{"id":6266,"date":"2022-06-07T05:35:12","date_gmt":"2022-06-07T08:35:12","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/agrotoxicos-no-festival-de-cinema-ambiental-em-goias\/"},"modified":"2022-06-07T05:35:12","modified_gmt":"2022-06-07T08:35:12","slug":"agrotoxicos-no-festival-de-cinema-ambiental-em-goias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/agrotoxicos-no-festival-de-cinema-ambiental-em-goias\/","title":{"rendered":"Impacto de agrot\u00f3xicos em territ\u00f3rios e comunidades do Cerrado \u00e9 tema de discuss\u00e3o em festival de cinema ambiental em Goi\u00e1s"},"content":{"rendered":"<h6><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/destaque-site-MesaFICA-07.png\" alt=\"destaque-site-MesaFICA-07.png\" width=\"962\" height=\"542\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 962px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 962\/542;\" \/><\/h6>\n<h6>Em atividade no Festival Internacional de Cinema Ambiental (FICA), lideran\u00e7as e pesquisadores denunciaram a pol\u00edtica de morte do atual modelo de produ\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio<\/h6>\n<p><em>Por Amanda Costa\/Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o da CPT Nacional<\/em><\/p>\n<p>No dia 03 de junho, representantes de povos ind\u00edgenas, quilombolas, de comunidades tradicionais do Cerrado, al\u00e9m de pesquisadores e pesquisadoras participaram da Mesa &#8216;Sa\u00fade e Meio Ambiente: Viola\u00e7\u00f5es ao territ\u00f3rio e \u00e0 vida dos povos tradicionais&#8217;, na Tenda Multi\u00e9tnica do Festival Internacional de Cinema Ambiental (FICA), realizado na Cidade de Goi\u00e1s (GO), de 24 de maio a 05 de junho de 2022. Um filme exibido logo no in\u00edcio apresentou a realidade do Acampamento Leonir Orback, em Santa Helena de Goi\u00e1s, e introduziu a problem\u00e1tica da atual Guerra Qu\u00edmica provocada pelo agroneg\u00f3cio, que amea\u00e7a a sa\u00fade de comunidades inteiras e coloca em risco a biodiversidade.<\/p>\n<p>Para Murilo Mendon\u00e7a, do N\u00facelo Gwat\u00e1\/UEG e membro da Campanha Permanente Contra os Agrot\u00f3xicos e Pela Vida, que mediou o momento, o termo &#8216;Guerra Qu\u00edmica&#8217; n\u00e3o \u00e9 econ\u00f4mico para expressar a realidade de viol\u00eancia que as popula\u00e7\u00f5es do campo t\u00eam vivido nos \u00faltimos tempos. Para contribuir com o debate, participaram da mesa a lideran\u00e7a quilombola Leandro Santos, do Territ\u00f3rio Cocalinho, em Parnarama\/MA, Anast\u00e1cio Peralta, ind\u00edgena Guarani e Kaiow\u00e1 de Dourados\/MS, as pesquisadoras Aline Gurgel, do Instituto Aggeu Magalh\u00e3es &#8211; Fiocruz, e Karen Friedrich, do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT), e Leonardo Melgarejo, membro do GT Agrot\u00f3xicos da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Agroecologia (ABA).<\/p>\n<p>Anast\u00e1cio Peralta inaugurou a mesa expondo sobre a mentalidade de explora\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios forjada no Brasil pelos colonizadores, que permanece at\u00e9 hoje e \u00e9 respons\u00e1vel pelas cont\u00ednuas viola\u00e7\u00f5es de direitos dos povos. &#8220;N\u00e3o mudou nada nesses 500 anos, eles nos dividiram, numa estrat\u00e9gia de cria\u00e7\u00e3o de estado, de pa\u00eds. Fomos divididos, foram criando fronteiras para todo lado. Mas atrav\u00e9s da nossa for\u00e7a espiritual estamos aqui, vivos&#8221;. Em sua fala, Anast\u00e1cio tamb\u00e9m trouxe a vis\u00e3o de meio ambiente dos povos ind\u00edgenas, que n\u00e3o dissocia ser humano e natureza e contribui para a manuten\u00e7\u00e3o da sa\u00fade coletiva. &#8220;Para n\u00f3s ind\u00edgenas, Guarani Kaiow\u00e1, o meio ambiente come\u00e7a em casa, \u00e9 onde a gente vive. E a sa\u00fade tamb\u00e9m come\u00e7a em casa. Se a gente se alimenta bem, se somos felizes, a gente n\u00e3o fica doente&#8221;, enfatizou.