{"id":6176,"date":"2021-04-22T16:43:25","date_gmt":"2021-04-22T19:43:25","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/povos-indigenas-do-cerrado-territorialidades-e-modos-de-vida-cercados-pela-fronteira-permanente\/"},"modified":"2021-04-22T16:43:25","modified_gmt":"2021-04-22T19:43:25","slug":"povos-indigenas-do-cerrado-territorialidades-e-modos-de-vida-cercados-pela-fronteira-permanente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/povos-indigenas-do-cerrado-territorialidades-e-modos-de-vida-cercados-pela-fronteira-permanente\/","title":{"rendered":"Povos Ind\u00edgenas do Cerrado: Territorialidades e modos de vida cercados pela fronteira permanente"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Marcela Vecchione, Antonio Verissimo da Concei\u00e7\u00e3o, Laudovina Aparecida Pereira e Roberto Antonio Liebgott<\/strong><\/p>\n<p>Na toada do marac\u00e1, o tempo de habitar e viver n\u00e3o tem tempo marcado para acontecer. Acontece ao longo dos s\u00e9culos, de um lugar a outro, embalado na rela\u00e7\u00e3o entre os parentes J\u00ea, e entre os parentes Tupi<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><sup><sup>[1]<\/sup><\/sup><\/a>, no caminho \u00e0 margem do rio, nas veredas vazadas em tempo de ver\u00e3o na plan\u00edcie, levando a campos e sert\u00f5es, envolvidos por serras e chapadas. Caminhos que se constru\u00edram em estradas de \u00e1rvores plantadas ou deixadas a crescer, sombreando e marcando o tr\u00e2nsito para as ro\u00e7as, enquanto outras foram transformadas em toco, cuidadosamente queimadas para dar for\u00e7a \u00e0s ra\u00edzes, palmeiras, frutos e arbustos para ser alimento, moradia, ritual.<\/p>\n<p>S\u00e3o elementos essenciais para a autonomia e soberania ind\u00edgena sobre suas vidas. Impressas no ritmo dos tempos estudados e praticados na troca de povo com povo \u2014 e tamb\u00e9m na briga entre povos, embora em alian\u00e7a com a constru\u00e7\u00e3o da paisagem. Ensinados e aprendidos de fam\u00edlia a fam\u00edlia; de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o. Parentesco ativo e vocacionado nos encontros e assembleias: \u201c<em>Boa noite, parenta e parente (&#8230;) Resistimos e Existimos, parentas!<\/em>\u201d O chamado dos povos tem afeto e compromisso de prote\u00e7\u00e3o no presente com o que esteve no passado. Hist\u00f3ria permanecendo no agora para ser futuro soberano e coletivo por meio de luta.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>No toque da resist\u00eancia para permanecer na terra, povos ind\u00edgenas que vivem e cultivam a diversidade do Cerrado mostram que os anos de exist\u00eancia por esse territ\u00f3rio t\u00e3o rico e belo, al\u00e9m de serem de conviv\u00eancia, s\u00e3o pr\u00e1ticas ativas de cultivo e cuidado com a paisagem. Ainda que, muitas vezes, estes povos estivessem em condi\u00e7\u00e3o de ex\u00edlio de seus lugares de partida e surgimento, o ref\u00fagio em outros lugares acabou cultivando culturas de insurg\u00eancia para permanecer o povo, as sementes e a comida, muito embora em situa\u00e7\u00f5es tr\u00e1gicas de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos anos de ci\u00eancia do territ\u00f3rio que contribuem para que o Cerrado, ou melhor dizendo os cerrados, existissem e se constru\u00edssem como paisagens diversas. Por isso mesmo, \u00e9 dif\u00edcil confinar os fazeres e os saberes dos povos ind\u00edgenas e seus territ\u00f3rios de exist\u00eancia a pequenos espa\u00e7os, muitas vezes, ainda nem demarcados, j\u00e1 que nem 40% das Terras Ind\u00edgenas (TIs) autodeterminadas no Cerrado s\u00e3o sequer declaradas pelo poder p\u00fablico. Ou ainda, quando o s\u00e3o, encontram-se encurraladas por atividades econ\u00f4micas que impedem as possibilidades diversas de exist\u00eancia nessas terras tradicionalmente ocupadas<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\"><sup><sup>[2]<\/sup><\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>A reviv\u00eancia desse processo excludente e de apagamento remonta ao s\u00e9culo XVIII, quando avan\u00e7aram violenta e rapidamente a coloniza\u00e7\u00e3o e as chamadas <em>entradas<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\"><sup><strong><sup>[3]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a><\/em> pela grande bacia hidrogr\u00e1fica integrada que comp\u00f5e os rios Araguaia e Tocantins. As entradas seguiram o ciclo de interioriza\u00e7\u00e3o da coloniza\u00e7\u00e3o pelo Brasil Central, primeiro pelo rio Araguaia, navegando pelos afluentes at\u00e9 onde poss\u00edvel, depois adentrando suas espraiadas v\u00e1rzeas a p\u00e9, utilizando as estradas de varadouro e as picadas de terra firme dos ind\u00edgenas, e os encontrando quando ali faziam morada num territ\u00f3rio de muitos tr\u00e2nsitos e, portanto, mais extensivo e n\u00e3o t\u00e3o delimitado como s\u00e3o as Terras Ind\u00edgenas atualmente.<\/p>\n<p>Ainda no s\u00e9culo XVIII, ind\u00edgenas Akro\u00e1 Gamela e Aw\u00e1 Guaj\u00e1, que hoje habitam a por\u00e7\u00e3o mais setentrional de transi\u00e7\u00e3o do Cerrado \u00e0 Amaz\u00f4nia Oriental foram deslocados violentamente, sendo muitos deles escravizados. Tanto os Akro\u00e1 Gamela como os Aw\u00e1 Guaj\u00e1<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\"><sup><sup>[4]<\/sup><\/sup><\/a>, parte do tronco Macro-Tupi, fizeram-se valer de estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia, co-habitando territ\u00f3rios com outros povos, inclusive de outros troncos e fam\u00edlias lingu\u00edsticas, para resistir nas frestas do que estava sendo o \u201cpovoamento\u201d dos brancos no Brasil Central pelos colonizadores. Em algumas situa\u00e7\u00f5es, como ocorreu com os Gamela, esse \u201cpovoamento\u201d branco, eliminando outros povos para se apropriar e extrair tudo o que se podia, inclusive trabalho, dos territ\u00f3rios, levou \u00e0 perda da l\u00edngua ou ao ex\u00edlio, falsamente colocado como escolhido, a que se chama hoje volunt\u00e1rio, causado pela nega\u00e7\u00e3o a sucumbir \u00e0s brutais frentes de atra\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\"><sup><sup>[5]<\/sup><\/sup><\/a>. Esconder-se se movendo para outros lugares, apagar-se deliberadamente como povo em um determinado momento, foi a forma encontrada para se manter enquanto povo ao longo dos tempos, no futuro. Neste sentido, partiu-se para continuar a ser.<\/p>\n<p>Os Akro\u00e1 Gamela, devido \u00e0s v\u00e1rias viol\u00eancias citadas, foram criando estrat\u00e9gias de miscigena\u00e7\u00e3o com povos J\u00ea das chapadas centrais do que hoje conhecemos como Maranh\u00e3o e Tocantins, como \u00e9 o caso daqueles da fam\u00edlia Timbira, tendo misturado suas l\u00ednguas a fim de resistir \u00e0 escraviza\u00e7\u00e3o e a seu apagamento enquanto povo, especialmente no que hoje \u00e9 o Sul do Piau\u00ed. Mais contemporaneamente, no s\u00e9culo XX, uma parte desse povo tamb\u00e9m passou a habitar \u00e1rea de intenso conflito na baixada maranhense, nos munic\u00edpios de Viana e Matinha. No Cerrado piauiense, buscam (re)existir no mun\u00edcipio de Santa Filomena. J\u00e1 os Aw\u00e1 Guaj\u00e1 permaneceram no manejo da l\u00edngua Macro-Tupi, exilando-se e isolando-se, em parcerias constru\u00eddas com os ind\u00edgenas da fam\u00edlia Tenetehara, tais como Guajajara e Temb\u00e9, al\u00e9m de que com o povo Ka\u2019apor, habitando