{"id":6242,"date":"2022-03-07T17:26:03","date_gmt":"2022-03-07T20:26:03","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/carta-das-mulheres-do-cerrado-mulheres-do-cerrado-clamam-pelo-direito-a-vida-com-dignidade\/"},"modified":"2022-03-07T17:26:03","modified_gmt":"2022-03-07T20:26:03","slug":"carta-das-mulheres-do-cerrado-mulheres-do-cerrado-clamam-pelo-direito-a-vida-com-dignidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/carta-das-mulheres-do-cerrado-mulheres-do-cerrado-clamam-pelo-direito-a-vida-com-dignidade\/","title":{"rendered":"Carta das Mulheres do Cerrado: Mulheres do Cerrado clamam pelo direito \u00e0 vida com dignidade"},"content":{"rendered":"<p><strong><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/WhatsApp_Image_2022-03-07_at_16.17.47.jpeg\" alt=\"WhatsApp Image 2022 03 07 at 16.17.47\" width=\"1080\" height=\"1080\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 1080px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1080\/1080;\" \/><\/strong><\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o da Audi\u00eancia Tem\u00e1tica sobre Soberania Alimentar e Sociobiodiversidade do Tribunal Permanente dos Povos em Defesa dos Territ\u00f3rios do Cerrado, a se realizar nos dias 15 e 16 de mar\u00e7o de 2022, n\u00f3s, mulheres do Cerrado, nos reunimos<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><sup><sup>[1]<\/sup><\/sup><\/a> para fazer ecoar as nossas vozes.<\/p>\n<p>Somos ind\u00edgenas de v\u00e1rios povos, entre eles Xerente, Krah\u00f4, Krah\u00f4-Kanela, Apinaj\u00e9, Krah\u00f4 Takaywr\u00e1, Java\u00e9-Karaj\u00e1 Xakriab\u00e1, Tapuia, Xavante, Akro\u00e1 Gamella, Purubor\u00e1, Guarani e Kaiow\u00e1, Terena e Kinikinau. Pertencemos \u00e0s comunidades quilombolas; da agricultura familiar e camponesa dos assentamentos da reforma agr\u00e1ria; \u00e0s comunidades tradicionais vazanteiras, retireiras, veredeiras, pantaneiras, pescadoras artesanais que habitam as ilhas e beiras dos rios que nascem no Cerrado, como o S\u00e3o Francisco, o Araguaia, o Tocantins e o Paraguai. Somos tamb\u00e9m apanhadoras de flores na Serra do Espinha\u00e7o; somos do pastoreio do gado \u201cna larga\u201d no Pantanal; somos protetoras e defensoras do uso social dos produtos da \u201cm\u00e3e palmeira\u201d do baba\u00e7u; somos as raizeiras que conhecem o poder de cura das plantas; somos geraizeiras e das comunidades de fundo e fecho de pasto que trabalham o artesanato de capim dourado, fazem ro\u00e7as e criam pequenos animais nos quintais produtivos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Nossas identidades expressam modos de vida nos nossos territ\u00f3rios ligados ao movimento das \u00e1guas, \u00e0 diversidade da flora e da fauna, \u00e0s ro\u00e7as de sequeiro, varj\u00e3o ou vazante; \u00e0s pr\u00e1ticas ancestrais de armazenamento, troca, cultivo e manejo de sementes cultivadas e nativas de nossas culturas alimentares. Vivemos uma rela\u00e7\u00e3o harmoniosa e respeitosa com a natureza em nossos sistemas agr\u00edcolas tradicionais. Praticamos a agroecologia em conviv\u00eancia com as caracter\u00edsticas espec\u00edficas dos ecossistemas segundo o princ\u00edpio da diversidade. Produzimos alimentos saud\u00e1veis para o autoconsumo, comercializa\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de renda.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Somos as guardi\u00e3s do Cerrado e dos saberes tradicionais que herdamos das nossas ancestrais. Expressamos a sociobiodiversidade cerradeira que exige respeito aos nossos modos de vida, base da garantia da soberania e seguran\u00e7a alimentar e nutricional das comunidades e da sociedade.