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Antes de votar, conheça as candidaturas que se comprometeram com o Cerrado e seus povos

Campanha #VotePeloCerrado reúne mais de 50 assinaturas de candidatas e candidatos de diferentes estados brasileiros

Titulação de territórios quilombolas e tradicionais, demarcação de terras indígenas, combate ao desmatamento, à violência no campo e à grilagem, proteção das águas como direito fundamental e fortalecimento da agroecologia e da agricultura familiar. Esses são alguns dos temas presentes na Carta-Compromisso com o Cerrado e seus Povos, lançada pela campanha #VotePeloCerrado para as eleições de 2026.

Disponível para assinatura de candidatas e candidatos aos cargos do Executivo e do Legislativo, nos âmbitos estadual e federal, a carta reúne oito compromissos considerados centrais para a proteção do da região ecológica, de suas águas, de seus territórios e dos povos e comunidades que vivem no Cerrado.

A iniciativa parte de uma constatação que ultrapassa a pauta ambiental. O Cerrado é estratégico para a segurança hídrica, alimentar e climática do país. O bioma abastece oito das 12 grandes regiões hidrográficas brasileiras e sua vegetação tem papel fundamental na recarga dos aquíferos e na manutenção dos rios que atravessam diferentes regiões do Brasil.

Ao mesmo tempo, mais da metade de sua vegetação nativa já foi destruída. Em 2024, o Cerrado perdeu 652.197 hectares de vegetação nativa, segundo dados do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil 2024 (RAD 2024), do MapBiomas, e 75% dessa área desmatada estava concentrada no Matopiba, região que reúne partes dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

A crise também é hídrica. Segundo o MapBiomas Águas, nas últimas quatro décadas, 91% das bacias hidrográficas do Cerrado sofreram redução de sua superfície de água natural, afetando a disponibilidade hídrica em mais de 300 municípios.

Esse processo tem consequências diretas sobre povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais que vivem nesta região – populações que desenvolveram, ao longo de gerações, modos de vida e práticas de manejo associados à relação com a sociobiodiversidade e as águas de seus territórios ‘cerradeiros’.

É nesse contexto que a carta-compromisso coloca uma questão no centro do debate eleitoral: quais políticas públicas e decisões institucionais podem garantir a proteção do Cerrado, de suas águas e dos direitos dos povos que vivem em seus territórios?

O que está sendo proposto

Construída a partir da articulação entre organizações e movimentos da sociedade civil vinculados à Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, à Rede Cerrado e à Campanha Cerrado Coração das Águas, a carta apresenta oito compromissos:

  1. Proteger o Cerrado e garantir seu reconhecimento como patrimônio nacional;
  2. Proteger as águas como direito fundamental;
  3. Garantir terra, território e autodeterminação dos povos;
  4. Combater a grilagem e a violência no campo;
  5. Enfrentar os impactos dos grandes empreendimentos e garantir a Consulta Livre, Prévia e Informada;
  6. Promover a agroecologia e fortalecer a agricultura familiar;
  7. Valorizar a sociobiodiversidade e a soberania alimentar;
  8. Garantir saúde, educação, participação popular e condições dignas de vida.

Mais do que enunciados gerais, o documento apresenta uma série de medidas concretas relacionadas a esses compromissos.

Entre elas está o fortalecimento do combate à grilagem, à grilagem verde, à invasão de territórios e à violência contra povos, comunidades, agricultores e agricultoras e defensoras e defensores do Cerrado. O documento também propõe a consolidação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) de povos e comunidades tradicionais e a invalidação de registros que incidam sobre esses territórios e sobre assentamentos.

Outro eixo é a garantia dos direitos territoriais. A carta propõe priorizar a demarcação e proteção das terras indígenas, a titulação dos territórios quilombolas e a criação de instrumentos legais para o reconhecimento e a destinação de terras aos diferentes segmentos de povos e comunidades tradicionais. Também defende uma política efetiva de reforma agrária e o acesso das famílias assentadas a políticas públicas estruturantes, especialmente aquelas voltadas à agricultura familiar.

A proposta também trata dos impactos de grandes obras e empreendimentos. Rodovias, ferrovias, hidrovias, hidrelétricas, barragens, projetos de mineração, exploração de combustíveis fósseis e empreendimentos de geração de energia, entre outros, devem considerar os direitos dos povos e comunidades afetados. Nesse ponto, a carta reivindica o cumprimento integral da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Consulta Livre, Prévia e Informada.

Água no centro do debate

A proteção das águas aparece como outro eixo fundamental do documento. A carta propõe garantir o acesso prioritário à água para consumo humano e dessedentação animal, proteger nascentes, rios, veredas e áreas de recarga e preservar aquíferos como Urucuia, Bambuí e Guarani.

Também estão entre as propostas o enfrentamento da contaminação e da apropriação abusiva das águas por agrotóxicos, mineração e grandes empreendimentos; a revisão dos critérios de concessão de outorgas de uso da água e de licenciamento ambiental quando houver impactos sobre a dinâmica hídrica; e o fortalecimento da fiscalização dos volumes efetivamente utilizados.

A carta ainda defende que água e saneamento básico sejam tratados como direitos fundamentais, com participação dos povos e comunidades na governança das águas, especialmente comunidades ribeirinhas e pesqueiras. Também propõe ampliar o uso de tecnologias sociais de convivência com a escassez hídrica diante dos efeitos das mudanças climáticas e da redução da vazão de rios do Cerrado.