<\/p>\n<p>Partindo do conceito de Tecnologia Espiritual, Anast\u00e1cio tamb\u00e9m exp\u00f4s a diferen\u00e7a entre os modos de se relacionar com o meio ambiente dos ind\u00edgenas, especificamente no que diz respeito ao modo de produ\u00e7\u00e3o de alimentos. &#8220;N\u00f3s somos diferentes do branco do agroneg\u00f3cio. Quando vamos plantar, primeiro a gente batiza a terra, depois batiza a semente, e depois que planta a gente reza pra chover.&#8221; Neste sentido, foi colocada a necessidade de &#8220;reflorestar a nossa mente&#8221;, como uma maneira de repensar as atuais formas de explora\u00e7\u00e3o da terra.<\/p>\n<p>Imerso em um contexto de intensos conflitos no Maranh\u00e3o, Leandro Santos denunciou a destrui\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios e da vida de pessoas na regi\u00e3o do MATOPIBA, que incorpora os estados do Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e Bahia. Em sua comunidade, as fam\u00edlias lutam contra a grilagem de terras, o desmatamento e as queimadas, todos estes conflitos intensificados pela expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola. &#8220;E a\u00ed vem o uso do agrot\u00f3xico para nos matar&#8221;, relata ao dizer sobre mais uma viol\u00eancia que acomete o seu territ\u00f3rio. As fam\u00edlias do Quilombo Cocalinho, que representam um dos casos do <a href=\"https:\/\/tribunaldocerrado.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tribunal Permanente dos Povos em Defesa dos Territ\u00f3rios do Cerrado (TPP)<\/a>, lutam pela titula\u00e7\u00e3o de suas terras e enfrentam conflitos por empreendimentos de monocultivos de eucalipto da empresa Suzano Papel e Celulose e por fazendas de soja que se expandem para a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s as falas das lideran\u00e7as, a pesquisadora Aline Gurgel apresentou um breve panorama da domina\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios do Cerrado pelo agroneg\u00f3cio \u2013 <a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a regi\u00e3o concentra cerca de 75% de \u00e1rea plantada com soja, milho, cana-de-a\u00e7\u00facar e algod\u00e3o.<\/a> Em seguida, exp\u00f4s um&nbsp; recorte preliminar de uma recente pesquisa sobre agrot\u00f3xico em oito estados, realizada no \u00e2mbito do projeto &#8216;Dos Territ\u00f3rios ao Tribunal do Cerrado: agrot\u00f3xicos em pauta&#8217;, idealizado pela Campanha Nacional em Defesa do Cerrado junto \u00e0 Comiss\u00e3o Pastoral da Terra. &#8220;Analisamos a \u00e1gua em 5 estados que comp\u00f5em a regi\u00e3o do Cerrado. Encontramos agrot\u00f3xicos em todos os estados, e n\u00e3o somente em todos, mas em todos os pontos de coleta que n\u00f3s analisamos. N\u00e3o houve amostra de \u00e1gua que n\u00e3o fosse detectada a presen\u00e7a de pelo menos dois agrot\u00f3xicos, e isso \u00e9 muito grave&#8221;, apontou. Entre os agrot\u00f3xicos j\u00e1 identificados destacam-se o 2,4-D, o glifosato e o Paraquat. Os tr\u00eas foram encontrados em todos os estados que compuseram a an\u00e1lise, al\u00e9m de outros.