{"id":6177,"date":"2021-04-24T18:13:08","date_gmt":"2021-04-24T21:13:08","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/povos-indigenas-permanecendo-em-alianca-nas-fronteiras-construidas-sobre-o-cerrado\/"},"modified":"2021-04-24T18:13:08","modified_gmt":"2021-04-24T21:13:08","slug":"povos-indigenas-permanecendo-em-alianca-nas-fronteiras-construidas-sobre-o-cerrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/povos-indigenas-permanecendo-em-alianca-nas-fronteiras-construidas-sobre-o-cerrado\/","title":{"rendered":"Povos ind\u00edgenas permanecendo em alian\u00e7a nas fronteiras constru\u00eddas sobre o Cerrado"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Marcela Vecchione, Antonio Verissimo da Concei\u00e7\u00e3o, Laudovina Aparecida Pereira e Roberto Antonio Liebgott<\/strong><\/p>\n<p>Em tempos de amea\u00e7as praticadas pela press\u00e3o de marcos temporais<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><sup><sup>[1]<\/sup><\/sup><\/a> criados e negociados vorazmente por setores do hidro-agro-minero-neg\u00f3cio, a brutalidade para limitar ou integrar os territ\u00f3rios de vidas ind\u00edgenas a circuitos de produ\u00e7\u00e3o e escoamento segue ocorrendo, como sempre foi no Cerrado desde o s\u00e9culo XVIII. Estes setores, decerto, n\u00e3o aderiram \u00e0 quarentena. C\u00e9lia Xakriab\u00e1, lideran\u00e7a do povo Xakriab\u00e1 no Norte de Minas Gerais, chama aten\u00e7\u00e3o a que os avan\u00e7os econ\u00f4micos s\u00e3o de \u201cmonocultura\u00e7\u00e3o\u201d do territ\u00f3rio, do corpo e do esp\u00edrito, adoecendo os povos, e impedindo sua diversidade de viver, o que compromete a sobreviv\u00eancia do e no Cerrado. \u201c<em>Somos ra\u00edzes, mas, principalmente somos sementes<\/em>\u201d, diz C\u00e9lia, que tamb\u00e9m \u00e9 da Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (APIB). O impedimento de que a sobreviv\u00eancia consorciada ao \u2018sementear\u2019 dos povos ind\u00edgenas no Cerrado seja exercitada compromete planos de vida, impedindo que este continue a ser sociobiodiverso.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Tocando e entoando a sociobiodiversidade do Cerrado, Elza Xerente, lideran\u00e7a do povo Xerente no Tocantins, denuncia o apagamento das pluralidades do existir de seu e outros povos do Brasil Central, falando forte, ao chacoalhar o esp\u00edrito: \u201c<em>est\u00e3o matando o povo, o rio, os bichos; est\u00e1 tudo secando (&#8230;) est\u00e3o matando a gente.<\/em>\u201d Essa morte matada se repete em epis\u00f3dios de genoc\u00eddio cont\u00ednuos<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\"><sup><sup>[2]<\/sup><\/sup><\/a>, como os esbulhos e usurpa\u00e7\u00f5es dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas no Brasil Central descritos anteriormente. O processo colonizat\u00f3rio fez aldeamentos e estimulou guerras entre povos rivais, impondo-se aos arranjos diplom\u00e1ticos j\u00e1 existentes entre esses povos para se espalharem, ocuparem e se relacionarem com e nas v\u00e1rias paisagens do Cerrado a fim de continuar convivendo. As trocas de sementes, que envolvem troca de fazeres da lida com a terra e as \u00e1guas, de utens\u00edlios, e a constru\u00e7\u00e3o de extensas redes de parentesco marcando a dominialidade vivida dessas paisagens, constituindo-as, foi e ainda \u00e9, em menor escala, marca do processo de conviv\u00eancia intercultural no Cerrado.