{"id":6244,"date":"2022-03-11T13:11:29","date_gmt":"2022-03-11T16:11:29","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/a-potencia-da-mulher-palavra-mulheres-do-cerrado-realizam-rodas-de-conversa\/"},"modified":"2022-03-11T13:11:29","modified_gmt":"2022-03-11T16:11:29","slug":"a-potencia-da-mulher-palavra-mulheres-do-cerrado-realizam-rodas-de-conversa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/a-potencia-da-mulher-palavra-mulheres-do-cerrado-realizam-rodas-de-conversa\/","title":{"rendered":"A pot\u00eancia da mulher-palavra: mulheres do Cerrado realizam rodas de conversa"},"content":{"rendered":"<p><i>Rodas de conversas entre mulheres do Cerrado tecem lutas e resist\u00eancias<\/i><\/p>\n<p>Pensando na pot\u00eancia dos processos coletivos, povos e comunidades tradicionais, assim como movimentos sociais, tecem suas estrat\u00e9gias numa rede que se fortalece a cada dia mais pela pot\u00eancia do plural. E foi a partir dessa trilha que mulheres do Cerrado brasileiro passaram a se reunir em torno das&nbsp;<strong>\u201cRodas de Conversa Mulheres do Cerrado\u201d<\/strong>, atividade que se insere no \u00e2mbito do projeto Dos Territ\u00f3rios ao Tribunal do Cerrado: agrot\u00f3xicos em pauta, coordenado pela Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) e pela Campanha Nacional em Defesa do Cerrado e financiado pela Swiss Philanthropy Foundation e a Funda\u00e7\u00e3o Heinrich B\u00f6ll. O projeto busca colaborar com a constru\u00e7\u00e3o da&nbsp;<a href=\"https:\/\/tribunaldocerrado.org.br\/tpp\/\">Sess\u00e3o Especial do Tribunal Permanente dos Povos (TPP)<\/a>&nbsp;dedicada ao Cerrado,&nbsp; que vem sendo desenvolvida pela Campanha em Defesa do Cerrado desde 2021.&nbsp;<\/p>\n<p>As Rodas de Conversas s\u00e3o instrumentos potentes que permitem a elabora\u00e7\u00e3o de sistematiza\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do interc\u00e2mbio de informa\u00e7\u00f5es e viv\u00eancias com a participa\u00e7\u00e3o direta das principais protagonistas: mulheres de povos e comunidades tradicionais do Cerrado, desde \u00e0s quebradeiras de coco baba\u00e7u, raizeiras, quilombolas, ribeirinhas, ind\u00edgenas de v\u00e1rias etnias, assentadas da Reforma Agr\u00e1ria, entre outras. Nesse ano de 2022 foram realizadas&nbsp;tr\u00eas&nbsp;Rodas de Conversa, todas facilitadas por Cristiane Faustino, assistente social, feminista negra ambientalista, membra do Instituto Terramar.&nbsp;<\/p>\n<p>Em uma delas,&nbsp; um momento espec\u00edfico foi destinado para escuta e interc\u00e2mbio entre as mulheres ind\u00edgenas do Cerrado, em que&nbsp; reuniu virtualmente mulheres dos povos Xerente, Krah\u00f4, Krah\u00f4 Kanela, Apinaj\u00e9, Krah\u00f4-Takaywra, Java\u00e9-Karaj\u00e1 Xakriab\u00e1 (TO), Tapuia (GO), Xavante (MT), Akra\u00f4 Gamela (MA), Purubor\u00e1 (RO), Guarani e Kaiow\u00e1, Terena e Kinikinau (MS). O interc\u00e2mbio entre as experi\u00eancias vividas a partir da perspectiva das mulheres traz uma riqueza e profundidade mostrando as similaridades, desafios e potencialidades existentes entre os territ\u00f3rios e as lutas cotidianas dessas mulheres.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cSe a gente n\u00e3o ajuntar, se a gente n\u00e3o conversar, pegar mesmo na m\u00e3o pra ir em frente pra poder encaminhar as coisas n\u00f3s n\u00e3o vamos fazer nada. (&#8230;) E n\u00f3s que somos semente da terra, que somos broto dessa terra, temos direito de fazer isso. E n\u00f3s, mulherzada, n\u00f3s que sofre, n\u00f3s que somos m\u00e3e, av\u00f3, n\u00f3s que cuida das nossas panelas, das nossas roupas, dos nossos maridos, dos nossos netos, dos nossos filhos, n\u00f3s tem todo o direito de falar, de correr atr\u00e1s das coisas, pra poder esse presidente ou qualquer governo que entrar, respeitar n\u00f3s, porque n\u00f3s ainda existe. Os nossos tatarav\u00f3s, nossos bisav\u00f3s foram, mas n\u00f3s existe. N\u00f3s existe e tamo aqui com eles, com a fala deles, com as ideias dele, tamo aqui forte.\u201d, afirma Gerc\u00edlia Krah\u00f4 durante uma das Rodas de Conversa.&nbsp;<\/p>\n<p>As Rodas de Conversa t\u00eam sua metodologia baseada na educa\u00e7\u00e3o popular e ambiental, contemplando tamb\u00e9m uma abordagem feminista e antirracista que permite que quest\u00f5es-chave hist\u00f3ricas sejam trazidas pelos movimentos dos povos do Cerrado e ganhem visibilidade a partir da sistematiza\u00e7\u00e3o. Dessa maneira, as rodas de conversa s\u00e3o instrumentos fundamentais para fortalecer o processo na defesa dos direitos territoriais, da justi\u00e7a h\u00eddrica e da soberania alimentar dos povos e comunidades do Cerrado.