{"id":6188,"date":"2021-06-17T17:49:25","date_gmt":"2021-06-17T20:49:25","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/comunidade-de-gostoso-ma-resiste-pelo-direito-de-continuar-no-territorio\/"},"modified":"2021-06-17T17:49:25","modified_gmt":"2021-06-17T20:49:25","slug":"comunidade-de-gostoso-ma-resiste-pelo-direito-de-continuar-no-territorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/comunidade-de-gostoso-ma-resiste-pelo-direito-de-continuar-no-territorio\/","title":{"rendered":"Comunidade de Gostoso (MA) resiste pelo direito de continuar no territ\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p><em>Agricultores familiares que t\u00eam na terra o seu sustento est\u00e3o impossibilitados de terem acesso as suas planta\u00e7\u00f5es na comunidade Pati-Gostoso, no Maranh\u00e3o.&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>\u201c<em><strong>N\u00e3o h\u00e1 territ\u00f3rio livre em corpo preso<\/strong><\/em>\u201d. A ess\u00eancia dessa frase, registrada no 8\u00ba Encontr\u00e3o da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranh\u00e3o, realizado em 2018 no territ\u00f3rio da Comunidade Pati-Gostoso, munic\u00edpio de Aldeias Altas, pr\u00f3ximo a Caxias no cerrado Maranhense, \u00e9 a realidade vivenciada novamente pelos moradores e faz com que as aten\u00e7\u00f5es se voltem para aquela comunidade. Atualmente jagun\u00e7os amea\u00e7am os moradores que est\u00e3o impedidos de terem acesso \u00e0 suas planta\u00e7\u00f5es, que est\u00e3o sendo devastadas para o plantio da monocultura.<\/p>\n<p>A R\u00e1dio Jornal Tambor, em entrevista exibida pelas redes sociais com os articuladores da Teia, Ant\u00f4nio Cl\u00e1udio de Sousa \u2013 morador da comunidade Gostoso&nbsp;\u2013&nbsp; e Raimundo Moreira da Concei\u00e7\u00e3o, agente da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT\/MA), trouxe com detalhes, a triste situa\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia sofrida pela Comunidade Pati-Gostoso.<\/p>\n<p>Algumas fam\u00edlias, que h\u00e1 d\u00e9cadas s\u00e3o amea\u00e7adas pela empresa \u2018Costa Pinto\u2019,&nbsp;a qual invade o territ\u00f3rio para o cultivo da monocultura da cana-de-a\u00e7\u00facar, foram expulsas pela mesma empresa de outras \u00e1reas em d\u00e9cadas passadas. Foram relatadas pelos entrevistados situa\u00e7\u00f5es como viol\u00eancia psicol\u00f3gica, amea\u00e7as e sabotagem no plantio, al\u00e9m do uso de m\u00e1quinas, como tratores para destrui\u00e7\u00e3o das planta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A empresa, que conta com o apoio da administra\u00e7\u00e3o municipal, ao intimidar, amea\u00e7ar e destruir comunidades camponesas e seus territ\u00f3rios, alega que estaria gerando empregos para a regi\u00e3o. Na verdade, segundo os camponeses, est\u00e1 empurrando as fam\u00edlias para a mis\u00e9ria das periferias, comprometendo as atuais e futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para Raimundo Moreira, agente da CPT, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o aparenta ser t\u00e3o simples. Foi dito em entrevista que os advogados da empresa, numa tentativa de criminaliza\u00e7\u00e3o da comunidade e suas lutas, j\u00e1 acusaram os moradores da comunidade de montagem de t\u00e1ticas de guerrilha. Com isso tentam confundir e colocar a sociedade contra a comunidade que produz alimentos e protege a Natureza. O que a empresa, seus advogados e seguran\u00e7as armados chamam de armas s\u00e3o, na verdade, instrumentos de trabalho. Raimundo afirma que a comunidade tem utilizado ferramentas como maquinas fotogr\u00e1ficas, celulares para registrarem as amea\u00e7as e viol\u00eancias que sofrem e para torna-las conhecidas \u00e0s pessoas, organiza\u00e7\u00f5es e, inclusive o pr\u00f3prio estado.