{"id":6163,"date":"2021-03-10T12:20:13","date_gmt":"2021-03-10T15:20:13","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/a-horta-agroecologica-da-emilia-qualidade-de-vida-e-autonomia-da-mulher\/"},"modified":"2021-03-10T12:20:13","modified_gmt":"2021-03-10T15:20:13","slug":"a-horta-agroecologica-da-emilia-qualidade-de-vida-e-autonomia-da-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/a-horta-agroecologica-da-emilia-qualidade-de-vida-e-autonomia-da-mulher\/","title":{"rendered":"A horta agroecol\u00f3gica de Em\u00edlia: qualidade de vida e autonomia da mulher"},"content":{"rendered":"<p><iframe width=\"560\" height=\"315\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EX5FrraL1dg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" data-load-mode=\"0\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Em\u00edlia Alves da Silva Rodrigues<\/strong> vive h\u00e1 46 anos na cidade de S\u00e3o Miguel do Tocantins, que fica na regi\u00e3o do Bico do Papagaio, no extremo norte do estado do Tocantins. Desde que chegou, em 1971, viu muita coisa mudar onde ela mora. Logo no in\u00edcio, era praticamente tudo mata virgem, n\u00e3o tinha capoeira e as fam\u00edlias que por l\u00e1 chegavam faziam casas e ro\u00e7as onde achavam melhor.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o tempo foi passando e as coisas foram se complicando, porque a \u00e1rea come\u00e7ou a ser \u201cterra de dono\u201d, que muitas vezes n\u00e3o deixava quem j\u00e1 estava no local antes de continuar a trabalhar e viver. Muitas fam\u00edlias, inclusive a de Dona Em\u00edlia, chegaram a ser expulsas da regi\u00e3o e tiveram que passar at\u00e9 dois anos foram daquela terra. Mas depois de muita luta e esperan\u00e7a, em 1988, foi criado o Projeto de Assentamento Pontal, que hoje \u00e9 local de moraria, motivo de orgulho e garantia de produ\u00e7\u00e3o para 27 fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Vi\u00fava h\u00e1 3 anos e como todos os filhos e netos criados, Dona Em\u00edlia vive hoje na companhia de uma de suas netas e tira o seu sustento de dentro do pr\u00f3prio quintal. Com muita disposi\u00e7\u00e3o, ela trabalha dia e noite quebrando coco baba\u00e7u, criando galinhas e cuidando com carinho da sua horta. Mas a horta da Dona Em\u00edlia n\u00e3o \u00e9 uma horta qualquer. \u00c9 uma horta agroecol\u00f3gica!<\/p>\n<p>Foi com a ajuda da APA-TO (Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins) que a Em\u00edlia come\u00e7ou a trabalhar com a agroecologia e, hoje em dia, ela n\u00e3o troca isso por nada. Para ela, trabalhar a terra, reconhecer sua identidade de agricultora agroecol\u00f3gica, \u00e9 algo que traz muita dignidade.<\/p>\n<p>\u201cAgroecologia \u00e9 uma escola. Cada dia que voc\u00ea trabalha, voc\u00ea aprende\u201d, disse Dona Em\u00edlia. E bota aprendizado nisso. Antes, ela costumava usar adubo qu\u00edmico para ajudar as hortali\u00e7as a descerem, mas foi percebendo que o efeito era muito tempor\u00e1rio e, ainda por cima, ia transformando a terra em p\u00f3. Hoje Dona Em\u00edlia sabe que \u00e9 muito melhor usar adubos naturais, como o esterco de gado, galinha e de palmeira.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/www.apato.