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Ervanário São Francisco de Assis – Memórias, saberes e práticas de uma raizeira do Cerrado

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Este conteúdo é uma prévia da publicação de autoria de Tantinha Aparecida Arruda. A produção é uma realização do Ervanário São Francisco de Assis em parceria com a Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas (REDE) e a Articulação Pacari Raizeiras do Cerrado. Para adquirir a obra completa, faça contato com a própria escritora  (31) 9 8564-7083.

Sabonete de Coco Macaúba da Dona Raimunda

Raimunda Francisca Gonçalves Lopes é agricultora, mora na comunidade de Sapé, município de Jaboticatubas –MG, e participa, junto com o marido Dazinho – Dázio JoséLopes, da feira Raízes do Campo – a Feira Agroecológicade Jabó. O sabonete de dicuada do azeite do cocomacaúba, também conhecido por sabão preto, é oprincipal produto que Dona Raimunda leva para a feira.Aprendeu a fazer o sabonete com a sogra, Dona MariaBejamina, em 1992. De lá para cá, inovou a receitaacrescentando plantas medicinais que cuidam da pele edo cabelo.

Autoria de Raimunda Francisca Gonçalves Lopes e Dázio José Lopes. Belo Horizonte (MG), Novembro de 2020.

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Saberes dos Povos do Cerrado e Biodiversidade

A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado lança neste mês de dezembro o livro “Saberes dos Povos do Cerrado e Biodiversidade”, fruto de um amplo processo colaborativo. O livro é uma ode aos povos do Cerrado, verdadeiros guardiões e multiplicadores das riquezas dessa imensa região.

Os povos do Cerrado são diversos. São indígenas de tronco Macro-Jê (como os Xerente, Xakriabá, Apinajé e Xavante), mas também Tupi-Guarani (como os Guarani e Kaiowá) e Arawak (como os Terena). São comunidades quilombolas, como os Kalunga, os jalapoeiros e centenas de outras pelos sertões do Cerrado. São comunidades tradicionais, tão diversas como o próprio Cerrado e que têm suas vidas entrelaçadas nas árvores e plantas, bichos, chapadas, vales e águas da região, como as quebradeiras de coco-babaçu, raizeiras, geraizeiras, fecho de pasto, apanhadoras de flores sempre-vivas, benzedeiras, retireiras, pescadoras artesanais, vazanteiras e pantaneiras. São, ainda, as assentadas e assentados de reforma agrária e outras populações de base camponesa.

Os artigos que compõem este livro ecoam a memória ancestral de que as paisagens onde a biodiversidade do Cerrado vibra não são representações de uma natureza intocada, mas sim patrimônios históricos e socioculturais, fruto da convivência e cuidado dos povos com o Cerrado. Ao mesmo tempo, os relatos e análises mostram que esses saberes tradicionais vão se transformando, sendo desenvolvidos e continuamente testados, adaptados e reinventados por meio do manejo consciente das paisagens, ao longo de inúmeras gerações, e por isso mesmo são resilientes, diversos e apropriados a cada lugar. Essa conexão entre tradição e inovação — em meio a uma profunda crise ecológica mundial e mesmo após décadas de devastação do Cerrado pelo agronegócio monocultural — está entre os maiores legados dos povos do Cerrado, partilhando horizontes de vida, agora, e para o futuro.


Diana Aguiar é assessora política da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado e Pesquisadora de Pós-Doutorado no CPDA/UFRRJ. Helena Lopes é especialista em Agroecologia e Justiça Climática da ActionAid e Doutoranda em Ciências Sociais no CPDA/UFRRJ. Ambas coordenam esta publicação.