Articula\u00e7\u00e3o das CPT\u2019s do Cerrado, visitou a comunidade Ponta do Mangue, localizada no Parque&nbsp;Nacional dos&nbsp;Len\u00e7\u00f3is Maranhenses. L\u00e1, os agentes escutaram um pouco dos conflitos vivenciados por quem mora ali desde sempre. Confira um pouco dessa hist\u00f3ria:<\/em><\/p>\n<p><em>(Por Elvis Marques \u2013&nbsp;CPT e Coletivo de Comunica\u00e7\u00e3o do Cerrado)<\/em><\/p>\n<p>Era uma manh\u00e3 de dezembro quando sa\u00edmos de Barreirinhas rumo \u00e0 casa de dona Maria do Celso, de 66 anos, localizada na comunidade Ponta do Mangue. Em uma caminhonete tra\u00e7ada e adaptada para o terreno acidentado e arenoso atravessamos, em uma barca, o Rio Pregui\u00e7as, o \u00fanico que \u201ccorre para os dois sentidos\u201d. Isso acontece, segundo os moradores da cidade, porque as \u00e1guas do rio caem no mar, mas quando a mar\u00e9 est\u00e1 muito forte, acaba empurrando o rio para o sentido contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Foram cerca de duas horas at\u00e9 chegarmos ao nosso destino. Ao longo do percurso, paisagens indescrit\u00edveis. Ali, o \u00fanico barulho \u00e9 o do vento batendo nas \u00e1rvores. Sol forte, e montanhas branquinhas de areia \u2013 quase que infinitas. O contraste de cores surge com a restinga e os mangues, t\u00edpicos na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Em uma casinha branca, dona Maria nos esperava acompanhada de um de seus filhos e de duas netas \u2013 todos estavam ali apenas por alguns dias. \u201cO povo chega aqui e diz \u2018voc\u00eas moram num para\u00edso\u2019. E realmente, do jeito que est\u00e1 o mundo. A gente v\u00ea tanta coisa ruim por a\u00ed quando viaja\u201d, afirma dona Maria.<\/p>\n<p>A comunidade onde Maria vive desde 1969 est\u00e1 localizada no famoso Parque&nbsp;Nacional dos&nbsp;Len\u00e7\u00f3is Maranhenses&nbsp;(PNLM), regi\u00e3o norte do estado. A unidade de conserva\u00e7\u00e3o foi criada em junho de 1981 pela Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Possui uma \u00e1rea de 156&nbsp;584&nbsp;ha, que abrange parte dos munic\u00edpios de&nbsp;Barreirinhas,&nbsp;Primeira Cruz&nbsp;e&nbsp;Santo Amaro do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Lideran\u00e7a da comunidade formada por 46 fam\u00edlias, Maria do Celso, como \u00e9 conhecida, carrega o nome de seu companheiro, morto h\u00e1 pouco mais de um ano \u2013 chegamos para visita-la bem no dia que completara doze meses de sua morte. A casa onde ela mora est\u00e1 rodeada por coqueiros, mangueiras, cajueiros, e uma vegeta\u00e7\u00e3o natural que se adaptou ao ambiente de muita areia e de \u00e1gua, em sua maioria, salgada \u2013 isso por conta do mar, distante alguns metros dali. S\u00e3o 30 minutos de caminhada, segundo Maria, que \u00e9 acostumada a percorrer esse trecho.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/Casa_Dona_Maria_Celso_ELVIS_CPT-600x427.jpg\" alt=\"Casa Dona Maria Celso ELVIS CPT 600x427\" width=\"600\" height=\"427\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 600px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 600\/427;\" \/><br \/>Ao chegar a sua casa, ela logo nos convidou para a cozinha. Ali, j\u00e1 havia um caf\u00e9 passado na hora e beiju que acabara de ser preparado no fog\u00e3o \u00e0 lenha. Nosso caf\u00e9 da manh\u00e3 foi naquele espa\u00e7o, onde dona Maria come\u00e7ou a nos contar um pouco de sua hist\u00f3ria, que, claro, se mistura com a da comunidade. \u201cN\u00e3o tinha nada disso aqui. Era s\u00f3 mato\u201d, relembra. E foi nesse belo lugar que ela come\u00e7ou sua vida. \u201cQuando cheguei aqui que comecei essa vida de comunidade\u201d. Comunidade \u00e9 palavra recorrente em suas falas.