{"id":6015,"date":"2020-11-29T18:25:33","date_gmt":"2020-11-29T21:25:33","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/partilhando-vida-e-resistencia-no-cerrado\/"},"modified":"2020-11-29T18:25:33","modified_gmt":"2020-11-29T21:25:33","slug":"partilhando-vida-e-resistencia-no-cerrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/partilhando-vida-e-resistencia-no-cerrado\/","title":{"rendered":"Partilhando vida e resist\u00eancia no Cerrado"},"content":{"rendered":"<p>Mergulhos no Rio Balsas marcaram a alvorada do segundo dia do Encontro de Povos e Comunidades do Cerrado, preparando os\/as participantes para a m\u00edstica de abertura: \u201csomos filhos do Cerrado, cantando de cora\u00e7\u00e3o, para essa gente que tem sede de alegria e anima\u00e7\u00e3o. A semente foi plantada nessa terra, nossa m\u00e3e, seis calangos v\u00e3o colher muita paz e uni\u00e3o [\u2026]\u201d. Na sequ\u00eancia da manh\u00e3 desta quinta-feira, 28, quinze experi\u00eancias foram apresentadas em 5 \u201cFontes\u201d com nomes de rios do Cerrado. Foram espa\u00e7os nos quais as pessoas apresentaram viv\u00eancias de luta e resist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Valoriza\u00e7\u00e3o da Juventude<\/strong><\/p>\n<p>A diversidade de culturas e experi\u00eancias enriqueceu a \u201cFonte do Rio Paraguai\u201d. Quilombolas, ind\u00edgenas e camponeses partilharam hist\u00f3rias, formas de resist\u00eancia, sonhos e desafios. Em comum, a defesa de seus territ\u00f3rios e, principalmente, a import\u00e2ncia de valorizar a juventude para refor\u00e7ar a luta das comunidades. Em aproximadamente 2 horas de atividade, cada um \u00e0 sua maneira contou como se d\u00e1 o trabalho de valoriza\u00e7\u00e3o dos jovens em seus grupos.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia do Povo Terena, do Mato Grosso do Sul, no processo de retomada do territ\u00f3rio que dura mais de 15 anos, os ensinou a necessidade de repassar os conhecimentos dos mais antigos \u00e0 juventude. \u201cQueremos garantir o futuro de nossas crian\u00e7as que est\u00e3o a\u00ed. Os anci\u00e3os t\u00eam papel muito importante no nosso grupo, pois eles est\u00e3o sempre pr\u00f3ximos dos jovens para repassar sua sabedoria, sua experi\u00eancia\u201d, conta Gilmar Veron Alc\u00e2ntara, uma das lideran\u00e7as do Povo Terena.<\/p>\n<p>Nos quilombos do Territ\u00f3rio Quilombola Mariano de Campos, em Serrano, Maranh\u00e3o, a conquista do grupo foi a retomada n\u00e3o somente do territ\u00f3rio, mas tamb\u00e9m da educa\u00e7\u00e3o. Pressionados a aceitar o modelo urbano de ensino imposto pela prefeitura do munic\u00edpio, as professoras quilombolas do Quilombo Nazar\u00e9 (Imagem abaixo) lecionaram na comunidade por um ano sem receber sal\u00e1rios. \u201cN\u00f3s fizemos esse sacrif\u00edcio pelo grupo. A gest\u00e3o p\u00fablica sentiu que resistimos e em 2015 passaram a pagar os professores. E a\u00ed surge o novo desafio, de resgate da identidade. Fizemos uma nova metodologia de ensino que parte da realidade do quilombo. Hoje nossos alunos est\u00e3o mais companheiros\u201d, explica a jovem professora Leidiane de Livramento Santos Reges.<\/p>\n<p>Assim como entre os ind\u00edgenas, os quilombolas tamb\u00e9m sentiram a necessidade de transmitir aos mais jovens os conhecimentos tradicionais do povo negro. \u201cUm dos objetivos \u00e9 trabalhar a espiritualidade para tirar o preconceito que existe sobre as religi\u00f5es de matriz africana. Nas aulas falamos, por exemplo, que se acabar a \u00e1rvore, n\u00e3o teremos mais tambores, e se acabarem os tambores, n\u00e3o teremos mais nossa espiritualidade\u201d, recorda Leidiane. Oficinas tamb\u00e9m s\u00e3o realizadas para que meninos e meninas aprendam a fazer artesanatos, como cestos, colares, coifos, sempre utilizando materiais que a pr\u00f3pria natureza fornece.