{"id":6092,"date":"2020-12-02T15:06:57","date_gmt":"2020-12-02T18:06:57","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/livros-sobre-o-cerrado-e-a-luta-social-sao-lancados-em-sao-luis-ma-durante-reuniao-da-campanha-nacional-em-defesa-do-cerrado\/"},"modified":"2020-12-02T15:06:57","modified_gmt":"2020-12-02T18:06:57","slug":"livros-sobre-o-cerrado-e-a-luta-social-sao-lancados-em-sao-luis-ma-durante-reuniao-da-campanha-nacional-em-defesa-do-cerrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/livros-sobre-o-cerrado-e-a-luta-social-sao-lancados-em-sao-luis-ma-durante-reuniao-da-campanha-nacional-em-defesa-do-cerrado\/","title":{"rendered":"Livros sobre o Cerrado e a luta social s\u00e3o lan\u00e7ados, em S\u00e3o Lu\u00eds (MA), durante reuni\u00e3o da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado"},"content":{"rendered":"<p><em>Na capital maranhense, nesta ter\u00e7a-feira, 26, tr\u00eas obras sobre o bioma Cerrado e a vida e milit\u00e2ncia de Luiz Vila Nova foram apresentadas ao p\u00fablico durante atividade da Campanha<\/em><\/p>\n<div class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/RosileneMiliotti_FASE_3.jpg\" alt=\"RosileneMiliotti FASE 3\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 960px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 960\/540;\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Foto: Rosilene Miliotti\/FASE<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cDos Cerrados e de suas riquezas: de saberes vernaculares e de conhecimento cient\u00edfico\u201d \u00e9 um livro que traz aprendizados acumulados com a luta em defesa do bioma e dos povos e comunidades que t\u00eam suas vidas fincadas nesse ch\u00e3o. A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 de autoria de Carlos Walter Porto-Gon\u00e7alves, professor do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF), e organizado pela FASE e Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT).<\/p>\n<p>Na mesma ocasi\u00e3o, a jornalista carioca Claudia Santiago, do N\u00facleo Piratininga de Comunica\u00e7\u00e3o (NPC), apresentou o seu livro sobre um importante personagem das lutas agr\u00e1rias do MA: \u201cLuiz Vila Nova \u2013 mem\u00f3ria da vida e da luta de um militante\u201d. Chap\u00e9u de palha, \u00f3culos e camisa vermelha, assim como na capa do livro, Vila Nova, ao contar sobre o in\u00edcio de sua milit\u00e2ncia, foi incisivo: \u201cHoje, se eu continuo na luta, \u00e9 porque essa semente foi plantada na adolesc\u00eancia, quando eu ainda estava novinho. O momento principal de se preparar o cidad\u00e3o \u00e9 na adolesc\u00eancia, e n\u00e3o quando est\u00e1 adulto, porque a\u00ed o cidad\u00e3o j\u00e1 tem v\u00e1rias culturas enraizadas. A gente vai absorvendo as realidades ao longo da vida\u201d.<\/p>\n<p>A terceira obra apresentada ao p\u00fablico retrata uma hist\u00f3ria de de mobiliza\u00e7\u00e3o de milhares de pessoas por \u00e1gua no oeste da Bahia. \u201cOs Piv\u00f4s da Disc\u00f3rdia e a Digna Raiva: uma an\u00e1lise dos conflitos por terra, \u00e1gua e territ\u00f3rio em Correntina (BA)\u201d examina os significados, interpreta\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es diante dessa revolta popular em defesa das \u00e1guas no Cerrado baiano. \u201cA luta dos ribeirinhos do oeste da Bahia, que vem de muito longe na hist\u00f3ria, n\u00e3o s\u00f3 contesta veementemente o \u2018sucesso\u2019 do agroneg\u00f3cio, mas tamb\u00e9m se projeta como alternativa ao modelo agr\u00edcola devastador e insustent\u00e1vel. O modo secular de vida dos ribeirinhos, em equil\u00edbrio com a disponibilidade dos bens e ciclos naturais, os preservaram at\u00e9 aqui, a si e aos ecossistemas com os quais interagem e dos quais dependem umbilicalmente\u201d, analisa Ruben Siqueira, da coordena\u00e7\u00e3o nacional da CPT.