&nbsp;<\/p>\n<p>Ecoamos nossas vozes contra o ecoc\u00eddio e o genoc\u00eddio no Cerrado; contra as desigualdades estruturais produzidas pelo patriarcado racista desde a era colonial. Tamb\u00e9m externamos an\u00fancios em defesa da vida com justi\u00e7a social, com igualdade, com garantia do Direito Humano \u00e0 Alimenta\u00e7\u00e3o Adequada, com prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade e do nosso patrim\u00f4nio cultural. Por isso trazemos a este importante Tribunal Permanente dos Povos os nossos depoimentos, permeados por nossas pr\u00f3prias ideias e viv\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>Tristeza, depress\u00e3o e adoecimento nos corpos:&nbsp; falas das mulheres ind\u00edgenas&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>Nas regi\u00f5es de Tocantins e Goi\u00e1s, nos territ\u00f3rios Xerente, Apinaj\u00e9, Krah\u00f4-Takaywra, Krah\u00f4-Kanela e Java\u00e9-Karaj\u00e1, as monoculturas de arroz, soja e cana-de-a\u00e7\u00facar est\u00e3o nos limites das Terras Ind\u00edgenas (TI), destruindo os ro\u00e7ados e afetando a sa\u00fade das crian\u00e7as e das mulheres. H\u00e1 perda de ro\u00e7as devido aos agrot\u00f3xicos. A luta pela terra ainda \u00e9 pauta central, pois muitos territ\u00f3rios n\u00e3o est\u00e3o demarcados, como os dos povos Krah\u00f4-Takaywr\u00e1 (Tocantins), Purubor\u00e1 (Rond\u00f4nia), Gamela (Maranh\u00e3o) e parte dos territ\u00f3rios Tapuia (Goi\u00e1s) e Krah\u00f4-Kanela (Tocantins). H\u00e1 muitas terras em situa\u00e7\u00e3o de conflitos fundi\u00e1rios. O Estado nega que haja terra para ser demarcada, a despeito dos direitos dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>A tristeza e a depress\u00e3o est\u00e3o muito presentes nas falas das mulheres, cujos conhecimentos, sabedorias e cren\u00e7as est\u00e3o vinculados \u00e0 biodiversidade nos ecossistemas. <strong>Isidoria Krah\u00f4-Kanela, da Aldeia Takaywra (Tocantins)<\/strong>, denuncia que \u201co desmatamento traz depress\u00e3o, crise, brigas, conflitos internos, e tamb\u00e9m a falta do pr\u00f3prio rem\u00e9dio\u201d. E acrescenta: \u201c(&#8230;) na minha regi\u00e3o n\u00e3o tem mais do que (havia) pra fazer rem\u00e9dio caseiro. Desmatou tudo (&#8230;) \u00e9 uma tristeza. (&#8230;) os rem\u00e9dios que curam \u00e9 o que fazemos com as \u00e1rvores, as ra\u00edzes, as plantas. \u00c9 sagrado, \u00e9 um patrim\u00f4nio nosso, que guardo como um tesouro, que vem da minha av\u00f3, meu av\u00f4 e vem passando pra mim. E pra mim \u00e9 sagrado as plantas medicinais\u201d.&nbsp;Seu povo vive em um pequeno \u201ccercadinho\u201d. N\u00e3o usufruem do direito de ca\u00e7ar e plantar. Para alimentar seus filhos dependem de cestas b\u00e1sicas e outras ajudas externas. Com a \u00e1rea atualmente alagada em consequ\u00eancia da expans\u00e3o dos monocultivos, denunciam a ina\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (FUNAI), e de outros poderes p\u00fablicos: \u201c(&#8230;) n\u00f3s estamos aqui, no meio d&#8217;\u00e1gua, os animais no meio d&#8217;\u00e1gua, os porcos, as galinhas, os jacar\u00e9s comendo tudo, e a gente teme por crian\u00e7a. Tudo isso \u00e9 consequ\u00eancia do impacto ambiental\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>As ind\u00edgenas Krah\u00f4 da <strong>Aldeia Morro Boi (Tocantins)<\/strong>, mesmo com sua TI demarcada, enfrentam os impactos do desmatamento ao redor de suas terras e o uso de agrot\u00f3xico dos monocultivos.&nbsp; A aldeia n\u00e3o tem \u00e1gua pot\u00e1vel para consumo dom\u00e9stico e falta infraestrutura e transporte para emerg\u00eancias. Como relata Domingas Krah\u00f4: \u201cN\u00f3s ind\u00edgenas Krah\u00f4, que convive no Cerrado, vem come\u00e7ando a ser prejudicada pelo desmatamento ao redor de nossa terra que est\u00e1 demarcada. \u00c0s vezes as frutas n\u00e3o est\u00e3o dando bem porque jogam veneno perto de n\u00f3s, e no meio da pandemia a gente trabalha s\u00f3 de bra\u00e7o poquim, estamos sofrendo, precisando da sa\u00fade tamb\u00e9m. (&#8230;) E os parentes que moram perto do rio n\u00e3o podem tomar \u00e1gua do rio, t\u00eam que tomar das cabeceiras e dos olhos d&#8217;\u00e1gua\u201d.