<\/p>\n<p>Nessa imensa regi\u00e3o macroecol\u00f3gica que domina o Brasil Central, tamb\u00e9m predominam o tronco lingu\u00edstico Macro J\u00ea e os muitos povos ind\u00edgenas que se relacionam, e se diferenciam, pelo diferente manejo desse tronco t\u00e3o ligado aos conhecimentos da terra e \u00e0s palavras-verbo que denotam a rela\u00e7\u00e3o com ela. A coloniza\u00e7\u00e3o acabou trazendo possibilidades de alian\u00e7a com os povos do tronco Macro-Tupi. O povo Xerente de Elza, autodenominado Ak\u2019we, faz parte da grande fam\u00edlia J\u00ea Central, parentes pr\u00f3ximos dos Xakriab\u00e1, povo de C\u00e9lia, que habita a conex\u00e3o entre o Cerrado e a Caatinga, e os Xavante, muito presentes no Nordeste do estado do Mato Grosso, onde se desenha a transi\u00e7\u00e3o com a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>As hist\u00f3rias de resist\u00eancia e perman\u00eancia dos povos J\u00ea e Tupi-Guarani no Brasil Central t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o muito forte com as frentes de expans\u00e3o e como os \u201cbrancos\u201d \u2014 a Coroa Portuguesa, a Rep\u00fablica e o Estado, ditatorial ou democr\u00e1tico de direito, e o capital transnacional \u2014 foram transformando esse espa\u00e7o em sua zona de explora\u00e7\u00e3o, gerando espolia\u00e7\u00e3o e intensa acumula\u00e7\u00e3o, \u00e0 medida que \u2014 e necessariamente porqu\u00ea \u2014 desumanizavam esses povos, desqualificando seus modos de existir. A \u2018fronteira\u2019 agr\u00edcola expandiu ao passo que dividiu povos, terras e tentou for\u00e7osamente descontinuar paisagens onde as rela\u00e7\u00f5es se davam, zoneando-as na expans\u00e3o econ\u00f4mica e f\u00edsica com base em racismo e colonialidade.<\/p>\n<p>De outra forma, mas, sob as mesmas bases, a fronteira se reinventa e continua secando rios e matando povos, como nos conta Celia Xakriab\u00e1: \u201c<em>N\u00f3s precisamos \u00e9 queimar o racismo, n\u00f3s precisamos \u00e9 queimar o fascismo porque isso, sim, \u00e9 a fronteira. A fronteira n\u00e3o \u00e9 exatamente do Cerrado para outros biomas. A fronteira \u00e9 o racismo ambiental, a fronteira \u00e9 o racismo que continua amputando, arrancando nossos corpos. A fronteira \u00e9 aquela que diz que os povos ind\u00edgenas est\u00e3o se tornando mais humanos, mas, s\u00f3 sabe ser humano quem sabe ser bicho, quem sabe ser semente, quem sabe ser Cerrado.<\/em>\u201d<\/p>\n<p><strong>Territorialidade cercada e degradada: a r-exist\u00eancia dos Xerente<\/strong><\/p>\n<p>Essa fronteira, que seca a vida e afeta os povos, limita os Xerente desde que foram contactados nos anos 1940, uma d\u00e9cada de intensa coloniza\u00e7\u00e3o do Cerrado, quando o Sistema de Prote\u00e7\u00e3o ao \u00cdndio (SPI) era o \u00f3rg\u00e3o do Estado brasileiro respons\u00e1vel por \u2018integrar\u2019 os ind\u00edgenas. O objetivo era \u2018marchar\u2019 numa grande expedi\u00e7\u00e3o rumo ao Oeste do Brasil, levando \u2018progresso\u2019 e estrutura para as antigas sesmarias serem novos latif\u00fandios agroexportadores, e liberando \u00e1reas para planejar a moderniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola aliada ao \u2018povoamento\u2019 do pa\u00eds. Desde essa \u00e9poca, a terra nunca mais foi a mesma para os Ak\u2019we Xerente que j\u00e1 povoavam intensamente a margem direita do rio Tocantins.