{"id":6016,"date":"2020-11-29T18:34:48","date_gmt":"2020-11-29T21:34:48","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/encontro-destaca-agroecologia-como-ferramenta-de-luta-em-defesa-do-cerrado\/"},"modified":"2020-11-29T18:34:48","modified_gmt":"2020-11-29T21:34:48","slug":"encontro-destaca-agroecologia-como-ferramenta-de-luta-em-defesa-do-cerrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/encontro-destaca-agroecologia-como-ferramenta-de-luta-em-defesa-do-cerrado\/","title":{"rendered":"Encontro destaca agroecologia como ferramenta de luta em defesa do Cerrado"},"content":{"rendered":"<p><em>No segundo dia do Encontro de Povos e Comunidades do Cerrado, quinta-feira, 28, realizado em Balsas, no Maranh\u00e3o, a atividade \u201cPartilhando Vida e Resist\u00eancia no Cerrado\u201d foi o palco de apresenta\u00e7\u00f5es de experi\u00eancias de luta vindas dos nove estados que abrigam o bioma. O ambiente foi prop\u00edcio para propostas e estrat\u00e9gias de atua\u00e7\u00e3o e, dentre elas, a Agroecologia, abordada na \u201cFonte Rio Tocantins\u201d \u2013 um dos espa\u00e7os de discuss\u00e3o do evento<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_6177\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/unnamed-2.jpg\" alt=\"unnamed 2\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 960px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 960\/640;\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">\u00a9Thomas Bauer\/ CPT Bahia<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cEu creio na semente, lan\u00e7ada na terra, na vida da gente. Eu creio no amor [\u2026]\u201d, a can\u00e7\u00e3o do Padre Coppi, considerada um hino da agroecologia, foi entonada em coro pelos participantes, marcando adequadamente a apresenta\u00e7\u00e3o de tr\u00eas experi\u00eancias: a experi\u00eancia de Mulheres e Agroecologia de Goi\u00e1s, as Festas das Trocas de Sementes Crioulas, Plantas Medicinais e Frut\u00edferas de Mato Grosso e a Luta e Resist\u00eancia dos Sertanejos no Cerrado, do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>A atividade come\u00e7ou com uma breve contextualiza\u00e7\u00e3o sobre o Rio Tocantins, o segundo maior rio exclusivamente brasileiro, que nasce em Goi\u00e1s e atravessa os estados de Tocantins e do Par\u00e1 antes de desembocar na costa maranhense. Como acontece com quase todos os grandes rios do pa\u00eds, o Tocantins \u00e9 assolado pelos impactos do agroneg\u00f3cio e, principalmente, pela pol\u00edtica da matriz energ\u00e9tica brasileira. Atualmente, existem 14 hidrel\u00e9tricas em atividade ou sendo constru\u00eddas ao longo do rio, mas a maior amea\u00e7a que paira sobre o mesmo \u00e9 o projeto da Usina Serra Quebrada que, se for constru\u00edda, inundar\u00e1 14% da Terra Ind\u00edgena Apinaj\u00e9, al\u00e9m de impactar a vida de todos os povos e comunidades que dependem dessas \u00e1guas.<\/p>\n<p>Nesse contexto, as experi\u00eancias apresentam uma alternativa de resist\u00eancia frente a um sistema opressor e injusto, come\u00e7ando pelo Grupo de Mulheres do Projeto de Assentamento P.A. Dom Fernando, situado no munic\u00edpio de Itabera\u00ed (GO), que se orgulha em ser um exemplo da alternativa agroecol\u00f3gica, como explicou Maria L\u00facia Sena da Silva. \u201cNossa regi\u00e3o est\u00e1 ocupada pelo agroneg\u00f3cio, com pecu\u00e1ria e os cultivos de soja, cana, sorgo, eucalipto e, principalmente, laranja. Com isso, a grande utiliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos envenena nossas terras e a popula\u00e7\u00e3o. Por essa raz\u00e3o a luta pela terra foi muito dif\u00edcil, mas mesmo assim conseguimos adotar as pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas\u201d, conta. Com o apoio da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), o Grupo de Mulheres conseguiu realizar diversas atividades de capacita\u00e7\u00e3o e at\u00e9 elaborar um projeto de escola de agroecologia. \u201cN\u00e3o foi f\u00e1cil, mas recentemente conseguimos reunir v\u00e1rias pessoas para aprender apicultura e hoje j\u00e1 produzimos bastante mel, uma renda que nos permite completar nosso sal\u00e1rio\u201d, afirmou Maria.