<\/p>\n<p>Na <strong>comunidade V\u00e3o do Vico (Piau\u00ed)<\/strong>, ao relatar sobre a realidade de sua aldeia,<strong> Jaira Akro\u00e1 Gamela<\/strong> explica sobre a centralidade de enfrentar o genoc\u00eddio que afeta historicamente as mulheres de seu povo, retirando o direito \u00e0 identidade e \u00e0 exist\u00eancia social: \u201cMinha cultura foi totalmente banida (&#8230;) porque foi morta, massacrada pelos grileiros, e at\u00e9 hoje eles est\u00e3o aqui. Mas os encantados que ainda est\u00e3o aqui, ainda est\u00e3o tocando em mim. Ent\u00e3o se eu tenho essa sensibilidade de ver que ainda h\u00e1 resist\u00eancia na espiritualidade aqui, \u00e9 porque ainda h\u00e1 for\u00e7a e coragem para eu resgatar minha cultura. T\u00e1 morta pra eles, mas pra mim, dentro da gente n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>As den\u00fancias incluem a precariza\u00e7\u00e3o absoluta do sistema de sa\u00fade ind\u00edgena; os riscos \u00e0 sa\u00fade mental frente aos danos cada vez mais crescentes; e os maus tratos nas pol\u00edticas p\u00fablicas e dos poderes institu\u00eddos sobre seus corpos e comunidades. As ind\u00edgenas n\u00e3o t\u00eam acesso aos exames preventivos ou ao pr\u00e9-natal e relatam humilha\u00e7\u00f5es nas unidades fora das aldeias. Dificuldades tamb\u00e9m enfrentam as gr\u00e1vidas e suas acompanhantes nos hospitais. Nas palavras de <strong>Vanessa Karaj\u00e1, da Aldeia Nova (TI Xerente, Tocantins)<\/strong>: \u201cAqui muitos parentes est\u00e3o falecendo, os exames tamb\u00e9m que \u00e9 de rotina, exames simples, demoram meses pra poder conseguir, endoscopia, muitas pessoas est\u00e3o falecendo aqui. Ultimamente os Xerente agora tem medo de ir pro hospital, porque eles acreditam que hospital n\u00e3o t\u00e1 cuidando do ind\u00edgena do jeito que \u00e9 pra cuidar. Muitas pessoas voltam sem vida dos hospitais, n\u00e3o recebem atendimento de qualidade (&#8230;)\u201d&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Pobreza, fome e sede:&nbsp; impactos dos agrot\u00f3xicos e da minera\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de alimentos<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o inumer\u00e1veis as den\u00fancias sobre a minera\u00e7\u00e3o e o uso abusivo e indiscriminado de agrot\u00f3xicos nos monocultivos, incluindo a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea, pr\u00e1tica letal contra os ecossistemas e os modos de vida. S\u00e3o grandes os impactos na sa\u00fade, na produ\u00e7\u00e3o de alimentos e nas \u00e1guas. Em muitos lugares, desaparecem as aves e os animais de ca\u00e7a importantes para a alimenta\u00e7\u00e3o; ocorre a diminui\u00e7\u00e3o ou destrui\u00e7\u00e3o dos ro\u00e7ados do arroz, milho, feij\u00e3o, ab\u00f3bora; avan\u00e7a o desmatamento de \u00e1reas de plantas nativas como pequi, baru, baba\u00e7u, importantes nas culturas alimentares e na gera\u00e7\u00e3o de renda.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Roselita Silva<\/strong>, militante por direitos da comunidade <strong>Morro Agudo (Catal\u00e3o, Goi\u00e1s)<\/strong>, testemunha e denuncia que \u201cComunidades foram dizimadas pela minera\u00e7\u00e3o, e as fam\u00edlias tiveram que buscar outros lugares pra morar. Chegando na cidade \u00e9 algo totalmente diferente dos modos de vida. N\u00f3s, mulheres, n\u00e3o temos mais os meios de renda: fazia queijo, doces, trabalhava com fruta. Agora n\u00e3o temos mais. Eu me sinto impotente diante do poder da minera\u00e7\u00e3o e das monoculturas\u201d.