{"id":6043,"date":"2020-11-30T21:04:58","date_gmt":"2020-12-01T00:04:58","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/povos-do-cerrado-2\/"},"modified":"2020-11-30T21:04:58","modified_gmt":"2020-12-01T00:04:58","slug":"povos-do-cerrado-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/povos-do-cerrado-2\/","title":{"rendered":"Povos do Cerrado"},"content":{"rendered":"<p>O Cerrado abriga uma diversidade enorme de povos e comunidades tradicionais, que nele vivem h\u00e1 mais de 12 mil anos \u2013 muito antes dos europeus pisarem no Brasil. S\u00e3o mais de 80 etnias ind\u00edgenas \u2013 dentre Xavantes, Kra\u00f4-Kanela, Tapuias, Guarani Kaiow\u00e1, Terena, Xacriabas, Apinaj\u00e9 -, pescadores, ribeirinhos, quilombolas, quebradeiras de coco baba\u00e7u, fundo e fecho de pasto, retireiros do Araguaia, vazanteiros, agricultores familiares, geraizeiros, sertanejos, barranqueiros, acampados, assentados e muitos outros.<\/p>\n<p>Esses povos de cultura ancestral vivem em harmonia com o meio ambiente \u2013 tiram seu sustento, principalmente, da agricultura familiar, do artesanato e do extrativismo. S\u00e3o detentores de profundo conhecimento sobre a natureza e seus aspectos nutricionais e medicinais. Por essas caracter\u00edsticas, os povos e comunidades do Cerrado atuam como verdadeiros guardi\u00f5es da \u00e1gua e da biodiversidade.<\/p>\n<h3>Comunidades quilombolas<\/h3>\n<p>Estima-se que no Brasil existem mais de 3 mil comunidades quilombolas. No Cerrado, onde a disputa por terras para a produ\u00e7\u00e3o de commodities (principalmente soja, eucalipto, gado e algod\u00e3o) cresce a cada dia, a situa\u00e7\u00e3o das comunidades quilombolas que aguardam a titula\u00e7\u00e3o de seus territ\u00f3rios \u00e9 cr\u00edtica.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/semcerrado.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/quilombola_colorido.png\" data-sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" data-srcset=\"http:\/\/semcerrado.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/quilombola_colorido.png 900w, &lt;a href=\" alt=\"\" wp-content=\"\" quilombola_colorido-300x225=\"\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/quilombola_colorido.png\" alt=\"quilombola colorido\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 960px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 960\/720;\" \/><\/p>\n<h3>Quebradeiras de coco baba\u00e7u<\/h3>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/18557405_1340029112771218_6744355267683230724_n-768x576.png\" alt=\"18557405 1340029112771218 6744355267683230724 n 768x576\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 960px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 960\/720;\" \/><\/p>\n<p>Assim como outros povos tradicionais, as quebradeiras de coco baba\u00e7u s\u00e3o parte dos Povos do Cerrado e tamb\u00e9m resistem e lutam pelo bioma. Essas mulheres, que s\u00e3o extrativistas, m\u00e3es, esposas, av\u00f3s, netas, donas de casa, trabalhadoras rurais, est\u00e3o unidas e organizadas em torno de algo comum: protagonizar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, preservar seu modo de vida, resistir ao desmatamento e ao agroneg\u00f3cio e conquistar o direito de colher os frutos em propriedades particulares.<\/p>\n<h3>Vazanteiros<\/h3>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/semcerrado.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/17952975_1321397821301014_1073392257389315815_n.png\" data-sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" data-srcset=\"http:\/\/semcerrado.