<\/p>\n<p>De Mato Grosso, foram apresentadas as Festas das Trocas de Sementes Crioulas e plantas medicinais e frut\u00edferas, que valorizam justamente a semente crioula como um dos principais s\u00edmbolos da Agroecologia. \u201cResgatar as sementes crioulas n\u00e3o se reduz ao gr\u00e3o, \u00e9 todo um legado cultural e tradicional que quase foi destru\u00eddo pela chamada \u2018Revolu\u00e7\u00e3o Verde\u2019, que justificou e empoderou o agroneg\u00f3cio\u201d, relembrou Neri Mialho, do F\u00f3rum Rotativo Solid\u00e1rio do munic\u00edpio de Jangada.<\/p>\n<p>Foi justamente com o objetivo de recuperar e valorizar esses saberes, que foi realizada, tamb\u00e9m com o apoio da CPT, a primeira Festa da Troca de Sementes no munic\u00edpio, experi\u00eancia anual replicada anos depois no munic\u00edpio de Nossa Senhora do Livramento, lar de Miguelina de Oliveira de Campos, agricultora familiar e agente volunt\u00e1ria da Pastoral. \u201cAl\u00e9m dos conhecimentos e hist\u00f3rias ao redor das sementes e mudas crioulas, elas t\u00eam propriedades medicinais muito importantes, assim temos nossa pr\u00f3pria farm\u00e1cia na ro\u00e7a. Com tudo isso, as Festas s\u00e3o realmente um momento de alegria, aprendizagem, e principalmente solidariedade, por isso fazemos troca e n\u00e3o venda\u201d, enfatizou ela.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/unnamed-3.jpg\" alt=\"unnamed 3\" width=\"960\" height=\"639\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 960px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 960\/639;\" \/><\/p>\n<p>Neri concluiu explicando que existe tamb\u00e9m o Banco de Interc\u00e2mbio de Sementes (BIS), ferramenta constru\u00edda pelo Grupo de Interc\u00e2mbio em Agroecologia (Gias), uma rede de cooperativas, organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais, que \u00e9 refer\u00eancia em Agroecologia em Mato Grosso. No Banco est\u00e3o repertoriadas mais de 300 variedades de sementes, com suas propriedades, caracter\u00edsticas e origens.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia Sertanejos na Luta e resist\u00eancia do Cerrado, apresentada por Rubenmar, ressaltou uma vez mais os impactos negativos do agro e hidroneg\u00f3cio, que acabam com o meio ambiente e a popula\u00e7\u00e3o brasileira. Nesse sentido, ele relembrou o dito: \u201cQuando a \u00faltima \u00e1rvore cair, quando o \u00faltimo rio secar, quando o \u00faltimo peixe for pescado, s\u00f3 ent\u00e3o daremos conta que o dinheiro n\u00e3o se come\u201d.<\/p>\n<p>Van\u00fabia Martins, coordenadora da CPT Regional Nordeste II e assessora da Fonte, resumiu explicando que a agroecologia \u00e9 um processo de equil\u00edbrio, de constru\u00e7\u00e3o coletiva e principalmente de amor. Mas ela advertiu que, apesar das conquistas e al\u00e9m das amea\u00e7as apresentadas, o perigo \u00e9 bem mais amplo, representado pelo governo golpista. \u201cN\u00e3o podemos esquecer que este governo quer destruir nossos povos, nossas culturas, nossas conquistas e muito mais. Por isso, a luta agroecol\u00f3gica implica feminismo, empoderamento das juventudes e tudo o que n\u00e3o seja do interesse do capital\u201d, afirmou. \u201cA agroecologia \u00e9 nosso instrumento de luta, e pode garantir nossa soberania atrav\u00e9s do feminismo, da justi\u00e7a socioambiental e de um equil\u00edbrio.<\/p>\n<p>Texto: Coletivo Comunicadores do Cerrado<br \/>Fotos: Thomas Bauer\/ CPT Bahiav<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No segundo dia do Encontro de Povos e Comunidades do Cerrado, quinta-feira, 28, realizado em Balsas, no Maranh\u00e3o, a atividade \u201cPartilhando Vida e Resist\u00eancia no Cerrado\u201d foi o palco de apresenta\u00e7\u00f5es de experi\u00eancias de luta vindas dos nove estados que abrigam o bioma. 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