{"id":6117,"date":"2020-12-02T17:37:20","date_gmt":"2020-12-02T20:37:20","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/povos-originarios-e-comunidades-tradicionais-protestam-contra-devastacao-socioambiental-no-tocantins-e-maranhao\/"},"modified":"2020-12-02T17:37:20","modified_gmt":"2020-12-02T20:37:20","slug":"povos-originarios-e-comunidades-tradicionais-protestam-contra-devastacao-socioambiental-no-tocantins-e-maranhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/povos-originarios-e-comunidades-tradicionais-protestam-contra-devastacao-socioambiental-no-tocantins-e-maranhao\/","title":{"rendered":"Povos Origin\u00e1rios e Comunidades Tradicionais protestam contra devasta\u00e7\u00e3o socioambiental no Tocantins e Maranh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Manifesta\u00e7\u00f5es aconteceram na cidade de Imperatriz (MA) pela manh\u00e3<\/em><\/p>\n<p>Nesta sexta-feira (25), povos origin\u00e1rios, comunidades tradicionais, organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais da Articula\u00e7\u00e3o Tocantinense de Agroecologia (ATA) protestaram contra a devasta\u00e7\u00e3o ambiental nos estados do Tocantins e Maranh\u00e3o. As manifesta\u00e7\u00f5es aconteceram na cidade de Imperatriz (MA), munic\u00edpio que faz divisa com a regi\u00e3o do Bico do Papagaio, territ\u00f3rio que abarca a transi\u00e7\u00e3o dos biomas Cerrado e Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es buscam sensibilizar e conscientizar a popula\u00e7\u00e3o para a grave situa\u00e7\u00e3o ambiental dos estados que j\u00e1 compromete o abastecimento de \u00e1gua, a sa\u00fade e a qualidade de vida das popula\u00e7\u00f5es urbanas e rurais. O protesto passou por tr\u00eas localidades diferentes, primeiro em frente \u00e0 F\u00e1brica da Empresa Suzano Papel e Celulose, em seguida na Pra\u00e7a de F\u00e1tima, e, por fim, na Ponte Dom Afonso Felipe Gregori.<\/p>\n<p>No primeiro ato, em frente \u00e0 f\u00e1brica, cerca de 300 participantes realizaram um grande c\u00edrculo de bra\u00e7os dados. Ao centro da roda dezenas de cruzes foram fincadas no ch\u00e3o, simbolizando a morte dos rios, das matas e dos povos da regi\u00e3o tocantina, impactada pelas a\u00e7\u00f5es da Empresa.<\/p>\n<p>De acordo com Rosalva Gomes, assessora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Baba\u00e7u (MIQCB), a degrada\u00e7\u00e3o do Rio Tocantins e seus afluentes \u00e9 um impacto direto das a\u00e7\u00f5es da Suzano em Imperatriz. \u2018\u2019Na comunidade onde eu fui criada temos dois brejos que est\u00e3o praticamente secos. \u00c9 percept\u00edvel a diminui\u00e7\u00e3o do volume do Rio Tocantins, que seca a cada ano. Isso acontece devido ao desmatamento e pela \u00e1gua que \u00e9 utilizada na f\u00e1brica\u2019\u2019, ressalta.<\/p>\n<div id=\"attachment_6698\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/CarlosViniciusSantos.jpeg\" alt=\"CarlosViniciusSantos\" width=\"960\" height=\"539\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 960px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 960\/539;\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Foto: Carlos Vinicius Santos<\/p>\n<\/div>\n<h4><strong>Intera\u00e7\u00e3o entre o campo e a cidade<\/strong><\/h4>\n<p>Os participantes se deslocaram para a Pra\u00e7a de F\u00e1tima, no centro da cidade, onde foi tratada a conjuntura de devasta\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m houve a apresenta\u00e7\u00e3o da agroecologia como alternativa de mudan\u00e7a desse contexto. Foram realizadas manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas dos povos ind\u00edgenas, quebradeiras de coco baba\u00e7u, quilombolas e juventudes rurais.<\/p>\n<p>Para a jovem agricultora e estudante da Escola Fam\u00edlia Agr\u00edcola do Bico do Papagaio, Ant\u00f4nia Ruth, \u00e9 preciso mostrar para a cidade o que o campo est\u00e1 fazendo. \u2018\u2019Uma manifesta\u00e7\u00e3o como esta que fazemos aqui hoje \u00e9 importante porque podemos mostrar que estamos produzindo de maneira agroecol\u00f3gica e diversificada, sem precisar envenenar nossas planta\u00e7\u00f5es e rios, desmatar ou poluir\u2019\u2019, enfatiza.