{"id":6153,"date":"2021-02-19T18:04:30","date_gmt":"2021-02-19T21:04:30","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/nota-publica-homens-armados-ameacam-familias-na-comunidade-tradicional-taua-em-barra-do-ouro-to\/"},"modified":"2021-02-19T18:04:30","modified_gmt":"2021-02-19T21:04:30","slug":"nota-publica-homens-armados-ameacam-familias-na-comunidade-tradicional-taua-em-barra-do-ouro-to","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/nota-publica-homens-armados-ameacam-familias-na-comunidade-tradicional-taua-em-barra-do-ouro-to\/","title":{"rendered":"Nota P\u00fablica: Homens armados amea\u00e7am fam\u00edlias na comunidade tradicional Tau\u00e1, em Barra do Ouro \u2013 TO"},"content":{"rendered":"<p>A&nbsp;Comiss\u00e3o Pastoral da Terra &#8211; Regional Tocantins divulga nota p\u00fablica denunciando mais amea\u00e7as e viola\u00e7\u00f5es por parte de pistoleiros contra fam\u00edlias da comunidade tradicional Tau\u00e1, no&nbsp;munic\u00edpio de Barra do Ouro (TO). Em t\u00edpica a\u00e7\u00e3o de grilagem, o empres\u00e1rio Em\u00edlio Binotto, pretenso propriet\u00e1rio da \u00e1rea em quest\u00e3o, tem usado artif\u00edcios violentos para impedir as fam\u00edlias tradicionais de regularizarem suas terras.&nbsp;<strong>Leia na \u00edntegra<\/strong>:&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Homens armados amea\u00e7am fam\u00edlias na comunidade tradicional Tau\u00e1, em Barra do Ouro \u2013 TO&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>Nesta quinta-feira (18\/02\/2021), mais uma vez, a comunidade de posseiros tradicionais da comunidade Tau\u00e1, localizada no munic\u00edpio de Barra do Ouro (TO), enfrentou amea\u00e7as por parte de pistoleiros. Dessa vez, tr\u00eas homens armados amea\u00e7aram e intimidaram a fam\u00edlia da principal lideran\u00e7a da regi\u00e3o, Dona Raimunda. Matriarca da comunidade, dona Raimunda \u00e9 conhecida por sua resist\u00eancia contra a grilagem. Ela foi mais uma vez amea\u00e7ada por homens armados que exigiram a paralisa\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o de levantamento de campo para elabora\u00e7\u00e3o do georreferenciamento e do Cadastro Ambiental Rural (CAR) das fam\u00edlias.&nbsp;<\/p>\n<p>O in\u00edcio do trabalho de campo para o georreferenciamento se deu no dia 10 de fevereiro e, no dia seguinte, fiscais da fazenda Binotto, do empres\u00e1rio Em\u00edlio Binotto, tentaram impedir o trabalho t\u00e9cnico, destruindo os marcos colocados na \u00e1rea. N\u00e3o satisfeitos com a primeira press\u00e3o e intimida\u00e7\u00e3o, outros tr\u00eas homens, armados, foram nesta quinta-feira at\u00e9 a casa de Dona Raimunda e abordaram os moradores com tom amea\u00e7ador, exigindo que ela sa\u00edsse de sua casa. Antes de irem embora, exigiram ainda a paralisa\u00e7\u00e3o dos trabalhos do georreferenciamento e CAR, caso contr\u00e1rio haveria \u201cconsequ\u00eancias\u201d para Dona Raimunda e sua comunidade.<\/p>\n<p>As fam\u00edlias registraram boletim de ocorr\u00eancia e est\u00e3o em contato com o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) para tomar as medidas necess\u00e1rias para garantir a sua seguran\u00e7a e a agilidade nos processos de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria das terras das fam\u00edlias posseiras e de assentamento para as fam\u00edlias ocupantes. Do outro lado, desafiando decis\u00f5es judiciais, Em\u00edlio Binotto, pretenso propriet\u00e1rio da \u00e1rea em quest\u00e3o, em t\u00edpica a\u00e7\u00e3o de grilagem, tem usado artif\u00edcios violentos para impedir as fam\u00edlias tradicionais de regularizarem suas terras.