{"id":6281,"date":"2022-07-31T09:52:40","date_gmt":"2022-07-31T12:52:40","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/campanha-fospa-amazonia-cerrado\/"},"modified":"2026-09-09T22:24:39","modified_gmt":"2026-09-10T01:24:39","slug":"campanha-fospa-amazonia-cerrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/campanha-fospa-amazonia-cerrado\/","title":{"rendered":"Campanha promove debate sobre conex\u00f5es entre Cerrado e Amaz\u00f4nia durante o X F\u00f3rum Social Pan-Amaz\u00f4nico"},"content":{"rendered":"<p>A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado e o <a href=\"https:\/\/tribunaldocerrado.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tribunal Permanente dos Povos (TPP) em Defesa dos Territ\u00f3rios do Cerrado<\/a> realizaram ontem, 30 de julho, durante o X Fospa &#8211; F\u00f3rum Social Pan-Amaz\u00f4nico, a roda de conversa <strong>&#8220;Ecoc\u00eddio e sua rela\u00e7\u00e3o com o genoc\u00eddio dos povos: conex\u00f5es entre Cerrado e Amaz\u00f4nia&#8221;<\/strong>.<\/p>\n<p>Com a participa\u00e7\u00e3o de povos e comunidades tradicionais do Cerrado, membros de entidades, grupos acad\u00eamicos e articula\u00e7\u00f5es, o debate realizado no pr\u00e9dio da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), em Bel\u00e9m (PA), aconteceu em torno das conflu\u00eancias entre os dois biomas mais afetados pela minera\u00e7\u00e3o e agroneg\u00f3cio, e as pontes que podem ser estabelecidas entre diferentes lutas por direitos socioambientais para fazer frente ao avan\u00e7o do ecoc\u00eddio do Cerrado em curso e o genoc\u00eddio de seus povos.<\/p>\n<p>&#8220;O ecoc\u00eddio do Cerrado n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a morte dos nossos povos, mas o que vai matar tamb\u00e9m a nossa ancestralidade. Se n\u00e3o tenho o meu territ\u00f3rio que \u00e9 parte de mim, como vamos dizer que temos vida? A gente precisa estar vivo para cuidar do nosso territ\u00f3rio&#8221;, pontuou a quilombola Em\u00edlia Costa, do Movimento Quilombola do Maranh\u00e3o (Moquibom). Leandro Santos, quilombola da comunidade Cocalinho, em Parnarama, Maranh\u00e3o, fez eco \u00e0 fala de Em\u00edlia ao dizer que seus bisav\u00f3s est\u00e3o, hoje, enterrados em uma \u00e1rea que foi tomada pela empresa <a href=\"https:\/\/tribunaldocerrado.org.br\/casos\/caso-no14-ma-comunidades-quilombolas-de-cocalinho-e-guerreiro-x-suzano-papel-e-celulose-e-fazendas-de-soja\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Suzano Papel e Celulose<\/a> para o plantio de eucalipto, o que tornou invi\u00e1vel o acesso da comunidade ao cemit\u00e9rio ancestral.<\/p>\n<p>Durante a conversa foram apresentados dados, mapas e outras informa\u00e7\u00f5es sobre o Cerrado, suas caracter\u00edsticas e converg\u00eancias com a Amaz\u00f4nia, e sobre os saberes dos povos que aprenderam a se envolver com a savana e nela encontrar sua identidade e sustento, sendo, ao mesmo tempo, fruto dela e seus mantenedores.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o se vive em um lugar sem saber se alimentar, sem fazer agricultura, sem ca\u00e7ar, pescar, sem entender os regimes das chuvas, sem fazer suas pr\u00f3prias moradias, ou seja, sem saber fazer arquitetura. Esse saber fazer que vai sendo constru\u00eddo, adaptado, \u00e9 fruto de inova\u00e7\u00e3o e testes dos quais esses povos s\u00e3o herdeiros, s\u00e3o eles que det\u00eam esse conhecimento associado \u00e0 biodiversidade&#8221;, explicou Diana Aguiar, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e colaboradora da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado.<\/p>\n<h5>Senten\u00e7a do j\u00fari do TPP&nbsp;<\/h5>\n<p>Val\u00e9ria Santos, agente da Comiss\u00e3o Pastoral da Terrra (CPT) e membro da coordena\u00e7\u00e3o executiva da Campanha, trouxe para o debate o <a href=\"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/juri-do-tribunal-permanente-dos-povos-condena-estados-e-empresas-por-genocidio-de-povos-do-cerrado-estado-e-pm-do-ms-estao-na-lista-pelo-massacre-do-povo-guarani-e-kaiowa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">rec\u00e9m-divulgado veredito do j\u00fari<\/a> do Tribunal Permanente dos Povos (TPP) em Defesa dos Territ\u00f3rios do Cerrado, que traz um resumo do documento apresentado ao vivo em 10 de julho em Goi\u00e2nia (GO), no \u00faltimo dia da Audi\u00eancia Final do TPP.