<\/p>\n<p>At\u00e9 os anos 1980, eles sofreram com a dizima\u00e7\u00e3o do povo por causa de epidemias de gripe. As terras e os rios come\u00e7am a \u2018secar\u2019 mais intensamente, como aponta Elza, muito por causa do que foram fazendo ao Cerrado. Em 1972, \u00e9 decretada a \u201c\u00c1rea Grande\u201d dos Xerente, pelo Estado brasileiro, embora bastante degradada. Contudo, quando em 1988, o Norte do estado do Goi\u00e1s se transforma em estado do Tocantins, muitos munic\u00edpios v\u00e3o se formando ao redor do territ\u00f3rio Xerente, cortando a \u00e1rea grande, j\u00e1 muito prejudicada, e pressionando seus modos de vida, especialmente pela constru\u00e7\u00e3o de estradas para integrar os novos munic\u00edpios, e suas produ\u00e7\u00f5es, \u00e0 capital, Palmas. As estradas passaram a cortar a Terra Ind\u00edgena e a produzir imensos problemas para as comunidades que, em 1992, tiveram outra \u00e1rea demarcada e reconhecida, a Terra Ind\u00edgena Funil, sem ser em contiguidade \u00e0 antiga \u00e1rea, embora fosse pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>Em 1999, o rio e o territ\u00f3rio, j\u00e1 cortados pelo munic\u00edpio de Tocant\u00ednia e pela estrada TO-010, come\u00e7am a secar e a comprometer os modos de vida ind\u00edgenas ainda mais. Neste ano, \u00e9 aprovada a constru\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica (UHE) de Lajeado, parte do programa <em>Avan\u00e7a Brasil<\/em> do Governo Federal de integra\u00e7\u00e3o de eixos e polos de desenvolvimento regional no pa\u00eds. Como disse Elza, parecia que a UHE est\u00e1 \u201c<em>saindo fora e n\u00e3o est\u00e1 no territ\u00f3rio ind\u00edgena<\/em>\u201d que, por isso, n\u00e3o seria afetado, mas, ainda que diferente das estradas que cortam o territ\u00f3rio, a UHE compromete a \u00e1gua que, por sua vez, compromete os peixes, o solo, as vaz\u00f5es. Tudo interligado e bloqueado pelo bloqueio do fluxo do rio que se soma ao aumento de atividades externas do fluxo da estrada, que teve a press\u00e3o aumentada pelo asfaltamento depois da hidrel\u00e9trica. Elza nos fala da TO-010 que corta a TI: \u201c<em>esses projetos todos s\u00e3o que nem o Lajeado, que acabou com a vida dos Xerente<\/em>\u201d, e acrescenta: \u201c<em>projetos est\u00e3o acabando com Cerrado, acabando com a vida, os rios est\u00e3o morrendo e pedindo socorro para defender. (&#8230;) Os povos ind\u00edgenas sentem quando est\u00e1 triste e silencioso. Conversam com o rio, com a floresta, com o Cerrado.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>Inaugurada em 2005, a UHE Lajeado<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\"><sup><sup>[3]<\/sup><\/sup><\/a> alterou profundamente os modos de vida Xerente, multiplicando o n\u00famero de aldeias para a recep\u00e7\u00e3o do Programa de Compensa\u00e7\u00e3o Ambiental Xerente (PROCAMBIX), aumentando o fluxo e quantidade de moradores em munic\u00edpios vizinhos e, especialmente, a invas\u00e3o das terras por grileiros em resposta \u00e0 especula\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria na regi\u00e3o, tamb\u00e9m estimulada pela constru\u00e7\u00e3o de estradas. Com o in\u00edcio do projeto da Hidrovia Tocantins-Araguaia, h\u00e1 a previs\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o de um canal a apenas 12 km da TI Xerente, para o transporte de gr\u00e3os e min\u00e9rios, o que vai levar ainda mais secura e perturba\u00e7\u00e3o da vaz\u00e3o do rio \u00e0s comunidades.<\/p>\n<p>\u201c<em>N\u00f3s trabalha n\u00e3o \u00e9 para mandar para fora, n\u00e3o. N\u00f3s quer \u00e9 trabalhar para sobreviver<\/em>\u201d, destaca Elza Xerente, marcando que o povo n\u00e3o quer asfalto porque sabe que n\u00e3o tem benef\u00edcio para eles. Elza diz que o que os povos ind\u00edgenas querem \u00e9 a terra e o rio, querem o territ\u00f3rio, para trabalhar e seguir vivendo. Elza ainda insiste que \u201c<em>tem que respeitar ribeirinho que n\u00e3o \u00e9 ind\u00edgena, os acampamentos<\/em>\u201d porque o \u201c<em>trabalho \u00e9 para se alimentar, n\u00e3o \u00e9 para transportar para outro pa\u00eds, n\u00e3o. N\u00f3s trabalha para sustentar a fam\u00edlia. N\u00e3o \u00e9 para passar dos limites. Se a gente tira um peda\u00e7o aqui \u00e9 para sustentar a fam\u00edlia.<\/em>\u201d Por isso, defender o territ\u00f3rio \u00e9 t\u00e3o importante, porque se trata da defesa da vida ind\u00edgena. Com firmeza, Elza nos refor\u00e7a que os povos ind\u00edgenas \u201c<em>nunca tiraram os direitos dos seres humanos. N\u00e3o somos invasores. Somos donos do Brasil e at\u00e9 hoje defendemos a natureza. Nossos antepassados n\u00e3o nos ensinaram a tirar peda\u00e7o atrav\u00e9s do dinheiro.<\/em>\u201d<\/p>\n<p><strong>\u201cMonocultura\u00e7\u00e3o\u201d da terra e da vida: colonialidade persistente<\/strong><\/p>\n<p>O esfor\u00e7o por tornar os ind\u00edgenas do Cerrado mais \u2018produtivos\u2019 e integrados, ou, simplesmente, \u201cmais humanos\u201d, como aponta C\u00e9lia Xakriab\u00e1, faz parte do apagamento de seus modos de vida pelo processo de acumula\u00e7\u00e3o capitalista de suas terras. Isso remete muito ao que seja uma ideia de moderniza\u00e7\u00e3o conservadora da agricultura, do agroneg\u00f3cio, com base em efici\u00eancia e produtivismo, necessitando de grandes extens\u00f5es para o cultivo de poucas esp\u00e9cies. A \u201cmonocultura\u00e7\u00e3o\u201d da terra e da vida, de que nos fala C\u00e9lia, precisou, assim, da fronteira e do apagamento dos modos de vida e da desqualifica\u00e7\u00e3o da diversidade produtiva e alimentar dos povos ind\u00edgenas das terras baixas da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Classificados como ca\u00e7adores e coletores e, como tal, inferiorizados como sociedades menos desenvolvidas nos estudos antropol\u00f3gicos colonialistas do s\u00e9culo XIX, esses povos tiveram sua coloniza\u00e7\u00e3o assim justificada. Fazendo quest\u00e3o de ignorar que o h\u00e1bito de habitar lugares, nem sempre de forma fixa, estava conectado a uma sele\u00e7\u00e3o de sementes e frutos, de ca\u00e7as sazonais ligadas a esses cultivos e suas coletas, que levaram ao cultivo de jardins, hortas e quintais m\u00f3veis e aprimorados no territ\u00f3rio estendido que hoje conhecemos como Brasil Central, essa coloniza\u00e7\u00e3o classificou e hierarquizou a ca\u00e7a-coleta como atividade menor, e n\u00e3o agr\u00edcola. E n\u00e3o se trata apenas do per\u00edodo colonial portugu\u00eas, mas da coloniza\u00e7\u00e3o e colonialidade persistentes em processos como a Marcha para o Oeste de Get\u00falio Vargas e, mais tarde, a moderniza\u00e7\u00e3o conservadora da Ditadura Empresarial-Militar. Assim, abriram-se literalmente as porteiras para instalar empreendimentos monoculturais, apagando pr\u00e1ticas de reprodu\u00e7\u00e3o social sofisticadas, embora simples. N\u00e3o h\u00e1 coleta e ca\u00e7a indefinida, sem planejamento.