a leste do rio Gurupi, no Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Com os Av\u00e1-Canoeiro, havendo hoje um subgrupo desse povo considerado como de recente contato, a dispers\u00e3o do Leste do Goi\u00e1s e das chapadas mais ao meio do Brasil Central, significou busca por sobreviv\u00eancia. Originalmente, deslocados da cabeceira do rio Tocantins, no Goi\u00e1s, rumo ao Araguaia, os Av\u00e1-Canoeiro foram acometidos por processos de aldeamentos for\u00e7ados, de guerras entre povos provocadas pelos colonizadores, e de priva\u00e7\u00e3o de suas pr\u00e1ticas de coleta e ca\u00e7a ou de agricultura. Esse tipo de \u201cex\u00edlio\u201d se reproduziu entre muitos dos povos Tupi no Cerrado (conhecidos como parte do fluxo Tupi-Guarani Norte). Parte deles teve que se isolar para n\u00e3o ser (ex)terminados ou pedir ref\u00fagio nas terras de outros parentes Tupi, por vezes entrando em processos de tr\u00e9gua e utiliza\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os territoriais com antigos inimigos J\u00ea.&nbsp;<\/p>\n<p>O triste e violento epis\u00f3dio continuado de exterm\u00ednio dos Av\u00e1-Canoeiro retrata uma fragmenta\u00e7\u00e3o causada no seio deste povo Tupi, come\u00e7ando no s\u00e9culo XVIII, quando chegaram a se mover em busca de ref\u00fagio para vida aut\u00f4noma at\u00e9 o Norte de Minas Gerais. O exterm\u00ednio se acirrou na segunda metade do s\u00e9culo XIX, tomando outro corpo de viol\u00eancia pelo Estado, e acelerando na segunda metade do s\u00e9culo XX. A peregrina\u00e7\u00e3o, em seu in\u00edcio no s\u00e9culo XVIII, foi marcada pela press\u00e3o sofrida pelas frentes colonizadoras do Goi\u00e1s na cabeceira do rio Tocantins. Diante disso, esse povo passou a trilhar seu longo caminho de tr\u00e2nsito por deslocamento rio abaixo, pois preferiam a morte a serem aldeados. No final do s\u00e9culo XIX, os \u201cpioneiros\u201d passaram a usar os Java\u00e9 (tronco J\u00ea) para capturar e colocar em cativeiro os Av\u00e1-Canoeiro. At\u00e9 ent\u00e3o, esses dois povos eram inimigos, mas viviam em relativa harmonia, revezando-se na habita\u00e7\u00e3o e cultivo das v\u00e1rzeas dos rios Tocantins e Araguaia. N\u00e3o havia movimento de domina\u00e7\u00e3o de um sobre o outro.<\/p>\n<p>Neste momento, uma parte dos Av\u00e1-Canoeiro se negou ao dom\u00ednio dos Java\u00e9, em grande medida manipulados pelos bandeirantes, e voltou \u00e0s cabeceiras do Tocantins. Outra parte adotou a estrat\u00e9gia de seguir e viver no territ\u00f3rio Java\u00e9 e Karaj\u00e1s, j\u00e1 negociado por esses povos com os bandeirantes, na Ilha do Bananal, em parte do que hoje conforma o Parque Ind\u00edgena do Araguaia, e seguem lutando ao lado desses povos hoje na defesa da ilha como territ\u00f3rio tradicional compartilhado. Infelizmente, aqueles que voltaram \u00e0s cabeceiras do rio Tocantins, foram atingidos na d\u00e9cada de 1990 pela inunda\u00e7\u00e3o de sua \u00e1rea ocasionada pelo complexo hidrel\u00e9trico da Serra das Mesas. Ficaram com um territ\u00f3rio (original) alagado pelo avan\u00e7o da fronteira hidrel\u00e9trica. Os que foram para o Araguaia e come\u00e7aram a compartilhar o territ\u00f3rio nos interst\u00edcios do rio Formoso na d\u00e9cada de 1990, resistiram em um pequeno n\u00facleo familiar, que se tornou tril\u00edngue, dominando tamb\u00e9m a l\u00edngua dos parente J\u00ea \u2013 Java\u00e9, Karaj\u00e1s e Kraho-Kanela \u2013, criando estrat\u00e9gias de ca\u00e7a e coleta e de rela\u00e7\u00f5es inter\u00e9tnicas para poderem sobreviver. Como acreditavam que poderiam voltar \u00e0 terra original em sonhos ou em sua morte, a estrat\u00e9gia parecia uma forma de continuarem vivendo