O Cerrado como questão política

O conjunto das propostas mostra que a defesa do Cerrado não se restringe à criação de áreas protegidas ou ao combate ao desmatamento. Envolve também terra, água, direitos territoriais, produção de alimentos, agricultura familiar, saúde, educação, participação social e formas que sejam de fato sustentáveis de desenvolvimento. Incorpora, sobretudo, o direito à vida de seus povos indígenas e tradicionais em seus territórios de direito.

É justamente por isso que o debate sobre o futuro do Cerrado e de seus povos também passa pelas eleições. Quem ocupa cargos no Executivo e no Legislativo participa de decisões que definem leis, políticas públicas, orçamento e prioridades que incidem diretamente sobre os territórios e sobre a vida de milhões de pessoas. 

Antes de votar no próximo domingo, dia 4 de outubro, conheça as candidaturas que firmaram compromisso com a defesa do Cerrado e com a vida de seus povos. Acesse a lista completa em https://votepelocerrado.org.br/. 

LISTA COMPLETA DE CANDIDATURAS SIGNATÁRIAS DA CARTA-COMPROMISSO COM O CERRADO E SEUS POVOS

NOME NA URNANÚMEROCARGOPARTIDOUF
ANTONIO ZAYEK18018DEPUTADO ESTADUALREDEGO
MIRANDA GOMES18081DEPUTADO DISTRITALREDEDF
MADU K50700DEPUTADO DISTRITALPSOLDF
MÁRCIA ABRAHÃO1331DEPUTADO FEDERALPTDF
DANDARA1334DEPUTADO FEDERALPTMG
FÁBIO FELIX5050DEPUTADO FEDERALPSOLDF
DUDA SALABERT5050DEPUTADO FEDERALPSOLMG
RODRIGO AGOSTINHO4015DEPUTADO FEDERALPSBSP
SÔNIA GUAJAJARA5088DEPUTADO FEDERALPSOLSP
ROSILENE CORRÊA1333DEPUTADO FEDERALPTDF
RAPHAEL SEBBA40200DEPUTADO DISTRITALPSBDF
TALÍRIA PETRONE5077DEPUTADO FEDERALPSOLRJ
TARCÍSIO MOTTA5000DEPUTADO FEDERALPSOLRJ
ERIKA KOKAY131SENADORPTDF
MAX MACIEL50100DEPUTADO DISTRITALPSOLDF
FABIANO CONTARATO133SENADORPTES
CHICO ALENCAR5050DEPUTADO FEDERALPSOLRJ
LEILA DO VÔLEI123SENADORPDTDF
GABRIEL MAGNO13131DEPUTADO DISTRITALPTDF
ALENCAR SANTANA1358DEPUTADO FEDERALPTSP
SÂMIA BOMFIM5000DEPUTADO FEDERALPSOLSP
GISELLE MARQUES1300DEPUTADO FEDERALPTMS
TIAGO BOTELHO13123DEPUTADO ESTADUALPTMS
LILIA MONTEIRO1810DEPUTADO FEDERALREDEGO
NILTO TATTO1353DEPUTADO FEDERALPTSP
KEKA BAGNO50123DEPUTADO DISTRITALPSOLDF
ADRIANA ARAUJO1310DEPUTADO FEDERALPTMG
ANTÔNIO MARCOS DO MST13333DEPUTADO ESTADUALPTTO
CÉLIA XAKRIABÁ5088DEPUTADO FEDERALPSOLMG
NARUBIA WERRERIA1377DEPUTADO FEDERALPTTO
NATÁLIA RINCO4055DEPUTADO FEDERALPSBGO
ANTÔNIA CARIONGO5050DEPUTADA FEDERALPSOLMA
BERÊ DARC65180DEPUTADA DISTRITALPCdoBDF
FELIPE GOMES50321DEPUTADO ESTADUALPSOLMG
AVANILSON KARAJÁ4333DEPUTADO FEDERALPVTO
NONATO MORAES50000DEPUTADO ESTADUALPSOLMA
LUIZA RIBEIRO13700DEPUTADO ESTADUALPTMS
KÁTIA13013DEPUTADA ESTADUALPTGO
EDY CESAR13000DEPUTADO ESTADUALPTTO
PROF. REGINALDO VERAS4343DEPUTADO FEDERALPVDF
VÂNIA DO MST1333DEPUTADA FEDERALPTMA
JU DOS TIGRADOS4300DEPUTADA FEDERALPVDF
ROLLEMBERG4040DEPUTADO FEDERALPSBDF
EDUARDO BRANDÃO43000DEPUTADO DISTRITALPVDF
REGINALDO LOPES1312DEPUTADO FEDERALPTMG
MARINA BRAGANTE40444DEPUTADA ESTADUALPSBSP
GILVAN ALVES13789DEPUTADO ESTADUALPTMA
HÉLLEM COSTA QUILOMBOLA13888DEPUTADA ESTADUALPTGO
MARQUINHO LEMOS13139DEPUTADA ESTADUALPTMG
ROGÉRIO CORREIA1313DEPUTADO FEDERALPTMG
CARLOS LULA40789DEPUTADO ESTADUALPSBMA
BIRA DO PINDARÉ1311DEPUTADO FEDERALPTMA
MARCIEL5060DEPUTADO FEDERALPSOLBA
ANGELA SILVA12555DEPUTADO ESTADUALPDTMA
FABRICIO ROSA13000DEPUTADO ESTADUALPTGO
ELIZIANE GAMA133SENADORPTMA
VALÉRIA ANASTÁCIO18020DEPUTADO ESTADUALREDEGO

*Lista extraída do site da Campanha em 02/10/2026. Para conferir a versão mais atual acesse votepelocerrado.org.br


*Bruno Santiago é coordenador de comunicação da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado