{"id":6267,"date":"2022-06-08T07:06:40","date_gmt":"2022-06-08T10:06:40","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/audiencia-denuncia-fogo-no-cerrado-amazonia-e-pantanal\/"},"modified":"2022-06-08T07:06:40","modified_gmt":"2022-06-08T10:06:40","slug":"audiencia-denuncia-fogo-no-cerrado-amazonia-e-pantanal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/audiencia-denuncia-fogo-no-cerrado-amazonia-e-pantanal\/","title":{"rendered":"NA C\u00c2MARA FEDERAL, ARTICULA\u00c7\u00c3O AGRO \u00c9 FOGO DENUNCIA A VIOL\u00caNCIA DOS INC\u00caNDIOS NA AMAZ\u00d4NIA, CERRADO E PANTANAL"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/1_Audie\u0302ncia_Pu\u0301blica.png\" alt=\"1_Audie\u0302ncia_Pu\u0301blica.png\" width=\"1920\" height=\"960\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 1920px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1920\/960;\" \/><\/p>\n<p><em>Nem chegamos ao per\u00edodo de estiagem e os inc\u00eandios j\u00e1 s\u00e3o maiores do que o ano passado. E quem mais sofre com isso s\u00e3o as comunidades tradicionais.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agroefogo.org.br\/blog\/2022\/05\/25\/na-camara-federal-incendios\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Por Articula\u00e7\u00e3o Agro \u00e9 Fogo<\/strong><\/a><\/p>\n<p>\u201cSe ele [fazendeiro] t\u00e1 pondo fogo na natureza, ele n\u00e3o est\u00e1 atingindo s\u00f3 mato, algumas pessoas e bicho, mas est\u00e1 atingindo ele no futuro\u201d, inicia Leonida Aires, da Comunidade Pantaneira Barra de S\u00e3o Louren\u00e7o, de Mato Grosso do Sul, em sua fala durante a Audi\u00eancia P\u00fablica na C\u00e2mara dos deputados, em Bras\u00edlia. Junto a Comiss\u00e3o Externa de Queimadas em Biomas Brasileiros, coordenado pela Deputada Professora Rosa Neide, na quinta-feira, dia 19 de maio, a&nbsp;<strong>Articula\u00e7\u00e3o Agro \u00e9 Fogo<\/strong>&nbsp;apresentou e debateu den\u00fancias sobre como se encontra a situa\u00e7\u00e3o de direitos humanos dos Povos Ind\u00edgenas e Comunidades Tradicionais da Amaz\u00f4nia, Cerrado e Pantanal do Brasil<\/p>\n<p>Para expor o grave cen\u00e1rio socioambiental provocado pelos inc\u00eandios e intenso desmatamento, em parceria com o Observat\u00f3rio Nacional de Justi\u00e7a Socioambiental Luciano Mendes de Almeida (<a href=\"https:\/\/olma.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">OLMA<\/a>), foi entregue \u00e0 Comiss\u00e3o uma<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1KbxFUfuFBGLUIX9nntQhxCSznH9CHkDu\/view?usp=sharing\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&nbsp;Nota T\u00e9cnica<\/a>&nbsp;pautada nos casos apresentados no<a href=\"https:\/\/agroefogo.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&nbsp;Dossi\u00ea Agro \u00e9 Fogo<\/a>. Al\u00e9m disso, representantes dos territ\u00f3rios e coordenadoras de organiza\u00e7\u00f5es sociais reafirmaram a necessidade de maior or\u00e7amento e a\u00e7\u00f5es efetivas dos governantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preven\u00e7\u00e3o e combate aos inc\u00eandios.<\/p>\n<p>O fogo criminoso vem diretamente do modelo de agroneg\u00f3cio que atua aliado a um comboio de elementos para desmatar, grilar, expulsar as comunidades, envenenar a terra e \u00e1gua. Por isso, a Audi\u00eancia, um momento de ouvir as den\u00fancias dos povos que sofrem a viol\u00eancia, demonstrou o quanto o tal \u201cdesenvolvimento\u201d significa passar por cima de tudo e de todos.<\/p>\n<p>Os povos e comunidades tradicionais, que se organizam conservando seu territ\u00f3rio e, portanto, garantindo o futuro da humanidade, permanecem em constante amea\u00e7a. N\u00e3o \u00e0 toa, quando o assunto \u00e9 conflitos por territ\u00f3rio, tamb\u00e9m encontramos alta incid\u00eancia de focos de inc\u00eandio. As viol\u00eancias no campo se sobrep\u00f5em, como afirmou os dados apresentados na Audi\u00eancia por Isolete Wichinieski, da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra e membra da Articula\u00e7\u00e3o Agro \u00e9 Fogo.<\/p>\n<p>Segundo levantamento,&nbsp;<strong>os conflitos por terra envolvendo o fogo (2021) concentram 47% nas \u00e1reas do Cerrado e suas transi\u00e7\u00f5es<\/strong>, na Amaz\u00f4nia contabilizam 25% e no Pantanal 6% do total. Somado a isso, no ano de 2021, foram&nbsp;<strong>37 mil fam\u00edlias afetadas pelo uso do fogo como arma nos conflitos<\/strong>&nbsp;no campo. Al\u00e9m disso, os inc\u00eandios destroem n\u00e3o s\u00f3 o componente material, mas, principalmente, afeta o sagrado e os saberes dos povos, isso se mostra em rela\u00e7\u00e3o<strong>&nbsp;<\/strong>\u00e0s<strong>&nbsp;casas de reza, viol\u00eancia que j\u00e1 envolveu quase 2.5 mil fam\u00edlias no Brasil.<\/strong><\/p>\n<p>Cerrado, Amaz\u00f4nia e Pantanal est\u00e3o em chamas e como documenta o&nbsp;<strong>Dossi\u00ea Agro \u00e9 Fogo<\/strong>, as lideran\u00e7as das comunidades tradicionais e organiza\u00e7\u00f5es sociais durante a Audi\u00eancia, os inc\u00eandios tem como carro chefe o agroneg\u00f3cio.<strong>&nbsp;<\/strong>Esse ano estamos chegando ao per\u00edodo de estiagem com uma grande quantidade de focos de inc\u00eandios.<\/p>\n<p>Conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (<a href=\"https:\/\/queimadas.dgi.inpe.br\/queimadas\/portal-static\/situacao-atual\/\">INPE<\/a>), at\u00e9 a metade de maio deste ano mais de&nbsp;<strong>5 mil focos de inc\u00eandios foram contabilizados s\u00f3 no Cerrado, isso significa 25% a mais do que o mesmo per\u00edodo ano passado<\/strong>; Na Amaz\u00f4nia, j\u00e1 s\u00e3o mais de 4 mil focos, 18% a mais e no Pantanal os focos j\u00e1 beiram a quantidade de todo o ano de 2021 nesta regi\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/noticias\/4_Cla\u0301udia_Pinho__Coordenadora_da_Rede_de_Comunidades_Tradicionais_Pantaneiras_do_Mato_Grossopng.png\" alt=\"4 Cla\u0301udia Pinho Coordenadora da Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneiras do Mato Grossopng\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 1024px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1024\/576;\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Cl\u00e1udia Pinho, coordenadora da Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneiras (Mato Grosso)<\/em><\/p>\n<h5><strong>Na Amaz\u00f4nia, Cerrado e Pantanal tem gente!<\/strong><\/h5>\n<p>A sociobiodiversidade, como \u00e9 respaldado pelo&nbsp;<strong>Dossi\u00ea Agro \u00e9 Fogo<\/strong>, n\u00e3o existe sem as pessoas em seus territ\u00f3rios. A fragiliza\u00e7\u00e3o de tais regi\u00f5es, tamb\u00e9m \u00e9 a fragiliza\u00e7\u00e3o das pessoas, de sua sa\u00fade, de sua sobreviv\u00eancia e perman\u00eancia onde se vive a s\u00e9culos. N\u00e3o existe prote\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, Cerrado e Pantanal sem reconhecer que nesses lugares tem gente em luta por suas casas e se comportam como linha de frente contra o desmonte dos modos de viver.<\/p>\n<p>\u201cNa Floresta Amaz\u00f4nica tem pessoas, tem a biodiversidade. O agroneg\u00f3cio mata sim, polui a \u00e1gua sim! Ser\u00e1 que \u00e9 bom beber \u00e1gua contaminada por merc\u00fario, como o povo Yanomani passa todos os dias? Ser\u00e1 que n\u00f3s, que moramos aqui na cidade, nos centros, aguentar\u00edamos isso? O povo Yanomami est\u00e1 morrendo!\u201d, denuncia ao pedir que \u00e9 preciso defender o direito dos povos ind\u00edgenas, pois a viol\u00eancia sobre eles \u00e9 constante.<\/p>\n<p>\u201cSabemos que em rela\u00e7\u00e3o ao Pantanal, n\u00f3s n\u00e3o podemos chamar de queimadas, mas de inc\u00eandios criminosos. \u00c9 um dos biomas mais fr\u00e1geis, mas rico em biodiversidade.&nbsp;<strong>Falar da maior \u00e1rea \u00famida \u00e9 muito bonito, mas olhar valorizar quem conserva, quem produz, quem faz o Pantanal ser o que \u00e9 hoje \u00e9 muito dif\u00edcil.