no presente, imaginando os futuros ao movimentar lugares sagrados por seus tr\u00e2nsitos de resist\u00eancia e perman\u00eancia, levando-os a novos lugares, na luta pelo reconhecimento de uma terra sua. Esta luta foi conquistada no processo de identifica\u00e7\u00e3o da TI Taego \u00c3wa<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\"><sup><sup>[6]<\/sup><\/sup><\/a>, na \u00e1rea de ocupa\u00e7\u00e3o tradicional Mata Azul, em Formoso do Araguaia (TO). A terra, declarada em 2016, seguiu \u00e0 homologa\u00e7\u00e3o por determina\u00e7\u00e3o judicial, dada a situa\u00e7\u00e3o de calamidade no que tange \u00e0 soberania alimentar, enfrentada por esse povo ind\u00edgena em 2018. Desde ent\u00e3o, o processo no Supremo Tribunal Federal est\u00e1 suspenso.<\/p>\n<p>A disputa que impede a TI Taego \u00c3wa de ser finalmente homologada envolve, justamente, uma das maiores \u00e1reas de plan\u00edcie alagada do mundo, compondo o maior<\/p>\n<p>conjunto de v\u00e1rzeas fluviais cont\u00ednuas existentes no planeta, que \u00e9 a Ilha do Bananal. A \u00e1rea a ser homologada compreende ocupa\u00e7\u00e3o de posseiros m\u00e9dios, enviados por grandes fazendeiros pecuaristas para a ilha, que hoje j\u00e1 tem quase 120 mil cabe\u00e7as de gado nas pastagens naturalmente alagadas, comprometendo seus usos e manejo para outros fins, bem como contaminando as v\u00e1rzeas cont\u00ednuas.<\/p>\n<p>Os pecuaristas alegam que os Av\u00e1-Canoeiro<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\"><sup><sup>[7]<\/sup><\/sup><\/a> n\u00e3o s\u00e3o dali e que ali chegaram trazendo outros parentes do rio Tocantins, nos anos 2000. O que os pecuaristas querem ignorar \u00e9 o ex\u00edlio cont\u00ednuo e constante desse povo por outras terras, habitando grutas, escondendo-se em cavernas \u2014 por isso, adaptaram-se \u00e0s chapadas dos cerrados \u2014 e comprometendo sua alimenta\u00e7\u00e3o pela impossibilidade da reprodu\u00e7\u00e3o de seus modos de vida. Esse deslocamento-sobreviv\u00eancia os levou, ainda na d\u00e9cada de 1980, para o Nordeste da Ilha do Bananal, mais pr\u00f3ximo ao Sul do Par\u00e1, ou por vezes compartilhando territ\u00f3rio com os Suru\u00ed (Aikewara) ou os Assurini do rio Tocantins tamb\u00e9m neste estado, mostrando-se ex\u00edmios caminhantes e canoeiros da transi\u00e7\u00e3o do Cerrado rumo \u00e0 Amaz\u00f4nia. Ou seja, os Av\u00e1-Canoeiro (sobre)vivem \u00e0s\/nas fronteiras, enquanto se refugiaram em dire\u00e7\u00e3o oposta ao seu avan\u00e7o, ou rumo a espa\u00e7os ora esquecidos, mesmo que momentaneamente, pela brutalidade que marca os deslocamentos pela fronteira<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\"><sup><sup>[8]<\/sup><\/sup><\/a>, manejando o espa\u00e7o e o tempo a seu favor sempre que poss\u00edvel.<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\"><sup><sup>[1]<\/sup><\/sup><\/a> O Macro J\u00ea e o Tupi s\u00e3o troncos lingu\u00edsticos onde se inserem algumas das mais de 250 l\u00ednguas ind\u00edgenas que existem no Brasil.&nbsp; Um tronco \u00e9 como se fosse o latim para o portugu\u00eas ou para o espanhol, ou seja, de um tronco podem sair v\u00e1rios ramos, que s\u00e3o as fam\u00edlias, que agrupam as l\u00ednguas ind\u00edgenas. No Cerrado, os povos J\u00ea, do tronco Macro J\u00ea, s\u00e3o a predomin\u00e2ncia demogr\u00e1fica e lingu\u00edstica da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\"><sup><sup>[2]<\/sup><\/sup><\/a> As terras tradicionalmente ocupadas s\u00e3o aquelas ocupadas pelos Povos Ind\u00edgenas que se autodeterminam enquanto tais e que, portanto, autodeterminam quais s\u00e3o as suas terras. O Art. 231 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal reconhece estas terras como direito origin\u00e1rio, competindo aos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis apenas a caracter\u00edstica declarat\u00f3ria desse reconhecimento, n\u00e3o sua determina\u00e7\u00e3o e defini\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\"><sup><sup>[3]<\/sup><\/sup><\/a> As entradas foram formas de coloniza\u00e7\u00e3o, aldeamentos e contatos.