&nbsp;<\/p>\n<p>Como Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, Regional Araguaia-Tocantins, vimos primeiramente manifestar nosso apoio e solidariedade \u00e0s fam\u00edlias da comunidade Tau\u00e1. Refor\u00e7ando o apelo dos moradores e moradoras, denunciamos a grilagem de terra e a viol\u00eancia praticada contra a comunidade e cobramos dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos competentes que investiguem com rigor a situa\u00e7\u00e3o, resguardando a seguran\u00e7a das fam\u00edlias e o seu direito \u00e0 terra.&nbsp;<\/p>\n<p><b>Hist\u00f3rico<\/b><\/p>\n<p>A Gleba Tau\u00e1, um grande territ\u00f3rio tradicional do munic\u00edpio de Barra do Ouro (TO), \u00e9 ocupada h\u00e1 mais de 50 anos por fam\u00edlias camponesas. Corresponde \u00e0 uma \u00e1rea matriculada como Terra P\u00fablica da Uni\u00e3o, arrecadada em 1984 pelo Grupo Executivo das Terras do Araguaia-Tocantins (GETAT), totalizando 17.735 mil hectares. Nesta ocasi\u00e3o, um processo de titula\u00e7\u00e3o de terras instaurado registrou apenas parte das \u00e1reas, deixando muitas fam\u00edlias sem acesso \u00e0 titula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde 1992 as fam\u00edlias moradoras v\u00eam sofrendo press\u00f5es e viol\u00eancias, tais como queima de casas, matan\u00e7a de animais, amea\u00e7as de morte, destrui\u00e7\u00e3o de ro\u00e7as, despejos e cercamento pelas lavouras de soja. O desassossego das fam\u00edlias n\u00e3o est\u00e1 relacionado apenas \u00e0 viol\u00eancia f\u00edsica, patrimonial e moral, mas, e fundamentalmente, \u00e0 viol\u00eancia cultural que \u00e9 praticada contra seus modos de vida. Desde a chegada do grileiro Em\u00edlio Binotto na regi\u00e3o, as fam\u00edlias tiveram seus espa\u00e7os sagrados destru\u00eddos e interferidos de forma violenta pela brutal implanta\u00e7\u00e3o da soja, a exemplo dos cemit\u00e9rios e dos c\u00f3rregos que abasteciam a comunidade.&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2016, mesmo ap\u00f3s v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es que comprovaram a grilagem da terra, o juiz da Comarca de Goiatins expediu liminar de despejo contra as fam\u00edlias de posseiros e ocupantes. Em 2019, uma decis\u00e3o da Justi\u00e7a Federal determinou que o Instituto de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (INCRA) desse prosseguimento ao processo administrativo de regulariza\u00e7\u00e3o da posse de quatro fam\u00edlias posseiras, parado desde 2010. Mas, reconheceu tamb\u00e9m ao grileiro o direito de posse de uma das 14 \u00e1reas em lit\u00edgio, sendo essa uma das \u00e1reas onde s\u00e3o estabelecidas as fam\u00edlias ocupantes.<\/p>\n<p>Concretamente, houve avan\u00e7os em favor das comunidades nos processos administrativos e judiciais, mas tais decis\u00f5es tiveram pouco efeito no sentido de garantir a seguran\u00e7a das fam\u00edlias e de impedir a destrui\u00e7\u00e3o ambiental do territ\u00f3rio da Tau\u00e1. Atualmente, mais de 100 fam\u00edlias vivem neste territ\u00f3rio, entre camponeses posseiros, sem-terra e camponeses tradicionais que reivindicam a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, a reforma agr\u00e1ria e terras tituladas.<\/p>\n<p>Aragua\u00edna, 19 de fevereiro de 2021<\/p>\n<p><b>Comiss\u00e3o Pastoral da Terra &#8211; Regional Tocantins<\/b><\/p>\n<hr \/>\n<p>Foto: Thomas Bauer\/CPT<\/p>\n<p>V\u00eddeo: Gustavo Ohara\/CPT Tocantins<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A&nbsp;Comiss\u00e3o Pastoral da Terra &#8211; Regional Tocantins divulga nota p\u00fablica denunciando mais amea\u00e7as e viola\u00e7\u00f5es por parte de pistoleiros contra fam\u00edlias da comunidade tradicional Tau\u00e1, no&nbsp;munic\u00edpio de Barra do Ouro (TO). 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