Pelo Brasil, pelo Cerrado e por seus povos, vote Lula
Nota pública da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado
A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, articulação que reúne mais de 60 organizações da sociedade civil e se soma à luta de povos indígenas, comunidades tradicionais e camponesas, manifesta seu apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições brasileiras.
Há dez anos, defendemos os direitos, as vidas e os territórios dos povos do Cerrado, sua sociobiodiversidade e seus bens naturais. Acreditamos que defender o Cerrado é defender as águas, a soberania nacional, a democracia e o futuro do Brasil.
A eleição de Flávio Bolsonaro representaria um grave retrocesso nas políticas ambientais e fundiárias, uma ameaça aos direitos territoriais e um risco à proteção dos bens naturais e das populações que vivem e cuidam de nossos biomas. Essa posição se fundamenta em fatos e no passado recente do país.
Durante o governo Jair Bolsonaro (2019–2022), o desmatamento do Cerrado cresceu continuamente, passando de 6.319 km² em 2019 para 11.012 km² em 2022. Ao longo do período, mais de 33.700 km² de vegetação nativa foram suprimidos, segundo dados do PRODES/INPE.¹ Também foram enfraquecidas políticas de proteção ambiental e territorial, enquanto a violência no campo e as ameaças aos povos e comunidades tradicionais persistiram e escalaram.
Já no terceiro governo Lula, o desmatamento recuou após o pico registrado em 2023. Segundo dados do PRODES/INPE, a taxa caiu de 11.129 km² naquele ano para 7.235 km² em 2025.² Os alertas validados pelo MapBiomas também registraram redução entre 2023 e 2025.³ Esses resultados reforçam a importância de políticas públicas de monitoramento, fiscalização e combate à devastação e aos incêndios criminosos, que precisam ser mantidas e aprofundadas.
O legado do governo Bolsonaro também inclui retrocessos na política fundiária e de demarcação de terras indígenas, fragilização da proteção de territórios indígenas e redução dos recursos destinados à titulação de territórios tradicionais.
A violência no campo vivida durante a gestão de Jair revela a gravidade de uma possível eleição da família Bolsonaro: em 2019, os conflitos no Cerrado ampliado atingiram 64.553 famílias, segundo a Comissão Pastoral da Terra.⁴ Em 2022, o Tribunal Permanente dos Povos condenou o Estado brasileiro por Eco-Genocídio do Cerrado e de seus povos.⁵
Cabe destacar que milhares de famílias de povos camponeses, indígenas e tradicionais do Cerrado passaram fome e viviam abaixo da linha da pobreza durante o governo Bolsonaro. No governo Lula, por mais que ainda haja muito pelo que lutar e para conquistarmos, o Brasil saiu do mapa da fome (FAO/ONU) e políticas como o bolsa-família, Pé de meia e incentivos à agricultura familiar contribuem para que essas populações vivam de maneira digna.
Diante desse histórico, apoiar Lula é assumir posição em defesa da democracia, dos direitos territoriais e da reconstrução e continuidade das políticas públicas de proteção ambiental e de assistência social. É também fortalecer as condições para seguir lutando contra o desmatamento, a grilagem, a violência no campo e a expansão predatória do agronegócio, pela demarcação e titulação dos territórios, pela agricultura familiar e pela agroecologia.
Nosso apoio não significa abrir mão de autonomia ou criticidade, pelo contrário. Seguiremos cobrando compromissos, denunciando retrocessos e exigindo medidas concretas para garantir os direitos dos povos e comunidades do Cerrado. Mas para que isso aconteça é preciso que haja democracia e espaço para participação social.
Pelo Cerrado, pela democracia e pela vida. Pelo Brasil e por seus povos: vote Lula!
Campanha Nacional em Defesa do Cerrado
Fontes: ¹ ² PRODES/INPE — TerraBrasilis. ³ MapBiomas Alerta — Plataforma de Estatísticas. ⁴ Comissão Pastoral da Terra — Relatório Conflitos no Campo Brasil 2019. ⁵ Tribunal Permanente dos Povos — Sentença Final do Julgamento do Ecocídio do Cerrado e Genocídio Cultural de seus Povos (2022).