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Autor: Campanha Nacional em Defesa do Cerrado

Cidade de Goiás (GO) recebe o encontro “O grito e a resistência no Cerrado”

A Cidade de Goiás (GO) sedia, amanhã (9), a quarta edição do encontro “O grito e a resistência no Cerrado: sabores, saberes e fazeres dos povos deste chão”. O encontro tem objetivo promover a valorização pessoal e coletiva dos povos tradicionais do Cerrado goiano, seus saberes e fazeres, e proporcionar o intercâmbio entre as várias comunidades da cidade e do campo, além de envolver estudantes da rede pública e particular, e oferecer acesso à informação sobre a melhoria alimentar e as práticas populares de saúde.

(Por CPT Goiás | Imagem: Elvis Marques/CPT)

Esse encontro também apresenta os resultados da agricultura camponesa, inclusive das experiências agroecológicas na região. Desta forma, “O grito e a resistência no Cerrado” contribui para a melhoria ambiental global, ao buscar a proteção do Cerrado, sua biodiversidade e suas águas, por meio da proteção da cultura das populações tradicionais e suas relações saudáveis com o ambiente em que vivem, evidenciando e estimulando as ações de manejo sustentável em contraponto ao desmatamento.

O Encontro tem diversas atividades que acontecem simultaneamente no espaço montado atrás da Catedral de Santana, no Centro da Cidade de Goiás, e nos jardins do Palácio Conde dos Arcos. São palestras, exposições fotográficas, apresentações culturais, oficinas de preparação de garrafadas medicinais, raizeiros, benzedeiras, fiandeiras, violeiros, folia, fabricação de artesanatos em cerâmica, distribuição de sementes e mudas do Cerrado.

E nesta edição do evento serão lançados dois livros e a Campanha Nacional de Defesa do Cerrado, promovida pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e dezenas de outras organizações e entidades.

O encontro “O grito e a resistência no Cerrado: Sabores, saberes e fazeres dos povos deste chão” é uma realização da Diocese de Goiás, através das Pastorais da Terra e da Saúde e dezenas de outros parceiros, apoio das escolas da cidade, movimentos sociais do campo, entidades da sociedade civil e instituições de ensino superior.

Amanhã, às 08 horas, também acontecerá, na Igreja Catedral de Santana, o debate de encerramento do II Seminário Nacional Agrotóxicos – Impactos Socioambientais e Direitos Humanos. E às 11 horas apresentação musical com Pedro Munhoz e Victor Batista.

Este ano o evento termina com a apresentação do espetáculo musical “Puro Brasileiro”, ás 20 horas, no jardim do Palácio Conde dos Arcos. É um trabalho teatral que mergulha em versões de sonoridade da Música Sertaneja Raiz, e ainda resgata causos, catiras e canções do folclore Goiano.

A programação completa segue abaixo.

SERVIÇO:

O grito e a resistência no Cerrado: Sabores, saberes e fazeres dos povos deste chão.

Travessa da Catedral Santana, Centro, s/n – Cidade de Goiás, GO

Sexta-feira-feira, 09 de setembro de 2016, das 8 às 22 horas. Entrada franca.

Contatos: Aguinel Fonseca – aguinel.fonseca@bol.com.br – (062) 99651-1676

Maria Luiza da Silva Oliveira – marialgoias@yahoo.com.br – (062) 3371-4736

3ª Semana e Romaria do Cerrado acontecem no Oeste baiano

A 3ª Semana e Romaria do Cerrado ocorrem entre os dias 02 e 10 de setembro em Canápolis, Oeste da Bahia. O evento tem como tema “Cerrado em Pé: Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida”. Confira mais informações:

