{"id":6185,"date":"2021-06-07T19:49:33","date_gmt":"2021-06-07T22:49:33","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/as-aguas-e-a-sociobiodiversidade-do-cerrado\/"},"modified":"2021-06-07T19:49:33","modified_gmt":"2021-06-07T22:49:33","slug":"as-aguas-e-a-sociobiodiversidade-do-cerrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/as-aguas-e-a-sociobiodiversidade-do-cerrado\/","title":{"rendered":"As \u00e1guas e a sociobiodiversidade do Cerrado"},"content":{"rendered":"<div class=\"el-content uk-panel &lt;a href=\" mailto:uk-column-1-2 uk-margin-top>\n<p>O <strong>Cerrado<\/strong> \u00e9 a&nbsp; savana mais biodiversa do mundo, chegando a abrigar cerca de 5% da diversidade biol\u00f3gica do planeta. Ao mesmo tempo, os primeiros habitantes dessa imensa regi\u00e3o ecol\u00f3gica, os povos da Tradi\u00e7\u00e3o Itaparica, remontam a entre 15.000 a 12.000 anos antes do presente e j\u00e1 transitavam e se adaptavam aos dois principais componentes da paisagem do Cerrado \u2013 as chapadas e os vales. Os povos ind\u00edgenas e tradicionais, com seu saber-fazer enraizado nas paisagens cerradeiras, s\u00e3o herdeiros dos saberes tradicionais que guiam, h\u00e1 in\u00fameras gera\u00e7\u00f5es, o manejo das matas e paisagens.<\/p>\n<p>S\u00e3o esses povos que fazem do pequi, do baba\u00e7u, do buriti e tantos outros frutos do Cerrado a base de alimentos e gera\u00e7\u00e3o de renda. Que usam a palha do baba\u00e7ual e do buritizal, o capim dourado, as flores sempre-vivas e tantos outros elementos na feitura de belos artesanatos. Que conhecem as plantas medicinais e realizam diversos of\u00edcios de cura e benzimento. Que sabem realizar a pesca e a ro\u00e7a no ritmo das cheias e vazantes dos rios. Que sabem o manejo e a ro\u00e7a apropriada para cada agroecossistema. Que sabem manejar os pastos naturais com gado criado entre os vales e os gerais. Que cuidam dos lugares sagrados de morada dos Encantados. E \u00e9 com o protagonismo desses povos que a Campanha se fortalece e se enra\u00edza nos ch\u00e3os dos sert\u00f5es.<\/p>\n<p>Assim, as paisagens onde a biodiversidade do Cerrado vibra patrim\u00f4nios hist\u00f3ricos e socioculturais, fruto da conviv\u00eancia e cuidado dos povos com o Cerrado.<\/p>\n<p><strong>\u00c1guas do Cerrado<\/strong><\/p>\n<p>Nas chapadas e planaltos do Brasil Central, as ra\u00edzes profundas da vegeta\u00e7\u00e3o dominante t\u00edpica do Cerrado promovem a infiltra\u00e7\u00e3o das \u00e1guas das chuvas, constituindo a mais importante \u00e1rea de recarga h\u00eddrica do pa\u00eds, o que lhe valeu o apelido de &#8220;caixa d&#8217;\u00e1gua do Brasil&#8221;. Como resultado, sob o Cerrado se encontram os dois principais aqu\u00edferos do pa\u00eds &#8211; o Guarani e o Urucuia-Bambu\u00ed. Nesse Cerrado ber\u00e7o das \u00e1guas tamb\u00e9m nascem importantes rios do Brasil e do continente sul-americano \u2013 o Paraguai e seus formadores (entre eles o Cuiab\u00e1, o S\u00e3o Louren\u00e7o e o Taquari); o Paran\u00e1 e seus formadores (entre eles o Parana\u00edba); o S\u00e3o Francisco, o Doce, o Jequitinhonha, o Parna\u00edba, o Itapecuru, o Tocantins, o Araguaia, o Tapaj\u00f3s, o Xingu, al\u00e9m de v\u00e1rios afluentes do rio Madeira.&nbsp; As duas maiores extens\u00f5es de terras continentais alagadas do planeta \u2013 o Pantanal e os \u201cvarj\u00f5es\u201d do Araguaia \u2013 t\u00eam tamb\u00e9m sua din\u00e2mica hidrol\u00f3gica relacionada aos Cerrados e suas chapadas.<\/p>\n<p>O desmatamento das chapadas para dar lugar a monocultivos&nbsp; de soja tem destru\u00eddo esse sistema hidrol\u00f3gico, com consequ\u00eancias dram\u00e1ticas. Ao mesmo tempo, em diversas partes do Cerrado e suas zonas de transi\u00e7\u00e3o, os povos e comunidades enfrentam a apropria\u00e7\u00e3o, contamina\u00e7\u00e3o, exaust\u00e3o, assoreamento e barramento dos rios e \u00e1guas pelos grandes projetos da minera\u00e7\u00e3o, agroneg\u00f3cio, portos e outros empreendimentos log\u00edsticos, usinas hidrel\u00e9tricas e aquicultura.&nbsp;<\/p>\n<p>Na Campanha, um importante lema&nbsp; \u00e9 \u201cSem Cerrado, sem \u00e1gua, sem vida\u201d, um dizer que carrega a ideia-for\u00e7a de que a conserva\u00e7\u00e3o do Cerrado \u00e9 sin\u00f4nimo de vida, tanto dos povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais que ali habitam, quanto pelas conex\u00f5es que permitem que as \u00e1guas a\u00ed nascidas possam saciar a sede e garantir produ\u00e7\u00e3o de alimentos livres de agrot\u00f3xicos, transg\u00eanicos e conflitos socioambientais no pr\u00f3prio Cerrado e em outras regi\u00f5es e cidades banhadas por suas \u00e1guas. Defender o Cerrado \u00e9 defender suas \u00e1guas, uma luta urgente e fundamental.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Fonte:<\/strong><\/p>\n<p>Carlos Walter Porto-Gon\u00e7alves.&nbsp;<a href=\"https:\/\/fase.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/PUBLICACAO_CERRADO-2.pdf\">Dos Cerrados e de suas riquezas<\/a>: de saberes vernaculares e de conhecimento cient\u00edfico. Rio de Janeiro e Goi\u00e2nia: FASE e CPT, 2019.<\/p>\n<p>Diana Aguiar e Helena Lopes (Orgs.).&nbsp;<a href=\"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/saberespovoscerrado\">Saberes dos Povos do Cerrado e Biodiversidade<\/a>. Rio de Janeiro: Campanha em Defesa do Cerrado e Action Aid Brasil, 2020.<\/p>\n<p>Altair Sales Barbosa. Andarilhos da Claridade: os primeiros habitantes do Cerrado. Goi\u00e2nia: Universidade Cat\u00f3lica de Goi\u00e1s. Instituto do Tr\u00f3pico Sub\u00famido, 2002. 416 p.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;Foto do destaque: Jo\u00e3o Zinclar<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Cerrado \u00e9 a&nbsp; savana mais biodiversa do mundo, chegando a abrigar cerca de 5% da diversidade biol\u00f3gica do planeta. 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