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/17952975_1321397821301014_1073392257389315815_n.png 900w, &lt;a href=\" alt=\"\" wp-content=\"\" 17952975_1321397821301014_1073392257389315815_n-300x225=\"\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/17952975_1321397821301014_1073392257389315815_n.png\" alt=\"17952975 1321397821301014 1073392257389315815 n\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 960px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 960\/720;\" \/><\/p>\n<p>Os vazanteiros assim s\u00e3o chamados porque a agricultura praticada por eles est\u00e1 associada aos ciclos dos rios. Assim eles se definem em sua Carta-Manifesto: \u201cChamam-nos de Vazanteiros porque a nossa agricultura est\u00e1 associada aos ciclos de enchente, cheia, vazante e seca do rio S\u00e3o Francisco. Somos um povo que vive em suas ilhas e barrancas, manejando suas \u2018terras crescentes\u2019, tirando o sustento da pesca, da agricultura, do extrativismo e da cria\u00e7\u00e3o de animais.\u201d. Os baix\u00f5es, que correspondem \u00e0s terras baixas, s\u00e3o os locais onde a terra \u00e9 mais f\u00e9rtil e \u00famida e onde se d\u00e3o os assentamentos dos povos. Al\u00e9m de morada, \u00e9 lugar tamb\u00e9m de cultivo de legumes, verduras, frutas e pasto. Al\u00e9m disso, as vazantes e os brejos, com seus buritizais e baba\u00e7uais, garantem o sustento dos extrativistas, que tamb\u00e9m comp\u00f5em essas comunidades.<\/p>\n<p>As comunidades vazanteiras do Cerrado ocupam, sobretudo, as margens do Rio S\u00e3o Francisco e seus afluentes. O \u201cVelho Chico\u201d, que nasce em Minas Gerais e corta o pa\u00eds at\u00e9 chegar ao mar pelo estado de Alagoas, \u00e9 considerado uma das principais fontes de desenvolvimento da regi\u00e3o Nordeste, principalmente devido \u00e0 sua import\u00e2ncia para a agricultura.<\/p>\n<h3>Povos Ind\u00edgenas<\/h3>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/18011000_1314348902005906_3007958274221983696_n.png\" alt=\"18011000 1314348902005906 3007958274221983696 n\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 960px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 960\/720;\" \/><\/p>\n<p>No Cerrado, as popula\u00e7\u00f5es mais antigas s\u00e3o os povos ind\u00edgenas. Quando os colonizadores aqui chegaram, etnias como Xavantes, Krah\u00f4s, Xerentes, Xacriab\u00e1s, Karaj\u00e1s, Av\u00e1-Canoeiros, entre outras, j\u00e1 ocupavam o Cerrado brasileiro e sobreviviam da ca\u00e7a e da coleta de alimentos.<\/p>\n<p>Se, no passado, os ind\u00edgenas enfrentaram um violento processo de coloniza\u00e7\u00e3o, atualmente eles enfrentam violentas tentativas de expuls\u00e3o de suas terras \u2013 por meio de conflitos com fazendeiros e empresas \u2013 e correm o risco de perder os direitos conquistados com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Esses povos tradicionais sempre respeitaram e defenderam a natureza, com profundo zelo e senso de pertencimento. Hoje, eles resistem para que seu modo de vida continue a existir.<\/p>\n<h3>Comunidades de fundo de pasto<\/h3>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/fundo_de_fecho_V3-1-1-1024x767.png\" alt=\"fundo de fecho V3 1 1 1024x767\" width=\"960\" height=\"719\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 960px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 960\/719;\" \/><\/p>\n<p>O pastoreio segue como base da subsist\u00eancia de muita gente que vive na Caatinga e no Cerrado. Comunidades que, unidas por la\u00e7os de compadrio e parentesco, usufruem de \u00e1reas sem cercamento de forma compartilhada. Esses peda\u00e7os de terra atr\u00e1s das ro\u00e7as das fam\u00edlias s\u00e3o chamados de fecho e fundos de pasto.<\/p>\n<p>Nos fundos de pasto, os animais se alimentam da pr\u00f3pria vegeta\u00e7\u00e3o nativa. S\u00e3o alguns bovinos e ovelhas, mas principalmente cabras e bodes. A resist\u00eancia \u00e0s estiagens e a adapta\u00e7\u00e3o alimentar aos produtos da Caatinga e do Cerrado fazem deles os preferidos. Comunidades que se organizam em fundos de pasto est\u00e3o presentes num amplo espectro da Regi\u00e3o Nordeste \u2013 perpassando, por exemplo, Pernambuco e Piau\u00ed. \u00c9 na Bahia, por\u00e9m, onde tais grupos t\u00eam maior visibilidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Cerrado abriga uma diversidade enorme de povos e comunidades tradicionais, que nele vivem h\u00e1 mais de 12 mil anos \u2013 muito antes dos europeus pisarem no Brasil. 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