&nbsp;<\/p>\n<p>Para Tatinha, apanhadora de flores sempre viva, em Diamantina (MG), e participante das Roda de Conversa, \u00e9 preciso refletir em toda uma cadeia de destrui\u00e7\u00e3o que afeta as mulheres e seus territ\u00f3rios: \u201cO primeiro ponto que afeta \u00e9 a cultura, que est\u00e1 relacionada ao territ\u00f3rio. \u00c9 uma destrui\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria e da vida, e atinge as mulheres, principalmente. (&#8230;) Os povos tradicionais \u00e9 que garantem soberania e seguran\u00e7a alimentar. Se destr\u00f3i o territ\u00f3rio, destr\u00f3i a seguran\u00e7a. S\u00e3o as mulheres na regi\u00e3o que garantem a seguran\u00e7a alimentar. O que est\u00e1 destruindo o Cerrado \u00e9 a monocultura de eucalipto, a minera\u00e7\u00e3o e as unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Isso coloca em risco o modo de vida tradicional e o territ\u00f3rio tradicional das apanhadoras de flores.\u201d, explica.&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre a experi\u00eancia das Rodas de Conversa, Val\u00e9ria Santos, coordenadora da Articula\u00e7\u00e3o das CPTs do Cerrado e da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, afirma que: \u201cAs Rodas de Conversas foram um espa\u00e7o de troca de saberes, partilha dos desafios e resist\u00eancias das mulheres, que est\u00e3o em constante luta em defesa de seus corpos e territ\u00f3rios. Suas lutas s\u00e3o contra os monocultivos de soja, eucalipto, cana de a\u00e7\u00facar e minera\u00e7\u00e3o; lutam contra os agrot\u00f3xicos que contaminam as \u00e1guas, o ar, a terra, animais e as pessoas. Elas defendem a liberta\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios e dos corpos que ainda s\u00e3o aprisionados por rela\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o de classe, ra\u00e7a, etnia e g\u00eanero. As mulheres defendem a agroecologia e os seus modos de vida como forma de manter o Cerrado em p\u00e9, com disponibilidade de alimentos e bens comuns saud\u00e1veis a todas e todos\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>As den\u00fancias sobre a destrui\u00e7\u00e3o do modo de vida das comunidades, seus territ\u00f3rios e seus habitantes &#8211; sejam de que esp\u00e9cie for &#8211; \u00e9 tamb\u00e9m um depoimento constante que aparece com frequ\u00eancia na fala das mulheres e assim, mesmo de territ\u00f3rios diferentes, elas v\u00e3o reconhecendo como o modo de vida tradicional, que garante sa\u00fade, sustentabilidade e longevidade, vai sendo minado. \u201cA gente est\u00e1 sendo muito afetado pelos agrot\u00f3xicos, afetou tanto a vida das mulheres, como de crian\u00e7as, adultos, como de todos os animais, n\u00e9. Vou falar primeiro dos animais porque eles sumiram depois que come\u00e7aram a usar esses agrot\u00f3xicos, que o agroneg\u00f3cio chegou perto da gente, os p\u00e1ssaros sumiram. Animais como veado, tatu, essas ca\u00e7as assim, elas sumiram. Sumiram por conta do desmatamento. Os passarinhos se alimentavam dos gr\u00e3os envenenados, se intoxicavam e morriam. (&#8230;) Depois aqui na nossa regi\u00e3o eles come\u00e7aram a jogar veneno de avi\u00e3o, a gente fez den\u00fancia para Defensoria P\u00fablica do munic\u00edpio, por conta desse agrot\u00f3xico jogado de avi\u00e3o. Depois disso a gente perdeu a nossa safra de arroz, milho, feij\u00e3o, ab\u00f3bora, etc. (&#8230;) E tamb\u00e9m sobre as pessoas, depois que o agroneg\u00f3cio chegou para perto, ficou muito dif\u00edcil. (&#8230;) Quando a gente passa de moto dentro das \u00e1reas dos campos quando pega aquela poeira de veneno, n\u00e3o dorme direito que os olhos ficam irritados, fica muito inflamado. Isso tudo \u00e9 preju\u00edzo para n\u00f3s mulheres, para nossas crian\u00e7as, nossos idosos, a gente est\u00e1 vivendo tempos dif\u00edceis mesmo\u201d, conta Raimunda Nonata, do Quilombo Cocalinho (MA), tamb\u00e9m durante as Rodas de Conversa.&nbsp;<\/p>\n<p>A documenta\u00e7\u00e3o gerada durante as Rodas de Conversas resultou na produ\u00e7\u00e3o de uma carta-den\u00fancia sobre as mulheres em contexto de Cerrado, que ser\u00e1 apresentada na pr\u00f3xima <a href=\"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/noticias\/344-audiencia-soberania-alimentar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">audi\u00eancia tem\u00e1tica do Tribunal Permanente dos Povos (TPP) &#8211; &#8220;Soberania Alimentar e Sociobiodiversidade do Cerrado&#8221;<\/a> &#8211; a ser realizada nos dias 15 e 16&nbsp; de mar\u00e7o, como forma de complementar informa\u00e7\u00f5es junto ao J\u00fari do TPP.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>&nbsp;Texto:&nbsp;Campanha Nacional em Defesa do Cerrado e <a href=\"https:\/\/cptnacional.org.br\/publicacoes\/noticias\/articulacao-cpt-s-do-cerrado\/5953-a-potencia-da-mulher-palavra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Comiss\u00e3o Pastoral da Terra<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rodas de conversas entre mulheres do Cerrado tecem lutas e resist\u00eancias Pensando na pot\u00eancia dos processos coletivos, povos e comunidades tradicionais, assim como movimentos sociais, tecem suas estrat\u00e9gias numa rede que se fortalece a cada dia mais pela pot\u00eancia do plural. 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