{"id":6328,"date":"2023-06-02T16:34:48","date_gmt":"2023-06-02T19:34:48","guid":{"rendered":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/audiencia-publica-agrotoxicos\/"},"modified":"2023-06-02T16:34:48","modified_gmt":"2023-06-02T19:34:48","slug":"audiencia-publica-agrotoxicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campanhacerrado.org.br\/campanha2026\/audiencia-publica-agrotoxicos\/","title":{"rendered":"C\u00e2mara dos Deputados realiza audi\u00eancia para discutir o impacto dos agrot\u00f3xicos em povos e comunidades tradicionais do Cerrado"},"content":{"rendered":"<p>Aconteceu na manh\u00e3 de ontem, 01\/06, na C\u00e2mara dos Deputados, em Bras\u00edlia, audi\u00eancia p\u00fablica sobre o impacto dos agrot\u00f3xicos em povos e comunidades tradicionais do Cerrado. A audi\u00eancia foi requerida pelo deputado federal Nilto Tatto (PT\/SP) para ouvir povos e comunidades tradicionais, a <strong>Campanha Nacional em Defesa do Cerrado<\/strong>, a <a href=\"https:\/\/contraosagrotoxicos.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Campanha Permanente Contra os Agrot\u00f3xicos e Pela Vida<\/strong><\/a> e a <strong>Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz)<\/strong> sobre&nbsp; os resultados da pesquisa-a\u00e7\u00e3o<strong> <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3oB3Ogr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;Vivendo em territ\u00f3rios contaminados: um dossi\u00ea sobre agrot\u00f3xicos nas \u00e1guas do Cerrado&#8221;<\/a><\/strong>, lan\u00e7ada dia 30\/05.<\/p>\n<p>Compondo a mesa estavam Leila Lemes, da Campanha em Defesa do Cerrado; Nonata Nepomuceno, do Territ\u00f3rio Quilombola Cocalinho, em Parnarama (MA); Fran Paula, coordenadora-executiva da Campanha Contra os Agrot\u00f3xicos, Aline Gurgel, da Fiocruz, e Robson Rodrigues, da Secretaria de Sa\u00fade Ind\u00edgena, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. De forma virtual, participou Mariely Daniel, secret\u00e1ria de vigil\u00e2ncia em sa\u00fade ambiental, tamb\u00e9m do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Em sua apresenta\u00e7\u00e3o, a pesquisadora Aline Gurgel destacou alguns dados centrais do dossi\u00ea, como a contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas em todas as comunidades onde a pequisa foi realizada, nos estados da Bahia, Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goi\u00e1s. Glifosato, 2,4-D e Atrazina foram os agrot\u00f3xicos mais identificados nas amostras. Em alguns casos, at\u00e9 9 agrot\u00f3xicos diferentes foram encontrados em amostra retirada de fonte de \u00e1gua que as comunidades utilizam para beber, banhar, irrigar hortas e dar de beber a animais dom\u00e9sticos. &#8220;Qualquer dose diferente de zero nas amostras pode significar um dano, mas os valores s\u00e3o muito elevados, especialmente compar\u00e1veis com legisla\u00e7\u00f5es mais protetivas&#8221;, alertou Aline.<\/p>\n<h5>Casos do Tribunal do Cerrado<\/h5>\n<p>Leila Lemes, da Campanha em Defesa do Cerrado, lembrou que alguns dos dados apresentados no dossi\u00ea se referem a casos de comunidades apresentados ao Tribunal Permanente dos Povos (TPP) em Defesa do Cerrado, que teve seu <a href=\"https:\/\/tribunaldocerrado.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">veredito<\/a> apresentado pelo j\u00fari em julho de 2022. &#8220;Houve casos alarmantes de contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos, e relatos do uso do veneno como arma qu\u00edmica para atacar as comunidades, os povos do Cerrado&#8221;, alertou Leila.