<\/p>\n<p><strong>Inoper\u00e2ncia do Estado<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO Estado demora demais para resolver esta situa\u00e7\u00e3o. Isso aumenta o conflito entre as partes. Primeiro porque a comunidade n\u00e3o vai sair do seu lar e a empresa segue dizendo que \u00e9 dona do territ\u00f3rio\u201d, afirma Raimundo. As terras reivindicadas pela Comunidade s\u00e3o terra p\u00fablicas, portanto \u00e9 dever do governo do estado, atrav\u00e9s do Instituto de Terras do Maranh\u00e3o (ITERMA), realizar a arrecada\u00e7\u00e3o e a sua destina\u00e7\u00e3o \u00e0s comunidades para p\u00f4r fim \u00e0 viol\u00eancia. Al\u00e9m de garantir a integridade f\u00edsica e psicol\u00f3gica dos camponeses.<\/p>\n<p>Atualmente, as organiza\u00e7\u00f5es defensoras da comunidade reclamam da omiss\u00e3o por parte do Governo do Estado em resolver os conflitos com o devido enfrentamento \u00e0 grilagem das terras p\u00fablicas e a suspens\u00e3o de licen\u00e7as ambientais para pr\u00e1ticas que ameacem o equil\u00edbrio do meio ambiente, \u201cbem de uso comum do povo e essencial \u00e0 sadia qualidade de vida\u201d conforme o artigo 225, da nossa Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n<p>Foi incentivado que as entidades de apoio, como a pr\u00f3pria CTP\/MA e outras, sigam divulgando a situa\u00e7\u00e3o da comunidade, j\u00e1 que esse problema vem se tornando cada vez mais comum no Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante uma live pelo Youtube, a internauta, Cleonice Costa afirmou. \u201cN\u00f3s temos esse problema com essa empresa dentro das aldeias e comunidades de Lagoa do Mato, temos um processo h\u00e1 mais de 15 anos\u201d.<\/p>\n<p><strong>Apoio da Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais<\/strong><\/p>\n<p>Em 2018, representantes dos Movimentos Sociais se reuniram no VIII Encontr\u00e3o da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranh\u00e3o, em Gostoso. A carta p\u00fablica lan\u00e7ada ao t\u00e9rmino do Encontro reafirma que \u201co lugar dos povos e comunidades tradicionais \u00e9 nas matas, nos territ\u00f3rios, nas \u00e1guas, nas terras, nos campos e lagos, longe das pris\u00f5es e da observa\u00e7\u00e3o do Estado.N\u00e3o vamos esperar pelo Estado para garantir a nossa perman\u00eancia nos nossos territ\u00f3rios. Pois o Estado n\u00e3o reconhece nossas pr\u00e1ticas e tenta nos manter sobre a sua tutela. E a seguran\u00e7a que eles nos oferece \u00e9 militarizada e armada. Nossa autoprote\u00e7\u00e3o quem faz somos n\u00f3s e lutaremos com as nossas armas: a for\u00e7a de nossos encantados e a nossa espiritualidade s\u00e3o as nossas garantias. N\u00e3o vamos nos inscrever no projeto de viol\u00eancia do Estado\u201d.<\/p>\n<p>Ao final da entrevista \u00e9 feito um alerta\/convite para que todas as entidades defensoras das comunidades de todo Maranh\u00e3o divulguem e informem a situa\u00e7\u00e3o de risco que v\u00e1rias fam\u00edlias de Pati-Gostoso e do Estado vem passando, de modo que isso continue ganhando ainda mais repercuss\u00e3o e pressione tamb\u00e9m o Governo possa tomar as medidas cab\u00edveis para melhorar a qualidade de vida destas pessoas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agricultores familiares que t\u00eam na terra o seu sustento est\u00e3o impossibilitados de terem acesso as suas planta\u00e7\u00f5es na comunidade Pati-Gostoso, no Maranh\u00e3o.&nbsp; \u201cN\u00e3o h\u00e1 territ\u00f3rio livre em corpo preso\u201d. A ess\u00eancia dessa frase, registrada no 8\u00ba Encontr\u00e3o da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranh\u00e3o, realizado em 2018 no territ\u00f3rio da Comunidade Pati-Gostoso, munic\u00edpio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-6188","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6188","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6188"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6188\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6188"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6188"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6188"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}