<\/p>\n<p>Em<strong> Cachoeira do Choro (Curvelo, Minas Gerais)<\/strong>, o agroneg\u00f3cio, junto com a minera\u00e7\u00e3o, provoca contamina\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o do Rio Paraopeba. As mulheres n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e sofrem por n\u00e3o poderem prover com dignidade um copo d&#8217;\u00e1gua para saciar a sede de seus filhos, como denuncia a <strong>pescadora Eliane Marques<\/strong>: \u201cOntem desci no rio, ele est\u00e1 irreconhec\u00edvel. Essa \u00faltima chuva trouxe tanto sedimento e lama (&#8230;) N\u00e3o tem mais uma \u00e1rvore em p\u00e9, as casas foram derrubadas. Com a morte do nosso rio Paraopeba veio a inseguran\u00e7a alimentar, e a inseguran\u00e7a para beber a \u00e1gua. Eu estou coletando \u00e1gua de chuva, coando, fervendo, passando pelo filtro de barro. Na semana passada uma m\u00e3e de rec\u00e9m-nascido estava tendo que coar \u00e1gua na fralda para dar para os filhos\u201d. Com a destrui\u00e7\u00e3o do rio, l\u00e1 se v\u00e3o tamb\u00e9m iniciativas de autoafirma\u00e7\u00e3o das economias comunit\u00e1rias e das experi\u00eancias agroecol\u00f3gicas. Inviabilizou-se a gera\u00e7\u00e3o de renda no per\u00edodo da alta do turismo, que favorecia a comercializa\u00e7\u00e3o dos produtos de seus ro\u00e7ados e quintais produtivos como pequi, peixe, frutos, pimentas, queijos e doces. Com o empobrecimento das fam\u00edlias, as mulheres se preocupam tamb\u00e9m com o surgimento da explora\u00e7\u00e3o sexual, o aumento da viol\u00eancia e do uso abusivo de \u00e1lcool e outras drogas.<\/p>\n<p>A comunidade <strong>Quilombola Cabaceira (Beira Rio S\u00e3o Francisco, Norte de Minas Gerais)<\/strong> que \u00e9 tamb\u00e9m pesqueira e vazanteira, sofre com as trag\u00e9dias das enchentes provocadas pelo assoreamento do Rio S\u00e3o Francisco. Nessas situa\u00e7\u00f5es, as fam\u00edlias precisam procurar outros lugares para morar at\u00e9 as \u00e1guas baixarem, quando, ent\u00e3o, buscam reconstruir, na medida do poss\u00edvel, as perdas. Contudo, as possibilidades de reconstru\u00e7\u00e3o se tornam cada vez menores, enquanto a comunidade se torna dependente de ajuda externa com cestas b\u00e1sicas que n\u00e3o chegam para todo mundo. <strong>Marinalva Rocha<\/strong>, lideran\u00e7a quilombola da regi\u00e3o, conta que j\u00e1 agora em 2022 \u201cos animais que a gente conseguiu trazer est\u00e1 na cidade passando fome, o ser humano tamb\u00e9m. Eu tenho galinha, bode, porco. Estou tentando arrumar comida pra minha fam\u00edlia e pros meus animais. O rio tem lugar que t\u00e1 muito seco, tem outros que ele transborda, e a fome acontece do mesmo jeito (&#8230;) \u00e9 o portugu\u00eas claro. Estou falando de fome. E vamos ter mais fome ainda quando voltarmos pro nosso territ\u00f3rio\u201d.<\/p>\n<p>Ainda em <strong>Minas Gerais<\/strong>, na <strong>Comunidade Veredeira Tamboril<\/strong>, o monocultivo de eucalipto vem destruindo a economia comunit\u00e1ria, o acesso ao alimento e \u00e0 renda, especialmente com as derrubadas dos p\u00e9s de pequi, dos quais a comunidade tirava seu sustento. Como fala <strong>Tamires Santos<\/strong>: \u201cHoje na nossa comunidade ainda enfrentamos as grandes empresas que chegaram com a monocultura de eucalipto. Tem uma que est\u00e1 derrubando os p\u00e9s de pequi, e muitos dependem do lucro do pequi. Derrubar o pequi verde no p\u00e9 est\u00e1 prejudicando bastante. Temos um viveiro de mudas nativas, estamos tentando recuperar as nascentes, fazendo as planta\u00e7\u00f5es com volunt\u00e1rios junto com a gente, pra tentar recuperar um pouco do que foi destru\u00eddo no s\u00e9culo XX\u201d.