{"id":6112,"date":"2020-12-02T17:15:43","date_gmt":"2020-12-02T20:15:43","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/r-existencias-no-cerrado-webserie-contara-historias-de-guardias-e-guardioes-da-sociobiodiversidade-do-bioma\/"},"modified":"2020-12-02T17:15:43","modified_gmt":"2020-12-02T20:15:43","slug":"r-existencias-no-cerrado-webserie-contara-historias-de-guardias-e-guardioes-da-sociobiodiversidade-do-bioma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/r-existencias-no-cerrado-webserie-contara-historias-de-guardias-e-guardioes-da-sociobiodiversidade-do-bioma\/","title":{"rendered":"(R)Exist\u00eancias no Cerrado: Webs\u00e9rie contar\u00e1 hist\u00f3rias de guardi\u00e3s e guardi\u00f5es da sociobiodiversidade do bioma"},"content":{"rendered":"<p>Ind\u00edgenas, camponeses(as), geraizeiros(as), retireiros(as), quilombolas, quebradeiras de coco, raizeiras, pescadores(as). Esses s\u00e3o apenas alguns dos povos e comunidades tradicionais que h\u00e1 s\u00e9culos habitam o Cerrado, a savana mais biodiversa do planeta. Apesar do bioma ser alvo constante da destrui\u00e7\u00e3o causada pelo avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio, pelos conflitos agr\u00e1rios por direitos territoriais e pelas queimadas criminosas, os povos do Cerrado (r)existem e n\u00e3o \u00e9 de hoje.<\/p>\n<p>O Cerrado \u00e9 o segundo maior bioma da Am\u00e9rica do Sul, ocupando uma \u00e1rea de 2.036.448 km\u00b2, cerca de 22% do territ\u00f3rio nacional. Por ter uma extens\u00e3o vasta, passa pelos estados de Goi\u00e1s, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Rond\u00f4nia, Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo e Distrito Federal, al\u00e9m do Amap\u00e1, Roraima e Amazonas.<\/p>\n<p>Considerado o ber\u00e7o das \u00e1guas, no espa\u00e7o territorial do bioma nascem \u00e1guas que abastecem nosso pa\u00eds, incluindo seis das oito grandes bacias hidrogr\u00e1ficas do Brasil: Amaz\u00f4nica, Araguaia\/Tocantins, Atl\u00e2ntico Norte\/Nordeste, S\u00e3o Francisco, Atl\u00e2ntico Leste e Paran\u00e1\/Paraguai, incluindo as \u00e1guas que escoam para o Pantanal.&nbsp;<b>Voc\u00ea, que agora l\u00ea este texto, provavelmente j\u00e1 tomou um copo de \u00e1gua que veio do Cerrado hoje.<\/b><\/p>\n<p>Apesar de sua import\u00e2ncia para a manuten\u00e7\u00e3o de milhares de vidas, mais da metade da mata nativa do Cerrado j\u00e1 foi destru\u00edda e, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), 28,40 milh\u00f5es de hectares do bioma foram desmatados entre 2001 e 2019. De acordo com o Relat\u00f3rio Anual de Desmatamento no Brasil do&nbsp;<i>MapBiomas<\/i>, em 2019 o desmatamento no Cerrado bateu recorde e foi considerado o mais veloz do pa\u00eds, tendo 1.109 mil hectares sendo destru\u00eddos a cada dia.<\/p>\n<p><b>Com ou sem pandemia, a destrui\u00e7\u00e3o continua<\/b><\/p>\n<p>Larissa Packer, advogada da GRAIN Am\u00e9rica Latina, nos ajuda a compreender as causas dessa devasta\u00e7\u00e3o desenfreada. Em&nbsp;<a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/a-biodiversidade-e-o-melhor-remedio-contra-pandemias\/\">entrevista<\/a>&nbsp;publicada pela Campanha Nacional em Defesa do Cerrado no Le Monde Diplomatique Brasil em julho deste ano, Packer afirma que existe uma rela\u00e7\u00e3o direta com o modo como atua o agroneg\u00f3cio em nosso pa\u00eds. \u201cEsses monocultivos de larga escala destinados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o precisam produzir numa intensidade que leva o agroneg\u00f3cio a considerar a floresta, a biodiversidade, e os povos que habitam como obst\u00e1culos ao desenvolvimento\u201d, explica.<\/p>\n<p>Dessa forma, s\u00e3o geradas as tens\u00f5es e os conflitos agr\u00e1rios que h\u00e1 d\u00e9cadas se intensificam e fazem parte da rotina dos povos do campo, das \u00e1guas e das florestas no Brasil. \u201c<i>Quando se passa o corrent\u00e3o e desmata-se a terra, ela se valoriza no minuto seguinte, os grileiros ganham muito dinheiro. N\u00e3o tem como a gente desconsiderar que h\u00e1 um financiamento hist\u00f3rico, desde uma economia de plantation l\u00e1 nos anos 1500 com os monocultivos de cana-de-a\u00e7\u00facar\u201d,<\/i>&nbsp;destaca Larissa.<\/p>\n<p>Entre 2003 e 2018, 40,5 % dos conflitos no campo registrados pela Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) ocorreram no Cerrado e em suas \u00e1reas de transi\u00e7\u00e3o, revelou&nbsp;<a href=\"https:\/\/fase.org.br\/pt\/acervo\/biblioteca\/dos-cerrados-e-de-suas-riquezas-de-saberes-vernaculares-e-de-conhecimento-cientifico\/\">estudo<\/a>&nbsp;publicado no ano passado pelo professor e pesquisador Carlos Walter Porto-Gon\u00e7alves, da Universidade Federal Fluminense (UFF). O dado contribui para a compreendermos a conjuntura de devasta\u00e7\u00e3o e viol\u00eancias dos territ\u00f3rios do bioma.<\/p>\n<p>Para Albet\u00e2nia Souza, agente da CPT no estado da Bahia, nem a pandemia do novo coronav\u00edrus p\u00f4de proporcionar uma tr\u00e9gua para este cen\u00e1rio de conflitos. \u201c<i>A gente pode dizer que agroneg\u00f3cio n\u00e3o est\u00e1 em quarentena porque continua investindo contra os povos. A situa\u00e7\u00e3o mais agravante \u00e9 que al\u00e9m da grilagem e dos processos de viol\u00eancia contra os povos do Cerrado e do campo no geral, as comunidades t\u00eam que lidar com a situa\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio v\u00edrus\u2019\u2019, conta.<\/i><\/p>\n<p><b>Queimadas<\/b><\/p>\n<p>Outro fator que agrava a situa\u00e7\u00e3o do Cerrado s\u00e3o as queimadas. \u201cEssa situa\u00e7\u00e3o se agrava todo ano no per\u00edodo mais seco (entre maio e setembro), quando as queimadas se alastram com mais facilidade e o desmatamento se expande com intensidade ainda maior\u201d, explica Diana Aguiar, assessora da Campanha em Defesa do Cerrado, em&nbsp;<a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/desmatamento-no-cerrado-e-resistencias-nos-territorios\/\">artigo<\/a>&nbsp;publicado na semana passada no Le Monde Diplomatique Brasil.<\/p>\n<p>At\u00e9 julho de 2020, de acordo com dados do INPE, o Cerrado apresentou 5.310 focos \u2013 36,2% do total registrado no pa\u00eds. Em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/08\/02\/com-12-mil-focos-de-incendio-desmatamento-avanca-no-cerrado-durante-a-pandemia\">reportagem<\/a>&nbsp;divulgada pelo Jornal Brasil de Fato em 2 agosto de 2020, o bioma contabilizou 12 mil focos de fogo.<\/p>\n<p>Apesar das diverg\u00eancias nas notifica\u00e7\u00f5es e monitoramentos, uma coisa \u00e9 certa: com ou sem pandemia, a destrui\u00e7\u00e3o da sociobiodiversidade do Cerrado continua.<\/p>\n<p><b>(R)Exist\u00eancias no Cerrado<\/b><\/p>\n<p>Neste m\u00eas de setembro, per\u00edodo que celebramos o dia nacional do Cerrado (11\/09), a Coordena\u00e7\u00e3o Ecum\u00eanica do Servi\u00e7o (CESE), com o apoio de HEKS-EPER, convida voc\u00ea para conhecer hist\u00f3rias de lutas e resist\u00eancias de pessoas que vivem nos cerrados do Brasil \u2013 sim, no plural, porque assim s\u00e3o as gentes e os saberes ancestrais que s\u00e3o guardados e conectados com a biodiversidade do Cerrado.&nbsp;<\/p>\n<p>Semanalmente, por meio dos canais de comunica\u00e7\u00e3o da CESE, a webs\u00e9rie \u201c(R)Exist\u00eancias no Cerrado\u201d contar\u00e1 hist\u00f3rias de comunidades e povos que tiveram parte de suas vidas destru\u00eddas pelo fogo em seus territ\u00f3rios, mas que encontraram for\u00e7as para reerguer suas casas, plantar novamente suas ro\u00e7as e reorganizar seu trabalho e atividades do dia-a-dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<i>\u201dOs sinais de esperan\u00e7a brotam do ch\u00e3o, das \u00e1guas e da resist\u00eancia dos povos do cerrado. A CESE, atrav\u00e9s da webs\u00e9rie busca denunciar a destrui\u00e7\u00e3o da sociobiodiversidade&nbsp; e reafirmar a for\u00e7a e os os direitos dos povos do Cerrado. \u00c9 necess\u00e1rio&nbsp; trazer essas hist\u00f3rias para fazer contraponto \u00e0 m\u00eddia convencional, que insiste em criminalizar organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais que lutam em defesa deste bioma\u2019<\/i>\u2019, afirma S\u00f4nia Mota, diretora executiva da CESE.<\/p>\n<p>Acompanhe o facebook, youtube e site da CESE para participar dessa prosa sobre os guardi\u00f5es do ber\u00e7o das \u00e1guas do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<hr \/>\n<p><b>Servi\u00e7o<\/b><\/p>\n<p><b>Webs\u00e9rie (R)Exist\u00eancias no Cerrado<\/b><\/p>\n<p>Per\u00edodo de veicula\u00e7\u00e3o: setembro e outubro de 2020 nos canais de comunica\u00e7\u00e3o da CESE e da<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CampanhaCerrado\/\">Campanha Nacional em Defesa do Cerrado&nbsp;<\/a><\/p>\n<p>https:\/\/&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.cese.org.br\/?fbclid=IwAR0yFokSOFMQ70r_oyCJGTrp_40q15qhLN7GU4UPuyvAnpp8QvFx304yaRw\">www.cese.org.br<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/cesedireitos?fbclid=IwAR3b8iY9bvWry3ASd44z2FpSZFeOTy4RxihUpPFj3SMUZZQz5Xf_ghWc914\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/cesedireitos\">https:\/\/www.youtube.com\/cesedireitos<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cesedireitos?fbclid=IwAR14le7ahvn9sS8vPCque8uVXG7jpViBiY55XIdJDK-HIKodQ0OIUR_xgy0\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cesedireitos\">https:\/\/www.instagram.com\/cesedireitos<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/cese1973\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/cese1973\">https:\/\/www.facebook.com\/cese1973<\/a><\/p>\n<p><em>Com a colabora\u00e7\u00e3o de Bruno Santiago \/ Campanha Nacional em Defesa do Cerrado<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ind\u00edgenas, camponeses(as), geraizeiros(as), retireiros(as), quilombolas, quebradeiras de coco, raizeiras, pescadores(as). 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