<br \/>\u201cPonta do Mangue \u00e9 centen\u00e1ria\u201d, ressalta Maria, que chegou ao local ap\u00f3s se casar com seu Celso. Entre uma hist\u00f3ria e outra, ela vai at\u00e9 o fog\u00e3o, ajeita a lenha, e olha as tripas de capado (porco) que ali assavam. V\u00e1rios animais s\u00e3o criados em seu quintal. Al\u00e9m dos su\u00ednos, tem peru, galinhas, vacas e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>Destacada lideran\u00e7a, dona Maria atua hoje no Conselho Fiscal do Sindicato dos Trabalhadores de Barreirinhas, mas j\u00e1 integrou a Associa\u00e7\u00e3o de Moradores e a Col\u00f4nia de Pescadores. J\u00e1 foi at\u00e9 candidata a vereadora. Sempre viajou para participar de encontros de forma\u00e7\u00e3o. \u201cMeu marido entendia. Mas se preocupava mesmo com minha sa\u00fade\u201d, conta ela. Diz ainda que \u00e9 preciso pensar no pr\u00f3ximo, e n\u00e3o apenas em si mesmo. \u201cTem gente que s\u00f3 se preocupa com ela mesma. Eu n\u00e3o. Temos que pensar na comunidade. Em todos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>As 46 fam\u00edlias de Ponta do Mangue contam com uma Igreja Cat\u00f3lica, uma Adventista, e uma escola que recebe alunos apenas at\u00e9 a 4\u00ba s\u00e9rie. Ap\u00f3s isso, \u00e9 preciso recorrer aos munic\u00edpios vizinhos, de acesso dif\u00edcil, conforme os moradores. \u201cOs alunos precisam ir para a cidade estudar. Hoje estamos ficando sozinhos porque nossos filhos e netos est\u00e3o espalhados por a\u00ed estudando\u201d, conta Maria. No ano passado, por exemplo, os\/as estudantes da comunidade perderam o ano letivo por falta de transporte escolar, destaca a lideran\u00e7a.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o educacional \u00e9 apenas um dos problemas enfrentados pela comunidade rural. Pensa que \u00e9 f\u00e1cil viver no para\u00edso? O povo de Ponta do Mangue relata que a situa\u00e7\u00e3o se complicou mesmo quando, na d\u00e9cada de 1980, o Parque foi criado. \u201cN\u00e3o fomos consultados sobre isso\u201d. \u00c9 o que afirmam in\u00fameros moradores do local. Viver em um para\u00edso, de acordo com dona Maria, \u201ctem as bondades, mas tamb\u00e9m tem o lado ruim\u201d.<\/p>\n<p><strong>Reuni\u00e3o<\/strong><br \/>Inserida em um territ\u00f3rio de mangue, restinga e duna, a comunidade por muitos anos plantou de tudo nessa \u00e1rea. Aqui, como dizem os moradores, \u201ctudo que se planta, colhe\u201d \u2013 mandioca, feij\u00e3o, milho, manga, caju e por a\u00ed vai. Al\u00e9m disso, a comunidade sobreviveu, por muitos anos, da pesca e da cria\u00e7\u00e3o de animais. Sobreviveu \u2013 no passado \u2013 porque h\u00e1 tempos que essa realidade mudou.<\/p>\n<p>Com a cria\u00e7\u00e3o do Parque, as pessoas que ali viviam h\u00e1 anos foram enquadradas nas novas regras do local. \u201cHoje somos proibidos de tudo. Precisa de licen\u00e7a do ICMBio [Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade, que administra o parque] para plantar. Licen\u00e7a para tudo. Estamos dentro do que \u00e9 nosso, mas n\u00e3o estamos governando\u201d, denuncia dona Maria.<\/p>\n<p>Bom, o que dona Maria conta acima \u00e9 apenas um dos problemas. Ap\u00f3s o cafezinho na casa dela, seguimos para uma reuni\u00e3o com moradores\/as da comunidade. O encontro aconteceu h\u00e1 alguns metros dali, agora na casa do seu Mario.<\/p>\n<p>De longe \u00e9 poss\u00edvel avistar uma placa que informa sobre um lago azul na terrinha do Mario. Entretanto, o po\u00e7o, nessa \u00e9poca do ano, est\u00e1 cheio apenas de areia. Nenhuma gota de \u00e1gua. As chuvas come\u00e7ariam dias depois.<br \/>E foi na varanda da casa do seu Mario que todo o grupo se reuniu. Ouvimos, dessa vez, os demais membros da comunidade. Interessante \u00e9 que durante a apresenta\u00e7\u00e3o dos\/as moradores de Ponta do Mangue repete-se a fala \u201cnascido e criado aqui\u201d. Palavras que deixam claro a identifica\u00e7\u00e3o e o forte sentimento de perten\u00e7a ao local.<\/p>\n<p>Um dos primeiros moradores do lugar, Emilio dos Santos, de 71 anos, viveu quase toda sua vida ali com a fam\u00edlia. Depois de muito tempo morando na comunidade, ele se viu obrigado a se mudar, inicialmente para Barreirinhas, para que os filhos pudessem estudar. Depois foi para S\u00e3o Lu\u00eds, onde sua fam\u00edlia vive at\u00e9 hoje. Mas ele e a companheira decidiram abandonar a capital e voltar para o lugar onde iniciaram a vida.<\/p>\n<p>Todavia, quem deixar o local, de acordo com os membros da comunidade, n\u00e3o pode mais retornar. As regras s\u00e3o do Parque, dizem eles. Tamb\u00e9m, caso a fam\u00edlia cres\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel construir novas moradias. E as reformas das casas precisam ser autorizadas pela administra\u00e7\u00e3o do PNLM.<\/p>\n<p><strong>Pesca<\/strong><br \/>Pescador experiente, Jos\u00e9 Carlos, 65 anos, ou simplesmente seu Z\u00e9, tamb\u00e9m \u00e9 filho de Ponta do Mangue. Conta que hoje n\u00e3o tem peixe como no passado, quando, aos 15 anos, sa\u00eda na companhia do pai para pescar no mar. Relembra pescarias de muita fartura. \u201cAntes tinha muito peixe porque a pescaria era na linha e no anzol. Depois entraram os arrast\u00f5es [barco de&nbsp;pesca&nbsp;que opera redes de arrasto] a\u00ed diminu\u00edram os peixes\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>\u201cO que me atraiu aqui foi a quantidade de peixes\u201d, destaca, tamb\u00e9m, o compadre de Maria do Celso, Nelven, que chegou \u00e0 comunidade h\u00e1 quase 30 anos. Jovem na \u00e9poca, ele presenciou, ap\u00f3s oito anos que residia no local, os peixes reduzirem consideravelmente. \u201cA gente n\u00e3o conseguia contar os arrast\u00f5es. Os pescados grandes eles levavam tudo. A gente n\u00e3o sabia de onde vinham esses barcos. E n\u00e3o sab\u00edamos quem procurar\u201d, ressalta Nelven.<\/p>\n<p>Antes fonte de renda para a comunidade, a pescaria artesanal j\u00e1 n\u00e3o conseguia espa\u00e7o diante da pesca industrial na regi\u00e3o. \u201cAntes vend\u00edamos os peixes na cidade. Hoje \u00e9 para a sobreviv\u00eancia mesmo\u201d, conta Maria Dalva, que mora em Ponta do Mangue h\u00e1 58 anos. Segundo os moradores, anos atr\u00e1s \u2013 quando sair para pescar era sin\u00f4nimo de abund\u00e2ncia -, os peixes eram salgados \u2013 j\u00e1 que at\u00e9 hoje n\u00e3o h\u00e1 energia el\u00e9trica na comunidade -, posteriormente eram vendidos em Barreirinhas.<\/p>\n<p><strong>Reivindica\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>Se h\u00e1 anos atr\u00e1s n\u00e3o havia energia el\u00e9trica que possibilitasse, por exemplo, a refrigera\u00e7\u00e3o dos pescados, hoje a realidade n\u00e3o mudou muito. A diferen\u00e7a \u00e9 que o peixe quase acabou, mas a energia ainda n\u00e3o chegou a Ponta do Mangue. \u201cA gente pesca para n\u00f3s. O que n\u00e3o comer na hora tem de salgar para n\u00e3o perder\u201d, relata Nelven, que continua a recorrer a essa pr\u00e1tica de conserva\u00e7\u00e3o de alimentos. Dona Maria do Celso, por exemplo, conta que j\u00e1 \u201clabutou\u201d muito atr\u00e1s de \u201cLuz para todos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEnergia e posto de sa\u00fade s\u00e3o as maiores faltas aqui. E a gente tamb\u00e9m n\u00e3o tem transporte para correr para cidade caso algu\u00e9m adoe\u00e7a\u201d, afirma Maria Dalva. Uma viagem at\u00e9 Barreirinhas, por exemplo, custa R$ 50, lembra ela. \u201cN\u00e3o temos esse dinheiro todo\u201d, completa.