<\/p>\n<p>Na <strong>Comunidade Tradicional Raposa, situada no Territ\u00f3rio Serra do Centro (Campos Lindos, Tocantins)<\/strong>, as mulheres tamb\u00e9m convivem com as pragas dos monocultivos de soja, inviabilizando a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e extrativista tradicional. Como conta <strong>Marlene da Silva<\/strong>: \u201cTem os insetos que vem na soja e prejudicam as nossas ro\u00e7as (&#8230;) vem as pragas da lavoura e termina prejudicando as nossas planta\u00e7\u00f5es. Tem a mosca branca que acaba com tudo, n\u00f3s plantamos feij\u00e3o (&#8230;) n\u00f3s plantamos a ab\u00f3bora (&#8230;) a mosca branca vem e mata tudo. A melancia n\u00e3o d\u00e1, morre tudo, a ab\u00f3bora tamb\u00e9m, o feij\u00e3o. O \u00fanico que ainda aguenta um pouco \u00e9 o arroz, mas tamb\u00e9m prejudica ele que ao inv\u00e9s de ele vir melhor, ele vem menos\u201d.<\/p>\n<p>No <strong>Assentamento Roseli Nunes (Mirassol d&#8217;Oeste, Mato Grosso)<\/strong>, as mulheres lutam para manter e fortalecer a produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, mas suas pr\u00e1ticas s\u00e3o interditadas pelas monoculturas e os agrot\u00f3xicos e sua for\u00e7a de destrui\u00e7\u00e3o. Relatam doen\u00e7as como depress\u00e3o e alergias causadas pelos venenos jogados nas \u00e1guas. O desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico acaba com os alimentos dos animais e estes procuram alimentos nas ro\u00e7as das fam\u00edlias. <strong>Dona Miraci Silva<\/strong>, produtora agroecol\u00f3gica do territ\u00f3rio, testemunha esta realidade na pr\u00e1tica: \u201cAqui no assentamento muitas mulheres sofrem com depress\u00e3o e alergia causada pelo veneno. (&#8230;) Foi comprovada a contamina\u00e7\u00e3o de nossas \u00e1guas\u201d.<\/p>\n<p>As quebradeiras de coco baba\u00e7u e agricultoras familiares do <strong>Acampamento Viva Deus (Imperatriz, Maranh\u00e3o)<\/strong> n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 terra e nem aos baba\u00e7uais da regi\u00e3o, tomados pelo agroneg\u00f3cio. Est\u00e3o perdendo a produ\u00e7\u00e3o de milho, feij\u00e3o, mandioca, ab\u00f3bora, melancia, e principalmente o arroz. Denunciam que nos \u00faltimos anos a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos vem trazendo adoecimentos e mortes de seus quintais produtivos, e a produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 inviabilizada atualmente com pragas que impedem o crescimento saud\u00e1vel e a colheita. Como diz <strong>Zenilde dos Santos Silva<\/strong>: \u201cEsse ano est\u00e1 mais dif\u00edcil porque meu marido plantou [o arroz] e s\u00f3 nasceu mais capim (\u2026). A ab\u00f3bora n\u00e3o prestou, a melancia tamb\u00e9m n\u00e3o, a mandioca tamb\u00e9m n\u00e3o (&#8230;) e o milho tamb\u00e9m n\u00e3o. A gente n\u00e3o pode entrar no mato para pegar o baba\u00e7u, as ca\u00e7as nem se fala (&#8230;)\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no <strong>Maranh\u00e3o, nos munic\u00edpios de Parnarama e Mat\u00f5es<\/strong>, a quilombola <strong>Raimunda Nonata<\/strong> percebe esses impactos. Ela diz que em seu <strong>Territ\u00f3rio Quilombola Cocalinho<\/strong> \u201ca gente est\u00e1 sendo muito afetado pelos agrot\u00f3xicos, afeta tanto a vida das mulheres, como de crian\u00e7as, adultos, como todos os animais (&#8230;) depois que o agroneg\u00f3cio chegou perto da gente, os p\u00e1ssaros sumiram, animais como veado, tatu, essas ca\u00e7as assim elas sumiram (&#8230;) Os gavi\u00f5es que se alimentavam dos pequenos insetos que se alimentam dos gr\u00e3os morriam tamb\u00e9m por conta dos agrot\u00f3xicos, n\u00e3o conseguiam mais voar\u201d. O Quilombo vem perdendo a diversidade de