<\/p>\n<p>Confira, abaixo, uma breve contextualiza\u00e7\u00e3o sobre cada uma das tr\u00eas obras lan\u00e7adas:<\/p>\n<h4><strong>\u201cDos Cerrados e de suas riquezas: de saberes vernaculares e de conhecimento cient\u00edfico\u201d<\/strong><\/h4>\n<p>Essa publica\u00e7\u00e3o, assim como diversas outras produzidas no bojo da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, tem como objetivo reunir os saberes constru\u00eddos coletivamente sobre o bioma. Uma constru\u00e7\u00e3o a muitas m\u00e3os, que envolve movimentos sociais, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, pesquisadores\/as, e, claro, povos e comunidades do Cerrado. \u201cN\u00e3o olvidemos que nenhum grupo social, povo, etnia ou comunidade habita uma \u00e1rea, seja ela qual for, sem produzir conhecimento.<\/p>\n<p>Como algu\u00e9m pode viver em um lugar sem conhec\u00ea-lo? N\u00e3o se come sem saber plantar, sem saber pescar, sem saber coletar ou sem saber criar animais \u201c, pontua o professor fluminense.<\/p>\n<p>\u201cNos cabe afirmar que n\u00e3o h\u00e1 defesa do Cerrado sem a defesa dos territ\u00f3rios dos povos dos Cerrados, onde suas riquezas s\u00e3o conservadas, nutridas e multiplicadas. Esse \u00e9 o compromisso que deve guiar as lutas em defesa do Cerrado, em especial em um momento hist\u00f3rico marcado pelo esfor\u00e7o sistem\u00e1tico de poderes p\u00fablicos e privados em promover a desterritorializa\u00e7\u00e3o dos diversos povos ind\u00edgenas, quilombolas, povos e comunidades tradicionais \u2013 tais como geraizeiros, vazanteiros, quebradeiras de coco baba\u00e7u, dentre outros -, assentados de reforma agr\u00e1ria e outras popula\u00e7\u00f5es camponesas\u201d, apresentam, assim, as organizadoras da publica\u00e7\u00e3o, Diana Aguiar, assessora nacional da FASE, e Val\u00e9ria Santos, articuladora da CPT.<\/p>\n<p>Em breve, a publica\u00e7\u00e3o estar\u00e1 dispon\u00edvel para download no site da FASE, CPT e Campanha Nacional em Defesa do Cerrado.<\/p>\n<div id=\"attachment_6720\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/RosileneMiliotti_FASE_5-620x413-600x413.jpg\" alt=\"RosileneMiliotti FASE 5 620x413 600x413\" width=\"600\" height=\"413\" style=\"--smush-placeholder-width: 600px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 600\/413;display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\" style=\"text-align: center;\">Foto: Rosilene Miliotti\/FASE<\/p>\n<\/div>\n<h4><strong>\u201cLuiz Vila Nova: mem\u00f3ria da vida e da luta de um militante\u201d<\/strong><\/h4>\n<p>O educador popular e lavrador Luiz Vila Nova, prestes a completar 75 anos, nasceu no Piau\u00ed, mas se tornou maranhense, como ele pr\u00f3prio afirma. Come\u00e7ou a sua milit\u00e2ncia na Juventude Agr\u00e1ria Cat\u00f3lica (JAC), e em 1964 entrou para a A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Rural (ACR). Filho de lavradores e tendo como refer\u00eancias em sua luta por reforma agr\u00e1ria, Dom Helder C\u00e2mara e Manoel da Concei\u00e7\u00e3o, Vila Nova participou ativamente das lutas por terra na regi\u00e3o maranhense do Vale do Pindar\u00e9, onde sofreu persegui\u00e7\u00f5es, atentados, amea\u00e7as de pris\u00e3o e de morte. Contribuiu na funda\u00e7\u00e3o do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Partido dos Trabalhadores (PT), no qual foi Deputado Estadual por dois mandatos.<\/p>\n<p>Sua hist\u00f3ria, como descreve Claudia Santiago, est\u00e1 profundamente ligada a movimentos e organiza\u00e7\u00f5es populares, como a CPT, Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), C\u00e1ritas, Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT) e \u00e0s Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). \u201cEle conhece, como poucos, talvez seja quem mais conhece, a luta contra as cercas e pela reforma agr\u00e1ria no Maranh\u00e3o. Terra coletiva \u00e9 um sonho\u201d, ressalta, sobre o militante, a autora do livro.<\/p>\n<p>As mem\u00f3rias de Vila Nova chegaram \u00e0s m\u00e3os de Claudia em 2018, durante o Curso de Comunica\u00e7\u00e3o Popular do NPC, atrav\u00e9s da aluna Inessa Lopes. \u201cEram 240 p\u00e1ginas iniciais, comecei a ler e achei a hist\u00f3ria fant\u00e1stica. Eu buscava pelo nome dele no Google, e n\u00e3o aparecia nada. Mas a hist\u00f3ria dele \u00e9 muito bonita e forte, uma hist\u00f3ria de luta e de muitas vit\u00f3rias. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o sai do computador at\u00e9 organizar aquelas p\u00e1ginas, mas logo depois eu recebi mais 500 p\u00e1ginas. E ele mandou tamb\u00e9m os jornais da \u00e9poca para comprovar o que ele dizia\u201d, relembra Santiago, respons\u00e1vel por organizar essas mem\u00f3rias hist\u00f3ricas de luta.<\/p>\n<p>Com uma vida inteira de milit\u00e2ncia, Luiz sempre aponta diversas problem\u00e1ticas sociais que o levou a dedicar quase que os seus 75 anos em prol de justi\u00e7a social. A desigualdade social, o racismo e a separa\u00e7\u00e3o entre quem tem mais e menos riquezas s\u00e3o quest\u00f5es que sempre chamaram a aten\u00e7\u00e3o do lavrador. Sobre isso, ele lembra de um epis\u00f3dio no dia 7 de setembro, no munic\u00edpio piauiense de Amarante, \u201cquando os pobre e os ricos, os negros e os brancos, dan\u00e7avam, na festa, em locais separados. Essas coisas v\u00e3o nos chamando aten\u00e7\u00e3o, v\u00e3o somando em nossas vidas\u201d.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o pode ser adquirida pelo&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/nucleopiratininga.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">site<\/a><\/strong>&nbsp;do NPC.<\/p>\n<div id=\"attachment_6722\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/RosileneMiliotti_FASE_2-768x451-768x451.jpg\" alt=\"RosileneMiliotti FASE 2 768x451 768x451\" width=\"960\" height=\"564\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 960px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 960\/564;\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Fotos: Rosilene Miliotti\/FASE<\/p>\n<\/div>\n<h4>Os Piv\u00f4s da Disc\u00f3rdia e a Digna Raiva: uma an\u00e1lise dos conflitos por terra, \u00e1gua e territ\u00f3rio em Correntina (BA)<\/h4>\n<p>O livro foi elaborado tamb\u00e9m por Carlos Walter e Samuel Britto das Chagas, engenheiro agr\u00f4nomo e agente da CPT na Bahia. O baixo n\u00edvel das \u00e1guas do Rio Arrojado, devido \u00e0 capta\u00e7\u00e3o abusiva de \u00e1gua pelas fazendas do grupo Igarashi e ao desmatamento desenfreado, juntamente com a morosidade dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e governos em resolver tais problemas, fez com que, no dia 02 de novembro de 2017, cerca de mil ribeirinhos quebrassem as instala\u00e7\u00f5es de irriga\u00e7\u00e3o agr\u00edcola da \u201cempresa que lhes sugava o \u2018sangue\u2019, quer dizer, as \u00e1guas\u201d, destaca, no Pref\u00e1cio da obra, escrito por Ruben Siqueira, da coordena\u00e7\u00e3o nacional da CPT.<\/p>\n<p>Nove dias ap\u00f3s esse acontecimento, aproximadamente 12 mil pessoas sa\u00edram \u00e0s ruas da cidade de Correntina em apoio \u00e0quela primeira a\u00e7\u00e3o ocorrida anteriormente, e uma frase ganhou o protesto e \u00e9 entoada at\u00e9 hoje: \u201cNingu\u00e9m vai morrer de sede \u00e0s margens do Arrojado\u201d. Em sua fala durante o lan\u00e7amento, Siqueira destacou ainda como a popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o se identificou com a camiseta da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, que traz o lema: \u201cSem Cerrado, Sem \u00c1gua, Sem Vida\u201d.<\/p>\n<p>O livro pode ser adquirido nas sedes da CPT em Salvador e em Santa Maria da Vit\u00f3ria (BA).<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Texto:<\/strong>&nbsp;Elvis Marques\/CPT<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na capital maranhense, nesta ter\u00e7a-feira, 26, tr\u00eas obras sobre o bioma Cerrado e a vida e milit\u00e2ncia de Luiz Vila Nova foram apresentadas ao p\u00fablico durante atividade da Campanha Foto: Rosilene Miliotti\/FASE \u201cDos Cerrados e de suas riquezas: de saberes vernaculares e de conhecimento cient\u00edfico\u201d \u00e9 um livro que traz aprendizados acumulados com a luta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-6092","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6092","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6092"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6092\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}