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, os participantes se destinaram para a \u00faltima parada do itiner\u00e1rio de manifesta\u00e7\u00f5es, a Ponte Dom Afonso Felipe Gregori, que al\u00e9m de conectar os dois estados, passa por cima do Rio Tocantins. De maneira pac\u00edfica os manifestantes entoaram cantos e clamaram por suas demandas. Para finalizar o dia de protestos foram penduradas faixas de aproximadamente 20 metros com os dizeres: \u2018\u2019Agrot\u00f3xico mata\u2019\u2019, \u2018\u2019Suzano mata as \u00e1guas\u2019\u2019 e \u2018\u2019Agroecologia \u00e9 vida\u2019\u2019.<\/p>\n<div id=\"attachment_6699\" class=\"wp-caption alignright\">\n<p class=\"wp-caption-text\"><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/BrunoSantiago-768x1152.jpeg\" alt=\"BrunoSantiago 768x1152\" width=\"400\" height=\"600\" style=\"--smush-placeholder-width: 400px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 400\/600;margin: 0px 20px 20px; float: right;\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Fotos: Bruno Santiago<\/p>\n<\/div>\n<h4><strong>Devasta\u00e7\u00e3o socioambiental<\/strong><\/h4>\n<p>O desmatamento das florestas, a polui\u00e7\u00e3o dos rios e a contamina\u00e7\u00e3o de alimentos devido ao uso de agrot\u00f3xicos n\u00e3o s\u00e3o novidades nos estados do Tocantins e Maranh\u00e3o. Acompanhando estes crimes ambientais est\u00e3o tamb\u00e9m as viola\u00e7\u00f5es de direitos territoriais dos povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais, que sofrem diariamente com as consequ\u00eancias da expans\u00e3o desmedida do Agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Segundo a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, em 2018, aconteceram 43 conflitos no campo no Tocantins, envolvendo 7.890 pessoas. J\u00e1 no Maranh\u00e3o este n\u00famero \u00e9 ainda mais alarmante, pois foram contabilizados 201 ocorr\u00eancias e mais de 80 mil pessoas envolvidas. Os conflitos apurados pela Pastoral est\u00e3o relacionados \u00e0 disputa por terra, \u00e1gua e trabalhistas.<\/p>\n<p>De acordo com o Dossi\u00ea da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco) e do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, cada brasileiro consome mais de 7 litros de agrot\u00f3xico por ano. Ainda com base no estudo, pesquisas apontam que o consumo de agrot\u00f3xicos pode causar uma s\u00e9rie de doen\u00e7as, como a infertilidade, problemas motores e neurol\u00f3gicos.<\/p>\n<h4><strong>Alternativa agroecol\u00f3gica<\/strong><\/h4>\n<p>A Articula\u00e7\u00e3o Tocantinense de Agroecologia (ATA) acredita que a Agroecologia deve ser compreendida como uma ci\u00eancia, uma pr\u00e1tica e um movimento, apresentando um caminho poss\u00edvel para o desenvolvimento sustent\u00e1vel de&nbsp; nossa sociedade.<\/p>\n<p>As pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas contribuem para a preserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e para a manuten\u00e7\u00e3o dos modos de vida dos povos e comunidades tradicionais, para a promo\u00e7\u00e3o da soberania alimentar com a produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis, sem o uso de agrot\u00f3xicos, que proporcionem condi\u00e7\u00f5es de vida digna para as popula\u00e7\u00f5es do campo e da cidade.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Texto: Bruno Santiago\/Campanha Nacional em Defesa do Cerrado<\/em><\/p>\n<p><em>Informa\u00e7\u00f5es: Articula\u00e7\u00e3o Tocantinense de Agroecologia<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manifesta\u00e7\u00f5es aconteceram na cidade de Imperatriz (MA) pela manh\u00e3 Nesta sexta-feira (25), povos origin\u00e1rios, comunidades tradicionais, organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais da Articula\u00e7\u00e3o Tocantinense de Agroecologia (ATA) protestaram contra a devasta\u00e7\u00e3o ambiental nos estados do Tocantins e Maranh\u00e3o. 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