&nbsp;<\/strong>\u00c9 preciso restaurar o Pantanal, restaurar as conex\u00f5es que existem no Pantanal\u201d, relata Cl\u00e1udia Pinho, coordenadora da Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneiras (Mato Grosso), ao ressaltar que o Pantanal sempre foi habitado por povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais.<\/p>\n<h5><strong>Esse pa\u00eds n\u00e3o respeita as comunidades tradicionais<\/strong><\/h5>\n<p>As falas foram pautadas pela den\u00fancia e an\u00fancio dos povos e comunidades tradicionais que, mesmo diante das cicatrizes do fogo do agroneg\u00f3cio, persistem em busca de seu direito \u00e0 vida digna. Entre outros temas tratados na Audi\u00eancia, tamb\u00e9m foi exposto a inconstitucionalidade do marco temporal, a ser votado em junho, pelo Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n<p>\u201cExiste uma programa\u00e7\u00e3o de ataque aos direitos dos povos ind\u00edgenas e tamb\u00e9m aos direitos dos povos tradicionais.&nbsp;<strong>Existe uma programa\u00e7\u00e3o constitu\u00edda, principalmente, pelos governantes desse pa\u00eds que fere a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. A<\/strong><a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2022\/05\/marco-temporal-e-incendios-criminosos-sao-denunciados-em-audiencia-publica-na-camara-federal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>&nbsp;tese do marco temporal \u00e9 inconstitucional<\/strong><\/a><strong>&nbsp;e prejudica a vida dos povos ind\u00edgenas<\/strong>\u201c, pontua Eliane Martins, coordenadora do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi) regional Goi\u00e1s\/Tocantins, sobre a luta secular dos povos ind\u00edgenas contra a invas\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Davi Krah\u00f4, vice-Cacique da Aldeia Takaywara, localizada em Lagoa da Confus\u00e3o, no Tocantins, conta em sua fala que a maioria da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do Brasil vive no Cerrado, uma das regi\u00f5es mais atacadas pelo agroneg\u00f3cio e pelos seus inc\u00eandios, como demonstrou os dados do CEDOC-CPT.<\/p>\n<p>Acabar com o Cerrado \u00e9 acabar com a sabedoria ind\u00edgena, \u00e9 acabar com a sociobiodiversidade, com o maior aqu\u00edfero do mundo e com o territ\u00f3rio mais antigo do planeta. Mas para impedir isso, \u00e9 preciso criar condi\u00e7\u00f5es para que os povos estejam em paz em seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>\u201cO meu territ\u00f3rio n\u00e3o est\u00e1 demarcado, o governo brasileiro n\u00e3o d\u00e1 valor ao territ\u00f3rio ind\u00edgena, ele quer invadir, ele quer aprovar minera\u00e7\u00e3o, ele quer que fa\u00e7a inc\u00eandios para pastagem.&nbsp;<strong>Os territ\u00f3rios ind\u00edgenas est\u00e3o cercados pelos projetos de monocultura<\/strong>&nbsp;e isso atinge diretamente a n\u00f3s, com ind\u00edgenas morrendo de doen\u00e7as cr\u00f4nicas. Sem \u00e1gua n\u00f3s n\u00e3o vivemos, mas sem soja vivemos\u201d.<\/p>\n<p>Ainda sobre o desrespeito a quem protege n\u00e3o s\u00f3 os direitos humanos, mas o direito da sociobiodiversidade, Leandro dos Santos, lideran\u00e7a quilombola da comunidade de Cocalinho, Maranh\u00e3o, enfatizou o quanto os inc\u00eandios prejudicam, a anos, a subsist\u00eancia e a sabedoria de cura, passada de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o, no quilombo.<\/p>\n<p>\u201cFalar dos inc\u00eandios n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Estou na regi\u00e3o de fronteira agr\u00edcola, que \u00e9 o MATOPIBA, que abrange boa parte do Cerrado que est\u00e1 sendo bastante destru\u00eddo. Com isso, a gente tem muitas perdas de alimentos, hoje n\u00e3o temos mais pequi, n\u00e3o temos mais mangaba, hoje n\u00f3s n\u00e3o temos mais as plantas medicinais\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs conflitos no campo, a gente n\u00e3o pode dizer que \u00e9 s\u00f3 a viol\u00eancia que os povos e comunidades tradicionais sofrem, mas \u00e9 a resist\u00eancia que a essa viol\u00eancia \u00e9 colocada. Ent\u00e3o,&nbsp;<strong>os conflitos existem porque as comunidades, elas se colocam na defesa de seu bioma<\/strong>\u201d, diz Isolete Wichinieski.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/noticias\/6_Leandro_dos_Santos_-Quilombo_Cocalinho_do_Maranha\u0303opng.png\" alt=\"6 Leandro dos Santos Quilombo Cocalinho do Maranha\u0303opng\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 1024px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1024\/576;\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Leandro dos Santos, lideran\u00e7a quilombola da comunidade de Cocalinho, Maranh\u00e3o<\/em><\/p>\n<h5><strong>O fogo nas m\u00e3os do agroneg\u00f3cio provoca um desequil\u00edbrio permanente<\/strong><\/h5>\n<p>\u201cN\u00e3o vou falar que o fogo \u00e9 ruim, que n\u00e3o \u00e9, mas a forma como ele \u00e9 usado,&nbsp;<strong>as pessoas usam o fogo de m\u00e1 f\u00e9.&nbsp; Algumas pessoas acham que s\u00e3o donos das coisas e n\u00e3o pensam na vida<\/strong>. Eu vejo essas pessoas como se fossem zumbi, porque sabe que t\u00e1 matando a vida,&nbsp;<strong>sabe que t\u00e1 matando o futuro, sabe que t\u00e1 matando a si pr\u00f3prio<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>Leonida Aires, durante a Audi\u00eancia, contou o quanto o perigo e terror dos inc\u00eandios n\u00e3o est\u00e3o apenas no momento que ocorre, mas, principalmente, em suas consequ\u00eancias. At\u00e9 os dias de hoje, quase dois anos depois de um dos maiores inc\u00eandios \u00e0 comunidade, as pessoas ainda sofrem com o resultado do fogo ateado por fazendeiros da regi\u00e3o para formar pasto e produzir monocultura. \u201cEles s\u00e3o um bando de zumbis, porque n\u00e3o t\u00eam a capacidade de pensar, s\u00f3 pensam em dinheiro\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agroefogo.org.br\/blog\/2021\/11\/24\/temporal-de-cinzas-na-comunidade-tradicional-pantaneira-barra-de-sao-lourenco\/\">Depois do fogo veio a chuva de cinzas<\/a>, que al\u00e9m de ocasionar problemas de sa\u00fade, ainda provocou a morte de uma crian\u00e7a. A dor que esse crime faz \u00e9 para todo a vida, lembra a lideran\u00e7a sobre a trag\u00e9dia, a luta das pessoas para apag\u00e1-lo, a falta de \u00e1gua pot\u00e1vel e a morte dos alimentos. Esse desequil\u00edbrio gerado pelos inc\u00eandios e desmatamentos ainda provoca, conforme Leonida, o aparecimento de muitos ratos, cobras e on\u00e7as nas regi\u00f5es e nas casas.<\/p>\n<p>\u201cNa ilha do Bananal, que \u00e9 a maior ilha fluvial do mundo, no per\u00edodo cr\u00edtico de agosto a outubro tem a renova\u00e7\u00e3o de pastagem onde tocam fogo para renovar o pasto.&nbsp;<strong>O ano passado ficaram mais de 60 dias para apagar o fogo da ilha do Bananal<\/strong>&nbsp;e s\u00f3 apagou porque Pap\u00e3 mandou uma chuva a\u00ed apagou o fogo\u201d, relata a lideran\u00e7a Krah\u00f4.<\/p>\n<p>Para invadir Terras Ind\u00edgenas (TI) e grilar, o agroneg\u00f3cio incendeia, usa o fogo como arma para estabelecer dom\u00ednio sobre a regi\u00e3o e amea\u00e7ar os povos, como confirma Davi Krah\u00f4. Por outro lado, o fogo nas m\u00e3os das comunidades tradicionais, que \u00e9 controlado e usado com a sabedoria de s\u00e9culos, significa vida.<\/p>\n<p>\u201cO fogo causa destrui\u00e7\u00e3o quando a pessoa usa ele para destruir.&nbsp;<strong>O fogo faz parte do povo Krah\u00f4, mas tem que saber como conduzir o fogo<\/strong>, porque o usamos no dia a dia. N\u00f3s temos o manejo do fogo, sabemos conduzir o fogo no territ\u00f3rio, por isso,&nbsp;<strong>temos nossa brigada, para que no per\u00edodo cr\u00edtico o fogo n\u00e3o chegue na comunidade<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/5_Davi_Kraho\u0302__Aldeia_Takaywara_no_Tocantins.png\" alt=\"5_Davi_Kraho\u0302__Aldeia_Takaywara_no_Tocantins.png\" width=\"1536\" height=\"864\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 1536px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1536\/864;\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Davi Krah\u00f4, vice-Cacique da Aldeia Takaywara, no Tocantins<\/em><\/p>\n<h5><strong>A defesa \u00e9 pela vida e pela exist\u00eancia<\/strong><\/h5>\n<p>Para o enfrentamento e revers\u00e3o do quadro, B\u00e1rbara Dias, da Articula\u00e7\u00e3o Agro \u00e9 Fogo, relatou algumas recomenda\u00e7\u00f5es documentadas na<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1KbxFUfuFBGLUIX9nntQhxCSznH9CHkDu\/view?usp=sharing\">&nbsp;Nota T\u00e9cnica<\/a>&nbsp;junto ao Olma, sublinhando que os governantes tomem outra postura diante dos Projetos de Lei que desrespeitam os direitos dos povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais, ao validar o projeto agrominerador, do hidroneg\u00f3cio, do desmatamento e&nbsp; da grilagem que s\u00e3o intr\u00ednsecos aos inc\u00eandios criminosos.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Externa, pela deputada federal Rosa Neide, ressaltou que a pol\u00edtica nacional de manejo do fogo est\u00e1 no senado e em tr\u00e2mite. E ainda lembrou sobre o quanto a neglig\u00eancia sobre esses temas \u00e9 constante, apesar de se ter todas as informa\u00e7\u00f5es a respeito do \u201cDia do Fogo\u201d e de quem foram os mandantes do crime, o delegado que estava \u00e0 frente n\u00e3o tomou as devidas provid\u00eancias, pontuou a deputada.<\/p>\n<p>\u201cMuitas das vezes,&nbsp;<strong>os inc\u00eandios criminosos s\u00e3o provocados aqui direto de Bras\u00edlia<\/strong>, porque os fazendeiros, os produtores de soja, de cana e de eucalipto, muito deles s\u00e3o deputados nas regi\u00f5es e que tem apoio das assembleias legislativas e que colocam fogo criminalmente nos territ\u00f3rios\u201d, contextualiza Eliane Martins, do CIMI (GO\/TO).<\/p>\n<p>A comiss\u00e3o, que tamb\u00e9m j\u00e1 se reuniu com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (IBAMA) e Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), se prontificou a divulgar os dados da&nbsp;<strong>Articula\u00e7\u00e3o Agro \u00e9 Fogo<\/strong>&nbsp;e do CEDOC-CPT para fortalecer a\u00e7\u00f5es que respaldem as comunidades tradicionais frente ao processo de viol\u00eancia configurado pelos e com os inc\u00eandios.<\/p>\n<p>\u201c<strong>Estar em Bras\u00edlia \u00e9 demarcar territ\u00f3rios tamb\u00e9m, demarcar territ\u00f3rios da nossa exist\u00eancia<\/strong>&nbsp;enquanto diversidade de grupo, enquanto demandantes de pol\u00edticas p\u00fablicas, mas, principalmente, pela visibilidade que&nbsp;<strong>o Estado brasileiro precisa nos enxergar enquanto sujeitos de direitos que estamos nos territ\u00f3rios nesse vasto pa\u00eds<\/strong>\u201d,&nbsp; finaliza Cl\u00e1udia Pinho, coordenadora da Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneiras (Mato Grosso).<\/p>\n<p>&nbsp;<em>N\u00e3o acompanhou a Audi\u00eancia P\u00fablica? Assista agora:<\/em><\/p>\n<p><iframe width=\"560\" height=\"315\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/T4_TVK4tx0E\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" data-load-mode=\"0\"><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;Fotos: Articula\u00e7\u00e3o Agro \u00e9 Fogo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nem chegamos ao per\u00edodo de estiagem e os inc\u00eandios j\u00e1 s\u00e3o maiores do que o ano passado. E quem mais sofre com isso s\u00e3o as comunidades tradicionais. Por Articula\u00e7\u00e3o Agro \u00e9 Fogo \u201cSe ele [fazendeiro] t\u00e1 pondo fogo na natureza, ele n\u00e3o est\u00e1 atingindo s\u00f3 mato, algumas pessoas e bicho, mas est\u00e1 atingindo ele no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-6267","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6267","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6267"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6267\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}