sua produ\u00e7\u00e3o de arroz, milho, feij\u00e3o e ab\u00f3bora. As mulheres est\u00e3o lidando com o aumento de doen\u00e7as e demandas por sa\u00fade: \u201cApareceu uma coceira, crian\u00e7a e idoso todo mundo manchado e a gente acredita que foi depois que foi jogado o veneno de avi\u00e3o. Quando a gente passa de moto dentro das \u00e1reas dos campos pega aquela poeira de veneno, n\u00e3o dorme direito que os olhos ficam irritados, fica muito inflamado. Isso tudo \u00e9 preju\u00edzo para n\u00f3s mulheres, para nossas crian\u00e7as, nossos idosos, a gente est\u00e1 vivendo tempos dif\u00edceis mesmo\u201d, explica Raimunda.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p>No <strong>litoral de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o<\/strong>, as pescadoras, marisqueiras, agricultoras familiares e quebradeiras de coco baba\u00e7u da <strong>comunidade tradicional do Cajueir<\/strong>o enfrentam conflitos socioambientais promovidos pela ind\u00fastria portu\u00e1ria. O Porto Itaqui, destinado ao suporte log\u00edstico de escoamento da minera\u00e7\u00e3o e do agrohidroneg\u00f3cio, recebe boa parte das commodities produzidas no Matopiba, e vem provocando o desmatamento das \u00e1reas de manguezais, aterramento de igarap\u00e9s e, junto com isso, a mortandade do pescado. Nessa regi\u00e3o costeira, as mulheres s\u00e3o afetadas tamb\u00e9m com a implanta\u00e7\u00e3o de uma termel\u00e9trica, considerada uma das formas mais degradadoras de produ\u00e7\u00e3o de energia, gerando danos n\u00e3o s\u00f3 ao acesso \u00e0s \u00e1reas de pesca, mas ao cultivo de frutos. Os baba\u00e7uais foram destru\u00eddos e v\u00e1rios animais sumiram com a falta do seu habitat natural. <strong>Lucilene Costa<\/strong> conta: \u201cPara n\u00f3s foi e \u00e9 uma tristeza ver nossa comunidade sendo devastada dessa forma (&#8230;). Estamos tendo dificuldade at\u00e9 em adquirir alimenta\u00e7\u00e3o porque o marisco est\u00e1 sumindo (&#8230;) e contaminado com \u00f3leo que derrama dos terminais (\u2026) Estamos vivendo com dificuldade de adquirir alimento sadio\u201d.<\/p>\n<p><strong>Apropria\u00e7\u00e3o da biodiversidade e conhecimentos tradicionais<\/strong><\/p>\n<p>No <strong>Oeste da Bahia<\/strong>, as comunidades geraizeiras e de fundo e fecho de pasto vivem a viol\u00eancia da grilagem da terra, a devasta\u00e7\u00e3o socioambiental da monocultura da soja e algod\u00e3o, as amea\u00e7as de vida contra lideran\u00e7as comunit\u00e1rias e da apropria\u00e7\u00e3o das \u00e1guas, pelas empresas com apoio do Estado. O adoecimento da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel. Catiucia Beltr\u00e3o, que faz parte do grupo de religiosas tradicionais \u201cEncomendadeiras de Almas\u201d (Correntina, Bahia), testemunha a ind\u00fastria farmac\u00eautica instalando-se nos territ\u00f3rios e vendendo a pre\u00e7os elevados os f\u00e1rmacos explorados da pr\u00f3pria biodiversidade do Cerrado. \u201cO agroneg\u00f3cio ganha tacando o veneno na lavoura pra produ\u00e7\u00e3o e as farm\u00e1cias ganham com os rem\u00e9dios tirados do Cerrado. Um adoece o povo e o outro ganha com os rem\u00e9dios car\u00edssimos e abertura e inaugura\u00e7\u00e3o de tanta farm\u00e1cia\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o do adoecimento da popula\u00e7\u00e3o, a apropria\u00e7\u00e3o da diversidade biol\u00f3gica e dos conhecimentos tradicionais das mulheres se materializa tamb\u00e9m na usurpa\u00e7\u00e3o de nomes e s\u00edmbolos da sociobiodiversidade destru\u00edda. <strong>Catiucia Beltr\u00e3o<\/strong> percebe isso nos nomes dados aos produtos comercializados nos grandes supermercados: \u201cA feira local j\u00e1 voltou, mas os produtos est\u00e3o desaparecendo, s\u00e3o poucas coisas, precisa ir cedo pra conseguir. O espa\u00e7o mais \u00e9 pro agroneg\u00f3cio que al\u00e9m de destruir o cerrado ainda usa os nomes do cerrado nos produtos dele: caf\u00e9 cerrado, pasta de pequi cerrado, arroz cerrado, cosm\u00e9ticos do cerrado e outras\u201d.