<\/p>\n<p>A mobilidade e as migra\u00e7\u00f5es pelo grande territ\u00f3rio central da Am\u00e9rica do Sul implicaram em uma sele\u00e7\u00e3o delicada do que se comia, do como se tirava, do que se plantava e se manejava, bem como implicaram na sele\u00e7\u00e3o das moradas que se estabeleciam extensivamente desde esse processo e, n\u00e3o, o contr\u00e1rio. Assim, ser ca\u00e7adores e coletores levou os Xerente, os Xavante, os Xakriab\u00e1, os Apinaj\u00e9 ou os Guarani e Kaiow\u00e1 a manejar estas pr\u00e1ticas como seus instrumentos de vida, sendo muito mais atos de fazer o territ\u00f3rio extensivamente para bem viver com ele, do que dominar, delimitar e explorar o territ\u00f3rio para mais valer dele, como faz o agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>O territ\u00f3rio se cultiva. O sil\u00eancio que se percebe quando se conversa com o Cerrado, como diz Elza Xerente, \u00e9 o sil\u00eancio que mostra como sua vida est\u00e1 amea\u00e7ada. \u201c<em>A natureza tem vida que nem o ser humano e pede para n\u00f3s defender. Se acabar com os frutos do Cerrado, como vamos nos alimentar? Vamos passar fome. Todo mundo tem o direito de viver. (&#8230;) Essa pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea est\u00e1 acabando com a vida dos povos ind\u00edgenas<\/em>.\u201d<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\"><sup><sup>[1]<\/sup><\/sup><\/a> O marco temporal \u00e9 um argumento jur\u00eddico levantado por deputados e senadores, em sua maior parte presentes na CPI FUNAI-INCRA e nos relat\u00f3rios referentes ao Projeto de Emenda Constitucional 215, de que as terras tradicionais mencionadas no Art. 231, seriam apenas aquelas onde houvesse a presen\u00e7a de povos ind\u00edgenas at\u00e9 a data da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o, em outubro de 1988.&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\"><sup><sup>[2]<\/sup><\/sup><\/a> Esbulho Renitente s\u00e3o as usurpa\u00e7\u00f5es, deslocamentos e espolia\u00e7\u00f5es das terras ind\u00edgenas ocorridas ao longo do processo de sobreposi\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o sobre as mesmas ocasionadas pelo Estado ou por entes privados, provocando assim o impedimento da realiza\u00e7\u00e3o do direito origin\u00e1rio de tradicionalmente ocupar a terra.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\"><sup><sup>[3]<\/sup><\/sup><\/a> A UHE Lajeado \u00e9 administrada pelo Cons\u00f3rcio EDP, liderada pela empresa de energia Investco S.A. Do cons\u00f3rcio, saiu o Programa de Compensa\u00e7\u00e3o Ambiental Xerente (PROCAMBIX), que causou v\u00e1rias desestrutura\u00e7\u00f5es na forma organizativa espacial no territ\u00f3rio desse povo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcela Vecchione, Antonio Verissimo da Concei\u00e7\u00e3o, Laudovina Aparecida Pereira e Roberto Antonio Liebgott Em tempos de amea\u00e7as praticadas pela press\u00e3o de marcos temporais[1] criados e negociados vorazmente por setores do hidro-agro-minero-neg\u00f3cio, a brutalidade para limitar ou integrar os territ\u00f3rios de vidas ind\u00edgenas a circuitos de produ\u00e7\u00e3o e escoamento segue ocorrendo, como sempre foi no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-6177","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6177"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6177\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}