{"id":6020,"date":"2020-11-29T19:02:50","date_gmt":"2020-11-29T22:02:50","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/forum-alternativo-mundial-da-agua-pretende-ser-um-contraponto-a-evento-dominado-por-empresas-transnacionais\/"},"modified":"2020-11-29T19:02:50","modified_gmt":"2020-11-29T22:02:50","slug":"forum-alternativo-mundial-da-agua-pretende-ser-um-contraponto-a-evento-dominado-por-empresas-transnacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/forum-alternativo-mundial-da-agua-pretende-ser-um-contraponto-a-evento-dominado-por-empresas-transnacionais\/","title":{"rendered":"F\u00f3rum Alternativo Mundial da \u00c1gua pretende ser um contraponto a evento dominado por empresas transnacionais"},"content":{"rendered":"<p><em>Uma alternativa para o debate da \u00e1gua \u2013 F\u00f3rum Alternativo Mundial da \u00c1gua foi lan\u00e7ado em encontro que reuniu 3,5 mil atingidos por barragens no Rio de Janeiro<\/em><\/p>\n<p>\u201c<em>\u00c1gua e energia com soberania, distribui\u00e7\u00e3o da riqueza e controle popular<\/em>\u201d. No embalo do lema cantado por um audit\u00f3rio lotado de pessoas atingidas por barragens foi lan\u00e7ado ontem (05) no Rio de Janeiro o F\u00f3rum Alternativo Mundial da \u00c1gua (Fama). Marcado para acontecer entre os dias 17 e 22 de mar\u00e7o de 2018 em Bras\u00edlia, o evento \u00e9 resultado da articula\u00e7\u00e3o entre entidades nacionais e internacionais interessados em construir um outro debate em torno do bem natural. Isso porque o Fama n\u00e3o tem \u2018alternativo\u2019 no nome por acaso: no mesmo per\u00edodo e local se realizar\u00e1 a oitava edi\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua, onde empresas transnacionais apresentar\u00e3o sua agenda sobre o tema.\u201dO Fama \u00e9 um contraponto a esse \u2018F\u00f3rum das Corpora\u00e7\u00f5es\u2019, como chamamos, que acontece de tr\u00eas em tr\u00eas anos, sempre dominado por multinacionais e seus interesses na privatiza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua\u201d, explicou Daniel Gaio, secret\u00e1rio de meio ambiente da Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT), uma das entidades que integra a coordena\u00e7\u00e3o nacional do Fama.<\/p>\n<p>\u201cNosso esfor\u00e7o com o Fama \u00e9 construir um espa\u00e7o que re\u00fana trabalhadores do campo e da cidade no mundo inteiro na perspectiva do debate da \u00e1gua como direito e n\u00e3o como mercadoria. N\u00e3o acreditamos que o 8o F\u00f3rum represente e d\u00ea voz \u00e0s comunidades, popula\u00e7\u00f5es e movimentos que sofrem n\u00e3o s\u00f3 problemas de abastecimento, mas com a explora\u00e7\u00e3o desenfreada da \u00e1gua, caso da constru\u00e7\u00e3o de barragens que alagam territ\u00f3rios inteiros, causando grandes impactos ambientais e sociais\u201d, afirmou Edson Aparecido da Silva, da coordena\u00e7\u00e3o do Fama, para a plateia presente no encontro nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que reuniu no Rio de Janeiro cerca de 3,5 mil participantes vindos de 20 estados do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s, do MAB, historicamente atuamos com popula\u00e7\u00f5es atingidas por barragens, portanto, diretamente ligadas \u00e0 \u00e1gua. A defesa da \u00e1gua \u00e9 uma luta estrat\u00e9gica para a esquerda e uma quest\u00e3o de vida ou morte para popula\u00e7\u00f5es como ribeirinhos, quilombolas, ind\u00edgenas que moram pr\u00f3ximos a rios, nascentes e protegem esse bem comum que as empresas do mundo est\u00e3o privatizando\u201d, frisa Liciane Andrioli, da coordena\u00e7\u00e3o nacional do Movimento.