<\/p>\n<p>A pequena Isys, de apenas 12 anos e energia transbordando, tomou conta do microfone e contagiou a todos na fonte. \u201cEu participei esse ano pela primeira vez de um encontro de juventude camponesa e hoje estou aqui. Ent\u00e3o eu estou me preparando para o que vem por a\u00ed\u201d, enfatizou a jovem, que vive com a fam\u00edlia em uma ocupa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o Norte do Tocantins.<\/p>\n<div id=\"attachment_6171\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/Trabalho_de_grupos_1_Dia__Encontro_dos_Povos_e_Comunidades_do_Cerrado__Balsas_MA_2_de_86-768x512.jpg\" alt=\"Trabalho de grupos 1 Dia Encontro dos Povos e Comunidades do Cerrado Balsas MA 2 de 86 768x512\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 960px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 960\/640;\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">\u00a9Thomas Bauer\/ CPT Bahia<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Organiza\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/22046427_985574361600709_434663462076857626_n.jpg\" alt=\"22046427 985574361600709 434663462076857626 n\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 960px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 960\/640;\" \/><\/p>\n<p>Experi\u00eancias da Teia dos Povos e Comunidades do Maranh\u00e3o, a Teia dos Povos da Cabruca e Mata Atl\u00e2ntica (do sul da Bahia) e a Articula\u00e7\u00e3o Camponesa do Tocantins marcaram a \u201cFonte Rio Araguaia\u201d. Elas ressaltaram a import\u00e2ncia de estar em articula\u00e7\u00e3o para clarear assuntos comuns e fortalecer o enfrentamento para conquista de territ\u00f3rios, em que o Estado aparece como inimigo. A luta de um povo \u00e9 a luta de todos os outros povos. \u201cE alumiou toda a terra e o mar, eu vi o quilombola falar, eu quero ver o povo do Gejo falar\u201d, cantaram. \u00c9 como se tivesse chegado a hora de gritar.<\/p>\n<p>D\u00e1ria, do povo Gamela, relatou a situa\u00e7\u00e3o em que as vidas est\u00e3o constantemente amea\u00e7adas pelos fazendeiros. As lutas se d\u00e3o no ch\u00e3o do territ\u00f3rio, por meio da autodemarca\u00e7\u00e3o e retomadas, mas tamb\u00e9m em a\u00e7\u00f5es articuladas, como o fechamento de estradas e ocupa\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos. \u201cO movimento quilombola no Maranh\u00e3o est\u00e1 propondo a derrubada das cercas para contribuir com a pol\u00edtica do bem viver\u201d, afirmou Carla, da Teia do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o apoio do Estado, o agroneg\u00f3cio tamb\u00e9m foi apontado como respons\u00e1vel pelo secamento e contamina\u00e7\u00e3o das nascentes e \u00e1guas. Os participantes buscaram marcar a diferen\u00e7a entre o latif\u00fandio como neg\u00f3cio e o espa\u00e7o de vida da agricultura camponesa, produtora de alimentos. Para Miguel Alves, assentado no oeste da Bahia, \u201ctemos que ser refer\u00eancia em produ\u00e7\u00e3o para n\u00e3o dar argumento ao inimigo\u201d.<\/p>\n<p>Para Nancy Cardoso, que assessorou a Fonte, \u201cos movimentos de teia e articula\u00e7\u00e3o s\u00e3o a possibilidade de se parir um projeto de povo e de pa\u00eds\u201d. Para que isso aconte\u00e7a, a alian\u00e7a com a classe trabalhadora das cidades e a ruptura com o sexismo, com o racismo e com a ideia de que a natureza est\u00e1 a servi\u00e7o do homem s\u00e3o fundamentais.<\/p>\n<p><strong>Luta pela terra e soberania<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/22046563_985574388267373_1294678305618974025_n.jpg\" alt=\"22046563 985574388267373 1294678305618974025 n\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 960px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 960\/640;\" \/><\/p>\n<p>Animadas e animados por um momento de ora\u00e7\u00e3o conduzido pelo Povo Guarani Kaiow\u00e1, a \u201cFonte do Rio S\u00e3o Francisco\u201d reuniu diversas experi\u00eancias de resist\u00eancia e luta na defesa da terra e do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Dentre as experi\u00eancias apresentadas, tem a do Acampamento Avilmar Ribeiro, no munic\u00edpio de Gr\u00e3o Mongol, Minas Gerais, onde as fam\u00edlias foram impactadas pelos grandes projetos do capital (hidrel\u00e9trica, mineradoras, e o agroneg\u00f3cio) e encontraram no acampamento uma forma de resist\u00eancia, produzindo alimentos e utilizando frutos e ra\u00edzes do Cerrado. Tamb\u00e9m de Minas, veio o relato sobre a Escola Estadual Jo\u00e3o Jos\u00e9 Ferreira, em Salinas, onde \u00e9 trabalhado o tema da cidadania a partir da reciclagem e do consumo consciente.<\/p>\n<p>J\u00e1 na regi\u00e3o Cabeceira do Alto Rio Preto (Comunidades Gatos, Cachoeira, Marinheiro, Cacimbinha e Aldeia), no munic\u00edpio de Formosa do Rio Preto, na Bahia, as fam\u00edlias enfrentam o agroneg\u00f3cio do Cond\u00f4mino \u201cEstrondo\u201d, que foi instalado em seu territ\u00f3rio tradicional, encurralando as fam\u00edlias, que t\u00eam na cria\u00e7\u00e3o solta do gado, e na produ\u00e7\u00e3o de mandioca, feij\u00e3o e artesanato suas principais fontes de renda.<\/p>\n<p>Por fim, foi apresentada a experi\u00eancia do povo Guarani Kaiow\u00e1, de Mato Grosso do Sul, que enfrentam problemas como a amea\u00e7a sobre sua soberania territorial e alimentar, j\u00e1 que o latif\u00fandio ocupou suas terras e devastou complemente as plantas nativas. Al\u00e9m disso, a condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade e acesso a educa\u00e7\u00e3o das comunidades s\u00e3o problem\u00e1ticas recorrentes, isso pelo completo descaso e sucateamento dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Assessor da Fonte, Pl\u00e1cido J\u00fanior, agente da CPT Nordeste II, ressaltou que na l\u00f3gica das comunidades, o Cerrado \u00e9 \u201cTerra Gerais\u201d, ou seja, de todos. Que essa terra\/territ\u00f3rio est\u00e1 constantemente amea\u00e7ada, violentada, e em disputa. Mas, que as comunidades n\u00e3o est\u00e3o bra\u00e7os cruzados. Ele refor\u00e7ou ainda que as experi\u00eancias apresentadas est\u00e3o na dimens\u00e3o da luta pela terra e pelo territ\u00f3rio, mas, n\u00e3o \u00e9 qualquer terra, e sim uma terra onde est\u00e1 todo legado de um povo.<\/p>\n<p>Texto:&nbsp;Coletivo de Comunica\u00e7\u00e3o do Cerrado<\/p>\n<p>Fotos: Thomas Bauer \/ CPT Bahia e M\u00eddia Ninja<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mergulhos no Rio Balsas marcaram a alvorada do segundo dia do Encontro de Povos e Comunidades do Cerrado, preparando os\/as participantes para a m\u00edstica de abertura: \u201csomos filhos do Cerrado, cantando de cora\u00e7\u00e3o, para essa gente que tem sede de alegria e anima\u00e7\u00e3o. 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