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\"><sup><sup>[4]<\/sup><\/sup><\/a> Parte do tronco Macro-Tupi, os Akro\u00e1 Gamela e o Aw\u00e1 Guaj\u00e1 eram um dos povos mais numerosos do que passou a se chamar a Fronteira Araguaia-Tocantins nas frentes de expans\u00e3o ainda no s\u00e9culo XVIII. Historicamente, colocam-se ambos como parte da fam\u00edlia Tupi.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\"><sup><sup>[5]<\/sup><\/sup><\/a> As frentes de atra\u00e7\u00e3o ocorreram durante todo o s\u00e9culo XVIII e XIX e foram imprescind\u00edveis para as frentes de expans\u00e3o se consolidarem territorialmente, usurpando o trabalho dos povos ind\u00edgenas. Neste movimento, os colonizadores, pelas bandeiras, atra\u00edam os ind\u00edgenas das cabeceiras dos rios e dos interiores para descer o curso do rio (descidas), em combina\u00e7\u00e3o com o processo de adentrar o territ\u00f3rio (entradas), com negocia\u00e7\u00f5es que, muitas vezes, envolviam povos rivais e a a\u00e7\u00e3o de catequizadores. Assim, aldeavam os ind\u00edgenas e os escravizavam, quando n\u00e3o os assassinavam, incorporando-os \u00e0 empresa colonial, seja no momento imperial ou republicano. Faziam isso, especialmente, quando impediam os tr\u00e2nsitos e as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais ind\u00edgenas, que n\u00e3o eram de fixidez, impedindo, consequentemente, sua reprodu\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\"><sup><sup>[6]<\/sup><\/sup><\/a> Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre a demarca\u00e7\u00e3o da TI Taego \u00c3wa, ver: Luciana Ferraz. Relat\u00f3rio ambiental da Terra Ind\u00edgena Taego \u00c3wa. Bras\u00edlia: Funai, 2012.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\"><sup><sup>[7]<\/sup><\/sup><\/a> Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre os grupos Av\u00e1-Canoeiro e seus tr\u00e2nsitos, ver relat\u00f3rio do processo de identifica\u00e7\u00e3o da TI: Patr\u00edcia de Mendon\u00e7a Rodrigues. Os Av\u00e1-Canoeiro do Araguaia e o Tempo do Cativeiro. Anu\u00e1rio Antropol\u00f3gico. 19 de fevereiro de 2018. Dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/anuarioantropologico\/article\/view\/6875#:~:text=Depois%20de%20d%C3%A9cadas%20de%20massacres,FUNAI%20em%201973%20e%201974\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\"><sup><sup>[8]<\/sup><\/sup><\/a> Esse tipo de deslocamento \u00e9 a marca da grande fam\u00edlia Tupi-Guarani, que dominava a costa Atl\u00e2ntica quando esta foi invadida pelos portugueses. Os povos dessa fam\u00edlia foram se refugiando desde esses contatos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcela Vecchione, Antonio Verissimo da Concei\u00e7\u00e3o, Laudovina Aparecida Pereira e Roberto Antonio Liebgott Na toada do marac\u00e1, o tempo de habitar e viver n\u00e3o tem tempo marcado para acontecer. Acontece ao longo dos s\u00e9culos, de um lugar a outro, embalado na rela\u00e7\u00e3o entre os parentes J\u00ea, e entre os parentes Tupi[1], no caminho \u00e0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-6176","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6176"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6176\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}