<\/p>\n<p><strong>Interesses privados<\/strong><\/p>\n<p>O F\u00f3rum Mundial \u00e9 organizado pelo Conselho Mundial da \u00c1gua, que tem como membros gigantes do setor, como a multinacional francesa Suez. Edson Aparecido explica que al\u00e9m das corpora\u00e7\u00f5es, participam do Conselho entidades t\u00e9cnicas e \u00f3rg\u00e3os governamentais, como a Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA). \u201cO problema \u00e9 que, com o passar dos anos, o F\u00f3rum se consolidou como o \u00fanico espa\u00e7o que trata do tema da \u00e1gua em n\u00edvel internacional. Dentro desse espa\u00e7o, as empresas v\u00eam se apropriando de conceitos como universalidade para defender interesses privados. Nossa bandeira de universalizar \u00e1gua e saneamento aparece nesse discurso da seguinte forma: s\u00f3 as empresas t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de fazer\u201d, diz ele, que acompanha pela Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Urbanit\u00e1rios (FNU) as investidas empresariais no setor. \u201cH\u00e1 fal\u00e1cias. Por exemplo, eles t\u00eam defendido que se dupliquem os investimentos mundiais de 90 para 180 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, em uma composi\u00e7\u00e3o em que metade viria do setor privado e o restante dos governos. Mas sabemos como esse \u2018investimento\u2019 privado acontece. Afinal, de onde as empresas pegam empr\u00e9stimos com juros subsidiados e condi\u00e7\u00f5es de pagamento generosas? Dos bancos p\u00fablicos\u201d, critica.<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Mundial pela primeira vez em um pa\u00eds latino-americano acendeu o sinal de alerta. \u201cO lema oficial do evento \u00e9 \u2018Compartilhando a \u00e1gua\u2019. A pergunta que fazemos \u00e9: compartilhando que \u00e1gua? Com quem? O Brasil \u00e9 o pa\u00eds com as maiores reservas de \u00e1gua do mundo, tanto subterr\u00e2nea quanto superficial. Agora que os pa\u00edses do norte j\u00e1 exploraram ao m\u00e1ximo suas reservas naturais, querem que os pa\u00edses pobres da Am\u00e9rica Latina e da \u00c1frica \u2018compartilhem\u2019 as suas reservas. A gest\u00e3o das \u00e1guas, o controle dos aqu\u00edferos, as pol\u00edticas de recursos h\u00eddricos t\u00eam que ser fun\u00e7\u00f5es do Estado. E n\u00e3o do setor privado\u201d, defende Edson. \u201cNo Brasil, temos \u00e1gua em abund\u00e2ncia. Empresas como a Nestl\u00e9 est\u00e3o de olho no aqu\u00edfero Guarani, pensam a \u00e1gua como mercadoria. Por isso, \u00e9 t\u00e3o importante a mobiliza\u00e7\u00e3o do Fama para fazer a defesa da \u00e1gua como um bem comum para o povo brasileiro\u201d, completa Liciane.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/semcerrado.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/WhatsApp-Image-2017-10-05-at-22_56_11-1.jpeg\" data-sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" data-srcset=\"http:\/\/semcerrado.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/WhatsApp-Image-2017-10-05-at-22_56_11-1.jpeg 960w, &lt;a href=\" alt=\"\" wp-content=\"\" whatsapp-image-2017-10-05-at-22_56_11-1-300x225=\"\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/WhatsApp-Image-2017-10-05-at-22_56_11-1.jpeg\" alt=\"WhatsApp Image 2017 10 05 at 22 56 11 1\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 960px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 960\/720;\" \/><\/p>\n<p><strong>Voz do povo<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que surge o Fama, que come\u00e7ou a ser articulado em fevereiro deste ano por entidades sindicais e do campo popular que integram o Coletivo de Luta Pela \u00c1gua, criado em 2014 no contexto da crise h\u00eddrica de S\u00e3o Paulo. \u201cPara se ter uma ideia, o valor da entrada do \u2018F\u00f3rum das Corpora\u00e7\u00f5es\u2019 \u00e9 de 300 euros. E o formato de participa\u00e7\u00e3o da sociedade se resume ao que eles batizaram de \u2018espa\u00e7o cidad\u00e3o\u2019. No per\u00edodo que antecede o F\u00f3rum, s\u00e3o basicamente consultas pela internet. Durante o evento, um documento oficial diz que objetivo principal desse espa\u00e7o ser\u00e1 \u2018capacitar\u2019 e \u2018qualificar\u2019 o povo para participar dos debates. O povo brasileiro, os movimentos sociais e sindicatos n\u00e3o precisam ser qualificados: j\u00e1 somos. E sabemos o que queremos\u201d, pontuou Edson.<\/p>\n<p>Atualmente, 35 entidades nacionais participam da constru\u00e7\u00e3o do Fama, que conta com organiza\u00e7\u00f5es de outros 13 pa\u00edses: Argentina, Bol\u00edvia, Canad\u00e1, Chile, Costa Rica, Espanha, Estados Unidos, Holanda, It\u00e1lia, Palestina, Paraguai, Peru e Uruguai. \u201cQueremos que o Fama seja efetivamente um f\u00f3rum internacional. Teremos a participa\u00e7\u00e3o de entidades que lutam contra a minera\u00e7\u00e3o, contra a explora\u00e7\u00e3o das \u00e1guas subterr\u00e2neas, contra a privatiza\u00e7\u00e3o do saneamento. Inclusive entidades do movimento sindical internacional, como o PSI [sigla em ingl\u00eas para Public Services International] que tem divulgado estudos que mostram a tend\u00eancia de reestatiza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de saneamento em v\u00e1rias cidades do mundo inteiro\u201d, explica Edson.