<\/p>\n<p><strong>Nossos an\u00fancios e resist\u00eancia em defesa da soberania alimentar e da sociobiodiversidade<\/strong><\/p>\n<p>As principais armas por meio das quais opera o processo de ecoc\u00eddio contra o Cerrado (os agrot\u00f3xicos, a expropria\u00e7\u00e3o da terra, o desmatamento, os inc\u00eandios, a capta\u00e7\u00e3o intensiva de \u00e1gua pelo agroneg\u00f3cio) afetam desproporcionalmente a n\u00f3s mulheres, nossos corpos, nosso cotidiano. Em outras palavras, os nossos corpos s\u00e3o territ\u00f3rios onde se materializa o eco-genoc\u00eddio, sobretudo em raz\u00e3o dos pap\u00e9is sociais de cuidado e reprodu\u00e7\u00e3o social das fam\u00edlias e comunidades socialmente atribu\u00eddos a n\u00f3s.<\/p>\n<p>N\u00f3s, mulheres, al\u00e9m de atuarmos ativamente com nosso trabalho e conhecimento na conserva\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, sustentamos as pr\u00e1ticas que constituem as identidades culturais dos povos do Cerrado, como no preparo dos alimentos, no cuidado das ro\u00e7as, hortas e quintais produtivos, na lava\u00e7\u00e3o coletiva de roupa, nos cantos, no preparo de medicinas tradicionais, na condu\u00e7\u00e3o das rezas, benzimentos e nossos rituais e na feitura de artesanatos que enfeitam e s\u00e3o \u00fateis nas roupas, nas casas, nos barrac\u00f5es comunit\u00e1rios, nas festas e encontros. Nossos corpos se tornam espa\u00e7os de transforma\u00e7\u00e3o do ecoc\u00eddio do Cerrado em genoc\u00eddio de seus povos. Em primeiro lugar porque a contamina\u00e7\u00e3o dos nossos corpos por agrot\u00f3xicos implica em maior incid\u00eancia de abortamento e danos ao leite materno, impactando a sa\u00fade coletiva e a reprodu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica nas nossas comunidades. Al\u00e9m disso, as pr\u00e1ticas lideradas por n\u00f3s s\u00e3o vitais para a manuten\u00e7\u00e3o, continuidade e transforma\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas dos modos de vida dos povos e comunidades, especialmente as mudan\u00e7as necess\u00e1rias em rela\u00e7\u00e3o aos nossos direitos como mulheres, numa sociedade patriarcal e racista. O impedimento ou obst\u00e1culos \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o dessas pr\u00e1ticas, e da nossa pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica enquanto mulheres, em raz\u00e3o do ecoc\u00eddio \u2013 que destr\u00f3i e contamina nossas ro\u00e7as, medicinas, campos de extrativismo e \u00e1guas \u2013 \u00e9 a pr\u00f3pria materializa\u00e7\u00e3o do ecoc\u00eddio em genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos aceitar que nossos corpos sejam tratados como descart\u00e1veis pelas economias da devasta\u00e7\u00e3o que se instalam nos territ\u00f3rios e no seu entorno nesse processo de &#8220;desenvolvimento&#8221; que historicamente tem significado o ecoc\u00eddio do Cerrado. Nesse processo, as grandes fazendas e os grandes projetos contratam os homens das nossas comunidades em trabalhos precarizados, enquanto promovem o aumento da explora\u00e7\u00e3o sexual e o aumento do ass\u00e9dio e da viol\u00eancia contra n\u00f3s mulheres, nossas filhas, irm\u00e3s e companheiras, com a chegada de empreendimentos e suas for\u00e7as privadas de seguran\u00e7a, com perspectivas de objetifica\u00e7\u00e3o de corpos e sexualidades, especialmente sobre nossas meninas e jovens.