<\/p>\n<p>&#8220;A import\u00e2ncia de fazer a discuss\u00e3o sobre o veredito e condena\u00e7\u00e3o do estado brasileiro pelo TPP passa por pensar nas conex\u00f5es da Amaz\u00f4nia-Cerrado, j\u00e1 que as empresas multinacionais t\u00eam atua\u00e7\u00e3o em ambos biomas e em territ\u00f3rios que n\u00e3o t\u00eam fronteiras. Nesse sentido, \u00e9 importante olhar para o veredito e para a condena\u00e7\u00e3o al\u00e9m dos biomas e fronteiras politicamente estabelecidas&#8221;, ressaltou Val\u00e9ria.<\/p>\n<p>A advogada Joice Bonfim destacou a import\u00e2ncia pol\u00edtica do Tribunal. &#8220;O TPP tem uma for\u00e7a pol\u00edtica muito grande que pode fazer com que a gente exija tanto mudan\u00e7as espec\u00edficas nos casos, quanto mudan\u00e7as estruturais. Por exemplo, o Tribunal condenou a Uni\u00e3o Europeia (UE) por conta do acordo com o Mercosul e por conta do desmatamento importado que n\u00e3o considera o Cerrado. Esse veredito vai chegar \u00e0 UE. O TPP condenou a China por um processo massivo de importa\u00e7\u00e3o de comoditties sem considerar as dimens\u00f5es estruturais de devasta\u00e7\u00f5es que s\u00e3o provocadas. \u00c9 preciso usar a for\u00e7a pol\u00edtica da articula\u00e7\u00e3o e a for\u00e7a que o pr\u00f3prio tribunal tem cinquenta anos condenando viola\u00e7\u00f5es dos estados e dando visibilidade internacional. \u00c9 preciso construir processos de transforma\u00e7\u00f5es locais e estruturais.&#8221;<\/p>\n<h5>Marco Temporal<\/h5>\n<p>O vice-cacique Davi Krah\u00f4, da aldeia Takaywr\u00e1, no munic\u00edpio de Lagoa da Confus\u00e3o (TO) trouxe, por fim, um elemento central do debate, que \u00e9 a discuss\u00e3o da tese do<a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2021\/07\/marco-temporal-marca-do-atraso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Marco Temporal<\/a> em pauta no Supremo Tribunal Federal (STF), que pretende retirar dos povos ind\u00edgenas seu direito origin\u00e1rio \u00e0 terra e ao territ\u00f3rio. Para Davi, hoje os povos ind\u00edgenas vivem um grande retrocesso em seus direitos porque o atual governo brasileiro n\u00e3o aceita a demarca\u00e7\u00e3o de suas terras. &#8220;O atual presidente da Funai (Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio), nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro, segura os processos de demarca\u00e7\u00e3o de terras, influenciado pela bancada ruralista, que trava as demarca\u00e7\u00f5es. O marco temporal era para ter sido julgado em junho desse ano pelo STF, mas foi <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/noticias\/890073-indefinicao-sobre-marco-temporal-abre-brecha-para-perseguir-liderancas-indigenas-afirmam-debatedores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">retirado de pauta<\/a>. Enquanto n\u00e3o sai o julgamento, a Funai usa isso como desculpa para n\u00e3o dar andamento aos processos de demarca\u00e7\u00e3o. A gente precisa que o STF d\u00ea uma resposta logo, e que os ministros do STF sejam contra o marco temporal, porque nossos direitos n\u00e3o come\u00e7aram em 1989, nosso direito \u00e9 origin\u00e1rio. Quando os europeus chegaram aqui a gente j\u00e1 vivia nesse territ\u00f3rio chamado Brasil&#8221;, ressaltou Davi Krah\u00f4.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>&nbsp;Foto: Campanha Nacional em Defesa do Cerrado<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado e o Tribunal Permanente dos Povos (TPP) em Defesa dos Territ\u00f3rios do Cerrado realizaram ontem, 30 de julho, durante o X Fospa &#8211; F\u00f3rum Social Pan-Amaz\u00f4nico, a roda de conversa &#8220;Ecoc\u00eddio e sua rela\u00e7\u00e3o com o genoc\u00eddio dos povos: conex\u00f5es entre Cerrado e Amaz\u00f4nia&#8221;. 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