<\/p>\n<p>De acordo com ele, t\u00e3o importante quanto a realiza\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Alternativo \u00e9 o processo que antecede o Fama. Nesse sentido, j\u00e1 foram criados comit\u00eas locais de discuss\u00e3o nos estados da Para\u00edba, Bahia, S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Paran\u00e1 e Piau\u00ed. \u201cA ideia \u00e9 que os comit\u00eas continuem funcionando mesmo depois do Fama como espa\u00e7os de mobiliza\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o, luta e resist\u00eancia pela soberania nacional contra a mercantiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua\u201d, diz Edson.<\/p>\n<p>No Dia Mundial da \u00c1gua, 22 de mar\u00e7o, os organizadores querem colocar tr\u00eas mil pessoas nas ruas de Bras\u00edlia. \u201cFaremos uma grande marcha para que todos aqueles que participam do f\u00f3rum corporativo vejam que o verdadeiro espa\u00e7o de discuss\u00e3o \u00e9 com o povo, com os movimentos sociais\u201d, anunciou Daniel.<\/p>\n<p><strong>Conjuntura brasileira<\/strong><\/p>\n<p>O F\u00f3rum Mundial das \u00c1guas e o Fama acontecer\u00e3o num contexto de privatiza\u00e7\u00f5es no saneamento e no setor el\u00e9trico brasileiros. \u201cEstamos vivendo um golpe institucional que retira direitos dos trabalhadores e est\u00e1 acelerando a entrega das nossas empresas p\u00fablicas para o setor privado. E a palavra \u00e9 entregando. N\u00e3o se trata de uma venda. A Eletrobr\u00e1s tem 47 usinas hidrel\u00e9tricas que est\u00e3o no pacote. Est\u00e3o pedindo R$ 20 bi para a venda de todo o sistema. Muitos estudiosos avaliam que a empresa vale quase R$ 400 bilh\u00f5es. Est\u00e3o querendo vender 47 usinas pelo pre\u00e7o de uma\u201d, critica Liciane Andrioli do MAB. E completa: \u201cN\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que as corpora\u00e7\u00f5es v\u00e3o realizar um F\u00f3rum em 2018. Mas n\u00f3s vamos estar l\u00e1 para fazer a den\u00fancia de todo o processo de entrega da nossa soberania nacional. As privatiza\u00e7\u00f5es que est\u00e3o acontecendo, como a venda da Eletrobr\u00e1s, s\u00e3o parte de um projeto global que tem como centro a \u00e1gua e a energia\u201d.<\/p>\n<p>Edson Aparecido chama aten\u00e7\u00e3o para poss\u00edveis mudan\u00e7as no marco legal do saneamento que favorecer\u00e3o o setor privado [leia mais aqui]. Ele cita duas leis \u2013 a 11.107 de 2005 e a 11.445 de 2007 \u2013 que poder\u00e3o ser modificadas, em breve, por medidas provis\u00f3rias do governo Michel Temer. \u201cHoje a legisla\u00e7\u00e3o nacional de saneamento tem v\u00e1rios mecanismos que dificultam o processo de privatiza\u00e7\u00e3o. A 11.107 tem um artigo que criou o contrato de programa. Parece que isso n\u00e3o \u00e9 importante mas \u00e9. O contrato de programa permite que a prefeita entregue o servi\u00e7o de seu munic\u00edpio para a companhia de saneamento estadual sem ter que fazer licita\u00e7\u00e3o para a iniciativa privada. Eles querem acabar com isso para que o munic\u00edpio seja obrigado a fazer consulta ao setor privado para ver se alguma empresa tem interesse em operar o servi\u00e7o\u201d, explica. Segundo ele, essas mudan\u00e7as s\u00e3o complementares ao Programa de Parcerias em Investimento (PPI), que prev\u00ea a privatiza\u00e7\u00e3o das companhias estaduais de saneamento.<\/p>\n<p>Fonte:&nbsp;Por Ma\u00edra Mathias \u2013 EPSJV\/Fiocruz<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma alternativa para o debate da \u00e1gua \u2013 F\u00f3rum Alternativo Mundial da \u00c1gua foi lan\u00e7ado em encontro que reuniu 3,5 mil atingidos por barragens no Rio de Janeiro \u201c\u00c1gua e energia com soberania, distribui\u00e7\u00e3o da riqueza e controle popular\u201d. 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