<\/p>\n<p>Para Karen Friedrich, do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho, que precedeu a an\u00e1lise apresentada por Aline, &#8220;muitas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que deveriam estar defendendo interesse p\u00fablico, est\u00e3o em espa\u00e7os em defesa desse modelo &#8211; do agroneg\u00f3cio -, e de invisibilizar as doen\u00e7as, as den\u00fancias, de desqualificar a fala de pessoas que est\u00e3o sendo envenenado e que observam, h\u00e1 muito tempo, como esse modelo qu\u00edmico acaba com a terra&#8221;. Karen defendeu, ainda, a Reforma Agr\u00e1ria como uma quest\u00e3o sobretudo ecol\u00f3gica. &#8220;Defender a Reforma Agr\u00e1ria para se plantar alimento, diversidade, nutriente. Esse modelo de monocultivo, onde tem s\u00f3 uma esp\u00e9cie de planta, vai gerar desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico e aumentar a demanda de agrot\u00f3xico. A Reforma Agr\u00e1ria favorece o equil\u00edbrio dos ecossistemas produzindo comida de verdade&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>A pandemia da Covid-19 tamb\u00e9m foi contextualizada no debate, sendo apontada como mais uma doen\u00e7a que \u00e9 resultado do processo de adoecimento do modelo do agroneg\u00f3cio. Pesquisadores j\u00e1 t\u00eam denunciado o desmatamento, as agress\u00f5es contra a natureza, a perda da biodiversidade como potenciais provocadores do surgimento de pandemias. &#8220;O que acontece quando uma pessoa est\u00e1 contaminada por agrot\u00f3xico? Se torna ainda mais suscet\u00edvel \u00e0 doen\u00e7a da Covid-19. As pessoas do campo, das florestas, das \u00e1guas, intoxicadas por venenos, ainda sofrem mais uma viol\u00eancia por essa pol\u00edtica mal sucedida de combate \u00e0 pandemia&#8221;, enfatizou Karen.&nbsp;<\/p>\n<p>Durante o debate foram resgatados os processos de tramita\u00e7\u00e3o de Projetos de Lei (PL) no Congresso Nacional, que s\u00e3o amea\u00e7adores principalmente aos povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais no Brasil. O PL 6299\/2022, conhecido como Pacote do Veneno, foi aprovado na C\u00e2mara dos Deputados em fevereiro deste ano e tramita agora no Senado Federal com o n\u00famero 1459\/2022, e segue em an\u00e1lise em Comiss\u00e3o ligada apenas a setores do agroneg\u00f3cio. O PL prev\u00ea uma completa mudan\u00e7a e flexibiliza\u00e7\u00e3o na legisla\u00e7\u00e3o referente aos agrot\u00f3xicos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s todos vivemos um tempo de guerra contra o modelo de destrui\u00e7\u00e3o do amor, das sementes, dos sonhos&#8221;, afirmou Leonardo Melgarejo ao encerrar o momento resgatando a fala de Fernanda Kaing\u00e1ng, feita no mesmo dia. Para Leonardo, &#8220;temos uma responsabilidade maior do que nos outros tempos de guerra onde morriam os guerreiros. Hoje o que est\u00e1 amea\u00e7ado \u00e9 o futuro. A alian\u00e7a intergeracional&#8221;, finaliza.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;Foto: Amanda Costa\/CPT<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em atividade no Festival Internacional de Cinema Ambiental (FICA), lideran\u00e7as e pesquisadores denunciaram a pol\u00edtica de morte do atual modelo de produ\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio Por Amanda Costa\/Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o da CPT Nacional No dia 03 de junho, representantes de povos ind\u00edgenas, quilombolas, de comunidades tradicionais do Cerrado, al\u00e9m de pesquisadores e pesquisadoras participaram da Mesa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-6266","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6266","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6266"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6266\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6266"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6266"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6266"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}