{"id":6105,"date":"2020-12-02T16:48:03","date_gmt":"2020-12-02T19:48:03","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/jovens-do-bico-do-papagaio-to-resistem-para-viver-no-campo-e-manter-producao-agroecologica\/"},"modified":"2020-12-02T16:48:03","modified_gmt":"2020-12-02T19:48:03","slug":"jovens-do-bico-do-papagaio-to-resistem-para-viver-no-campo-e-manter-producao-agroecologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/jovens-do-bico-do-papagaio-to-resistem-para-viver-no-campo-e-manter-producao-agroecologica\/","title":{"rendered":"Jovens do Bico do Papagaio (TO) resistem para viver no campo e manter produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica"},"content":{"rendered":"<p><em>Apesar dos desafios enfrentados,&nbsp; juventudes de comunidades rurais do Tocantins se mobilizam diariamente para manter a produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica ativa<\/em><\/p>\n<p>Pensar em juventudes do campo \u00e9 desafiador nestes tempos que amea\u00e7am \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas e as perdas de direitos b\u00e1sicos. Por n\u00e3o haver tanto apoio no meio rural para as fam\u00edlias, os jovens procuram outras alternativas de trabalho na cidade, o que prejudica significativamente a produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, t\u00e3o necess\u00e1ria para o pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad\/IBGE), os dados apontam que em 2017 jovens brasileiros correspondiam a 23,4% do total da popula\u00e7\u00e3o. Informa\u00e7\u00f5es do Censo Demogr\u00e1fico de 2010 apontaram a exist\u00eancia de 8 milh\u00f5es de jovens rurais no Brasil. Sendo assim, considerando o total de 51 milh\u00f5es de jovens brasileiros \u00e0 \u00e9poca (23,4%), a juventude rural compreendia cerca de 15,7% da juventude brasileira.&nbsp;<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ainda em dados preliminares do Censo Agropecu\u00e1rio de 2017 aponta o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o rural brasileira, e o censo agropecu\u00e1rio anterior (2006), indicaram que 17,52% dos agricultores tinham mais de 65 anos. Esta propor\u00e7\u00e3o aumentou para 21,4% em 2017.&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"background-color: inherit; color: inherit; font-family: inherit; font-size: 1rem; caret-color: auto;\"><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/apato-jovens-1024x683.jpg\" alt=\"apato jovens 1024x683\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 960px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 960\/640;\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"background-color: inherit; color: inherit; font-family: inherit; font-size: 1rem; caret-color: auto;\">A Organiza\u00e7\u00e3o N\u00e3o Governamental (ONG) Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins (APA-TO), que realiza a\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o do Bico do Papagaio, no estado do Tocantins, realizou, em 2019, uma pesquisa para compreender os sonhos das juventudes rurais e construir junto com ela caminhos para a sua perman\u00eancia no campo, por meio de question\u00e1rio e rodas de conversas. Participaram da pesquisa 245 jovens quilombolas, quebradeiras de coco, acampados e assentados de 44 comunidades rurais<\/span><\/p>\n<p>Segundo a pesquisa, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho&nbsp;para as juventudes rurais no Bico de Papagaio, assim como no cen\u00e1rio brasileiro, n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis. \u201cH\u00e1 informalidade, desemprego, trabalho prec\u00e1rio. Ainda existe uma desvaloriza\u00e7\u00e3o do papel dos jovens e das jovens,&nbsp;e sua atua\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 considerada trabalho, apenas ajuda\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo diante de todas as dificuldades, as juventudes das comunidades rurais do Bico do Papagaio resistem por meio da produ\u00e7\u00e3o&nbsp;agroecologia, algo pontuado no levantamento da APA-TO. \u201cProduzir no campo, cuidar da natureza e promover sa\u00fade e bem-estar para toda a comunidade. Informam ainda que 51,9% dos jovens produzem sem agrot\u00f3xicos e 74,2% considera a produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica melhor\u201d.&nbsp;<\/p>\n<h4><b>Resist\u00eancia<\/b><\/h4>\n<p>O Territ\u00f3rio do Bico do Papagaio (TO) \u00e9 um exemplo de como as juventudes rurais t\u00eam sido prejudicadas com a perda de direitos, mas que resistem, buscando alternativas para se manterem no campo. A jovem agricultora e quebradeira de coco da comunidade de Olho D\u2019\u00c1gua, munic\u00edpio de S\u00e3o Miguel, Maria Divina Paix\u00e3o, de 28 anos, casada e m\u00e3e de dois filhos, afirma que a organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, neste per\u00edodo de pandemia, tem sido feita com o envolvimento de todas as fam\u00edlias da comunidade.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/ATER-32-600x900.jpg\" alt=\"ATER 32 600x900\" width=\"300\" height=\"450\" style=\"--smush-placeholder-width: 300px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 300\/450;margin: 20px 20px 20px 0px; float: left;\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/>\u201cNeste per\u00edodo de pandemia o \u00f3leo de coco baba\u00e7u tem sido o nosso principal produto agroecol\u00f3gico. \u00c9 a maior procura do momento. A APATO tem nos ajudado muito com a venda do azeite de coco baba\u00e7u. Da \u00faltima vez, vendemos 316 litros de azeite de coco baba\u00e7u para colocar nas cestas agroecol\u00f3gicas distribu\u00eddas \u00e0s fam\u00edlias que mais precisam na pandemia\u201d, relata.&nbsp;<\/p>\n<p>O jovem agricultor Leonardo Santos, 22, casado e pai de um filho, tamb\u00e9m da comunidade Olho D\u00b4\u00c1gua, explica que apesar das in\u00fameras dificuldades, ele participa de duas iniciativas que mobilizam jovens das comunidades rurais. \u201cTemos dificuldade de permanecer no campo junto com nossas fam\u00edlias. Mas n\u00f3s resistimos. Tenho participado do curso \u2018Jovens semeando agroecologia\u2019, iniciado em agosto de 2019 e criamos o Coletivo da Juventude dos Calistos. Com essas duas a\u00e7\u00f5es temos motivado a juventude em contribuir com a produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica\u201d.&nbsp;<\/p>\n<p>Maria e Leonardo ressaltam que as a\u00e7\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o t\u00eam mobilizado a juventude da comunidade, desde a produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 a comercializa\u00e7\u00e3o, que agora j\u00e1 pode ser vendida em feiras do munic\u00edpio de S\u00e3o Miguel. Por\u00e9m, neste per\u00edodo de pandemia, as feiras foram suspensas, mas mesmo assim as fam\u00edlias ainda conseguem vender na banquinha da comunidade instalada na cidade ou entregar alguns produtos para as pessoas que solicitarem.&nbsp;<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o&nbsp;principal das fam\u00edlias da comunidade de Olho D\u00b4\u00c1gua \u00e9 o cultivo de hortas, milho, mandioca, banana, caju, cupua\u00e7u e azeite de coco baba\u00e7u. Leonardo relatou que, antes da pandemia, a popula\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Miguel comprava diretamente os produtos agroecol\u00f3gicos de Olho D\u2019\u00c1gua \u201cpor n\u00e3o ter uso de veneno [agrot\u00f3xicos]\u201d.&nbsp;<\/p>\n<p>Os jovens relatam seus sonhos em meio aos in\u00fameros desafios que devem ser enfrentados dia a dia: \u201cTer uma escola p\u00fablica para as crian\u00e7as e adolescentes, que haja mais valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho desenvolvidos pelos camponeses e que as autoridades criem outras formas de comercializar a produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Fonte e imagens: APA-TO<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar dos desafios enfrentados,&nbsp; juventudes de comunidades rurais do Tocantins se mobilizam diariamente para manter a produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica ativa Pensar em juventudes do campo \u00e9 desafiador nestes tempos que amea\u00e7am \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas e as perdas de direitos b\u00e1sicos. 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