<\/p>\n<p>A comunidade afirma que o impasse, no caso da energia el\u00e9trica, se arrasta h\u00e1 anos. V\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os t\u00eam adotado, conforme os moradores, posi\u00e7\u00f5es diferentes em rela\u00e7\u00e3o a essa demanda. Companhia Energ\u00e9tica do Maranh\u00e3o (Cemar), ICMBio e Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. \u201cNo inicio diziam que n\u00e3o podia ter energia aqui. A gente n\u00e3o sabe em quem acreditar. Mas nunca perdi a esperan\u00e7a\u201d, afirma Maria do Celso.<\/p>\n<p>Em 2013, por exemplo, representantes da Fetaema, de comunidades de Barreirinhas e entidades da sociedade civil realizaram audi\u00eancia no Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) em S\u00e3o Lu\u00eds com o procurador da Rep\u00fablica, Alexandre Silva Soares, para denunciar v\u00e1rias amea\u00e7as que trabalhadores e trabalhadoras rurais da regi\u00e3o estavam sofrendo. Tamb\u00e9m para tratar da rede el\u00e9trica em Ponta do Mangue e para outros povoados, cria\u00e7\u00e3o de um plano de conviv\u00eancia com o Parque, entre outros temas.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 2014, ap\u00f3s reivindica\u00e7\u00e3o das comunidades presentes no Parque, foi criado pelo ICMBio um Conselho com representantes de \u00f3rg\u00e3os governamentais e da sociedade civil, como dona Maria do Celso, representante de Ponta do Mangue. O objetivo era debater e buscar solu\u00e7\u00f5es para os problemas enfrentados pelos habitantes do local. \u201cMas [o Conselho] n\u00e3o funciona por falta de condi\u00e7\u00f5es financeiras, segundo o administrador do parque\u201d. Essa \u00e9 a resposta que os moradores de Ponta do Mangue t\u00eam ouvido.<\/p>\n<p>Conhecer as hist\u00f3rias e o dia a dia do povo nascido e criado em Ponta do Mangue mostra que muitos anos antes da cria\u00e7\u00e3o do Parque&nbsp;Nacional dos&nbsp;Len\u00e7\u00f3is Maranhenses&nbsp;(PNLM) j\u00e1 havia gente que convivia em harmonia com esse lugar e que cuidava com zelo para que o para\u00edso continuasse vivo. Afinal, como sempre ouvimos por a\u00ed \u2013 inclusive pesquisas mostram isso -, as comunidades s\u00e3o as verdadeiras guardi\u00e3s desses para\u00edsos.<\/p>\n<p><strong>ICMBio<\/strong><br \/>A Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o da CPT tentou contato com o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) para responder as reivindica\u00e7\u00f5es da comunidade Ponta do Mangue, por\u00e9m n\u00e3o obteve retorno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No finalzinho do ano passado, dia 16 de dezembro, um grupo de agentes da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) que estavam reunidos no munic\u00edpio de Barreirinhas, no Maranh\u00e3o, para reuni\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o e planejamento da Articula\u00e7\u00e3o das CPT\u2019s do Cerrado, visitou a comunidade Ponta do Mangue, localizada no Parque&nbsp;Nacional dos&nbsp;Len\u00e7\u00f3is Maranhenses. 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