<\/p>\n<p>Estamos plenamente cientes de que a viol\u00eancia contra os ecossistemas e os povos do Cerrado n\u00e3o se instaurou sem as decis\u00f5es dos poderes p\u00fablicos. Em todos os territ\u00f3rios, as narrativas das mulheres expressam o descontentamento frente ao alinhamento dos agentes p\u00fablicos executivos, legislativos e judici\u00e1rios com este modelo de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. O ecoc\u00eddio e o genoc\u00eddio no Cerrado s\u00e3o resultado tamb\u00e9m de ciclos de privil\u00e9gios hist\u00f3ricos contra uma sociobiodiversidade que mais longe n\u00e3o poderia estar do modelo do agroneg\u00f3cio e da minera\u00e7\u00e3o, suas demandas, mecanismos e temporalidades, concentrador de riquezas, produtor e espalhador de pobreza e do qual o Estado Brasileiro tem sido, historicamente, agente por a\u00e7\u00e3o e omiss\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n<p>Essa realidade se agrava, por\u00e9m, no contexto de destrui\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e direitos duramente conquistados ao longo do tempo pelo atual governo, que n\u00e3o esconde suas posi\u00e7\u00f5es pautadas por misoginia, racismo e antiambientalismo. A domina\u00e7\u00e3o da natureza e a subordina\u00e7\u00e3o das mulheres, em especial negras e ind\u00edgenas, s\u00e3o dimens\u00f5es complementares de uma racionalidade que se funda no apagamento das diversidades e na produ\u00e7\u00e3o de sistemas de viol\u00eancias. Se historicamente o ecoc\u00eddio do Cerrado tem sido o resultado de projetos de desenvolvimento patrocinados pelo Estado brasileiro e setores privados nacionais e internacionais que colocam o lucro de poucos acima das vidas e modos de vida dos povos do Cerrado, o bolsonarismo produziu o agravamento das viol\u00eancias e devasta\u00e7\u00e3o a n\u00edveis que nos levam a temer os piores cen\u00e1rios. Para reverter isso n\u00e3o basta somente mudar governos, mas transforma\u00e7\u00f5es profundas da racionalidade ecocida e genocida que tem se instalado nas fronteiras do agro-hidro-minero-neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Diante de tudo isso, n\u00f3s, mulheres, temos nos mobilizado enquanto corpos-territ\u00f3rios de resist\u00eancia ao crime sistem\u00e1tico de eco-genoc\u00eddio contra o Cerrado e seus povos. Somos part\u00edcipes do presente e geradoras de futuros para o Cerrado, que se alimentam da nossa ancestralidade para construir caminhos social e ambientalmente justos.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>8 de mar\u00e7o de 2022<br \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>Articula\u00e7\u00e3o das Mulheres do Cerrado<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\"><sup><sup>[1]<\/sup><\/sup><\/a>&nbsp; Documento produzido a partir de rodas de conversa com as mulheres de povos e comunidades tradicionais do Cerrado, realizadas pela plataforma Zoom nos dias 7 e 8 de fevereiro de 2022.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por ocasi\u00e3o da Audi\u00eancia Tem\u00e1tica sobre Soberania Alimentar e Sociobiodiversidade do Tribunal Permanente dos Povos em Defesa dos Territ\u00f3rios do Cerrado, a se realizar nos dias 15 e 16 de mar\u00e7o de 2022, n\u00f3s, mulheres do Cerrado, nos reunimos[1] para fazer ecoar as nossas vozes. Somos ind\u00edgenas de v\u00e1rios povos, entre eles Xerente, Krah\u00f4, Krah\u00f4-Kanela, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-6242","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6242","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6242"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6242\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6242"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6242"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6242"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}