<\/p>\n<p>Nonata Raimunda Nepomuceno, do Territ\u00f3rio Quilombola Cocalinho, em Parnarama, Maranh\u00e3o, reiterou a fala da representante da Campanha em Defesa do Cerrado, e contou que em sua comunidade &#8211; uma das ouvidas pelo TPP &#8211; o envenenamento tem sido constante, tanto por meio de tratores, como por meio de avi\u00f5es. &#8220;As pessoas est\u00e3o cheias de coceira, morrendo de c\u00e2ncer. Isso \u00e9 alarmante para o nosso povo, a gente pede ajuda aos deputados. Beber \u00e1gua contaminada todo dia n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, plantar na terra contaminada n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. A gente precisa da ajuda de voc\u00eas pra sobreviver. Precisamos do nosso Cerrado vivo, e pra estar vivo, temos que proteger ele. Se existe Cerrado ainda, se existe \u00e1gua no cerrado, \u00e9 porque tem povo l\u00e1 que protege&#8221;, afirmou Nonata.<\/p>\n<p>&nbsp;<img decoding=\"async\" data-src=\"images\/foto_grupo_audiencia_agrotoxicos.jpeg\" alt=\"foto grupo audiencia agrotoxicos\" width=\"2032\" height=\"1524\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 2032px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 2032\/1524;\" \/><\/p>\n<h5>Agricultura quimicamente dependente<\/h5>\n<p>Para Fran Paula, da secretaria-executiva da Campanha Permanente Contra os Agrot\u00f3xicos e Pela Vida, os casos apresentados no dossi\u00ea n\u00e3o s\u00e3o isolados, e t\u00eam se repetido em outras regi\u00f5es ecol\u00f3gicas, al\u00e9m do Cerrado. &#8220;Esse modelo de desenvolvimento de agricultura quimicamente dependente tem sido estabelecido no estado brasileiro a custa do genoc\u00eddio dos ind\u00edgenas, quilomobolas, dos povos tradicionais. A contamina\u00e7\u00e3o acontece de forma intencional, para expulsar essas popula\u00e7\u00f5es das comunidades e assim garantir o avan\u00e7o da fronteira agr\u00edcola.&#8221;&nbsp;<\/p>\n<p>Fran Paula ainda lembrou que h\u00e1 ingredientes ativos nos agrot\u00f3xicos que s\u00e3o banidos na Europa, mas s\u00e3o utilizados no Brasil. &#8220;Lutamos pelo banimento dos produtos j\u00e1 banidos. Essa \u00e9 uma pauta que colocamos para o legislativo, pois h\u00e1 pesquisas e dados suficientes comprovando que esses produtos s\u00e3o altamente t\u00f3xicos para o ambiente e sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es.&#8221;&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"images\/fran_paula_audiencia_agrotoxicos.jpeg\" alt=\"fran paula audiencia agrotoxicos\" width=\"2389\" height=\"1593\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 2389px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 2389\/1593;\" \/><\/p>\n<h5>GT Interministerial<\/h5>\n<p>Entre as propostas apresentadas ao deputado federal Nilto Tatto, \u00e9 que a discuss\u00e3o sobre os agrot\u00f3xicos seja mais ampla, e atinja outros minist\u00e9rios, al\u00e9m da Sa\u00fade. &#8220;\u00c9 preciso criar um grupo de trabalho interministerial. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel continuar conversando s\u00f3 com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, tem que falar com Ibama, Meio Ambiente, Desenvolvimento Agr\u00e1rio, Direitos Humanos e Igualdade Racial, porque \u00e9 preciso falar do racismo ambiental. N\u00e3o temos como falar em guerra dos agrot\u00f3xicos, pois de um lado temos a ind\u00fastria qu\u00edmica e o agroneg\u00f3cio produzindo mortes, e do outro, temos os povos e territ\u00f3rios do Cerrado produzindo vida. Ent\u00e3o, o que temos, \u00e9 um processo de Eco-Genocidio&#8221;, alertou a secret\u00e1ria-executiva da Campanha Contra os Agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p><iframe width=\"560\" height=\"315\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YfxJ49bemis\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" data-load-mode=\"0\"><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p><em>&nbsp;Fotos: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ltcdm\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Let\u00edcia de Maceno<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aconteceu na manh\u00e3 de ontem, 01\/06, na C\u00e2mara dos Deputados, em Bras\u00edlia, audi\u00eancia p\u00fablica sobre o impacto dos agrot\u00f3xicos em povos e comunidades tradicionais do Cerrado. 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