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/FeminismoNaPr\u00e1tica-4-530x353.jpg\" alt=\"\" width=\"397\" height=\"264\" style=\"--smush-placeholder-width: 397px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 397\/264;margin: 15px; float: left;\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/p>\n<p>Com eles, as plantas crescem fortes e o solo fica escuro, fofinho o tempo inteiro, al\u00e9m de ter a certeza que seus alimentos n\u00e3o est\u00e3o sendo contaminados com veneno. Sem o solo sadio, o cheiro verde, o quiabo, a ab\u00f3bora, o coentro, a cebolinha, a couve, o tomate, o gengibre e a pimenta da horta da em\u00edlia n\u00e3o conseguiriam se desenvolver bem. Por isso, al\u00e9m de se preocupar com o adubo que coloca nos canteiros, a Dona Em\u00edlia tamb\u00e9m aproveita as folhagens das \u00e1rvores que tem no quintal para fazer a cobertura da terra. Al\u00e9m de tamb\u00e9m ajudar o solo a ir recuperando seus nutrientes, a cobertura mant\u00e9m a umidade por mais tempo.<\/p>\n<p>Um exemplo disso \u00e9 o cultivo da cebolinha, que antes n\u00e3o podia passar um dia sem ser regado que j\u00e1 sofria muito, e hoje em dia, com a ajuda das folhagens, pode aguentar at\u00e9 3 dias com a mesma rega. E n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 esses os benef\u00edcios de fazer a cobertura dos canteiros. Dona Em\u00edlia foi percebendo tamb\u00e9m que, com a folhagem na terra, o mato n\u00e3o cresce em volta dos cultivos e isso fez com que ela ganhasse at\u00e9 mais tempo para se dedicar a outras atividades, j\u00e1 que n\u00e3o precisa mais capinar os canteiros.<\/p>\n<p>Sem d\u00favidas, a horta agroecol\u00f3gica da Em\u00edlia trouxe muita qualidade de vida para ela e para sua fam\u00edlia. Al\u00e9m de consumir um alimento sadio e de qualidade, ela ainda consegue vender seus produtos na feira da cidade, o que leva sa\u00fade tamb\u00e9m para outras fam\u00edlias e garante o trocadinho do m\u00eas no bolso da Dona Em\u00edlia.<\/p>\n<p>E n\u00e3o foi s\u00f3 na renda e na sa\u00fade que a horta fez diferen\u00e7a. Trabalhar com as hortali\u00e7as trouxe tamb\u00e9m para a Em\u00edlia algo que n\u00e3o tem pre\u00e7o: a autonomia! Foi com o trabalho na terra que ela foi se tornando cada vez mais livre, foi aprendendo a se virar e, com o dinheirinho que junta, n\u00e3o depende de ningu\u00e9m. Para ela, ser mulher aut\u00f4noma, que faz a sua renda, que vive a sua vida, que n\u00e3o precisa dar satisfa\u00e7\u00e3o para ningu\u00e9m, \u00e9 bom demais.&nbsp;E com muita firmeza ela diz: \u201cDepois que eu comecei a trabalhar, eu renasci\u201d.<\/p>\n<p>A horta agroecol\u00f3gica foi t\u00e3o marcante para a vida da Dona Em\u00edlia que ela sonha em desenvolver seus cultivos cada vez mais, sempre pensando no bem-estar da sua fam\u00edlia e da sua comunidade, pela qual ela sente um carinho muito especial. E ela com certeza j\u00e1 est\u00e1 realizando esse sonho, uma vez que, a partir da sua experi\u00eancia, mais 4 fam\u00edlias do projeto de assentamento come\u00e7aram a produzir em seus pr\u00f3prios quintais. E \u00e9 assim, de pouco em pouco, com pessoas inspirando pessoas, sempre com muita for\u00e7a e esperan\u00e7a, que devemos seguir, buscando sempre correr atr\u00e1s dos nossos sonhos e fazer do mundo um lugar melhor para todos e todas.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Texto: Clara Mabeli\/APA-TO<\/p>\n<p>Produ\u00e7\u00e3o: <a href=\"http:\/\/www.apato.org.br\/a-horta-agroecologica-da-emilia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">APA-TO &#8211; Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins<\/a> &#8211; Webs\u00e9rie Agroecologia em Rede no Bico do Papagaio<\/p>\n<p><strong>Conhe\u00e7a e acompanhe o trabalho da APA-TO:<\/strong>&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.apato.org.br\/\">http:\/\/www.apato.org.br\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em\u00edlia Alves da Silva Rodrigues vive h\u00e1 46 anos na cidade de S\u00e3o Miguel do Tocantins, que fica na regi\u00e3o do Bico do Papagaio, no extremo norte do estado do Tocantins. 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