Carta Convocatória da 3ª Semana do Cerrado

A realização da Semana do Cerrado no Oeste da Bahia surge a partir do contexto de intensa degradação deste bioma. Assim, sentido a necessidade de “dar voz” e “fazer ecoar” o “clamor” do Cerrado e do seu povo, as comunidades geraizeiras, entidades, organizações e movimentos sociais que atuam na região, tomaram a iniciativa de realizar a 1ª Semana do Cerrado envolvendo municípios na Bahia e no Norte de Minas, e teve sua culminância com a 1ª Romaria do Cerrado em Côcos, setembro/2014. Nesta Romaria foi entregue, de forma simbólica a um morador da comunidade de Riacho do Meio/Côcos, uma cruz de madeira, simbolizando o “calvário” dos povos Geraizeiros. Em setembro de 2015 foi realizada a 2ª Semana do Cerrado, que teve como objetivo o aprofundamento das reflexões entorno do Cerrado em um grande Seminário, com destaque para a criação do MATOPIBA. A culminância desta semana, assim como na 1ª semana, foi à realização da 2ª Romaria do Cerrado, onde o símbolo do “Calvário Geraizeiro” foi entregue a uma moradora da comunidade de Pedra Branca/Correntina, que tem como padroeiro São Francisco de Assis, “Santo da Ecologia Integral”.

As Semanas do Cerrado tem como objetivo a realização de visitas para levantamento de realidade; trocas de experiências; reuniões; palestras; celebrações nas comunidades, escolas e igrejas; audiências com órgãos públicos; seminários de formação e encaminhamentos; partilha de saberes e sabores nas comemorações culturais. Tais ações vão a cada ano dando ampla visibilidade aos problemas vividos pelo Cerrado e os seus povos, as Romarias do Cerrado, se somam a estas outras ações e por meio de rádios, faixas, panfletos e o “boca a boca” fazem com que milhares de pessoas se juntem entorno de um único objetivo a “Vida do Cerrado”.

A participação da sociedade civil junto aos organizadores destes eventos mostra o quanto este bioma é fundamental para nossas vidas. As vivências experimentadas, por meio da troca de saberes, trabalho voluntário, acolhimento solidário, integração de organizações e a exaltação a fé e a esperança como elementos fundamentais para a manutenção do “Cerrado em Pé” são elementos marcantes diante uma conjuntura hostil. Mantendo a tradição iniciada em Côcos em 2014, o “Calvário Geraizeiro”, que não é só dor e luto, mas inspiração à criatividade, à resistência, à luta e às ações na defesa do Cerrado fez a sua clausura durante um ano, junto a São Francisco de Assis na Pedra Branca, e agora é a hora de voltar às ruas, para como o “lenho da cruz” nos iluminar na construção de “Outro Mundo Possível”.

Impulsionados pela experiência das Semanas e Romarias do Cerrado realizadas anteriormente, e pela memória dos mártires da região, em especial a de Isaias Cândido de Souza, assassinado em Canápolis no dia 11 de setembro de 1983, que por uma triste coincidência é também o “Dia Nacional do Cerrado”, assim a 3ª Semana e Romaria do Cerrado será realizada em Canápolis-BA, entre os dias 02 a 10 de setembro de 2016. Este município, que já foi sinônimo de fartura com a cana de açúcar, a rapadura, os roçados, as veredas daí o nome Canápolis, por “conta de seus extensos canaviais”, hoje vive momentos de angústia por conta dos impactos socioambientais sobre os (as) Agricultores (as) Familiares, responsáveis pela economia do município. A grilagem, os desmatamentos, a escassez da água hoje assolam este povo sofrido, que com fé e esperança aceitou serem os condutores do “Calvário Geraizeiro”, e assim denunciar os desmandos do Agronegócio e anunciar que há outras formas de conviver com o “Cerrado em Pé” para que não tenhamos que viver “Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida”.

O Cerrado é o bioma mais antigo do Brasil, pois a sua formação iniciou-se há cerca de 65 milhões de anos, sendo que a ocupação humana se dá há cerca de 10 mil anos antes do presente. Sua abrangência é de 192,8 milhões de hectares (22,65 % do território brasileiro), e está presente em 13 estados do Brasil, onde vivem aproximadamente 22 milhões de pessoas. Sua rica biodiversidade, com 14 fitofisionomias (microambientes), nos faz repensar que o correto seria chamar o que é Cerrado, no singular, de Cerrados, no plural. Nestas 14 fitofisionomias, estão 6.000 espécies de árvores, 837 espécies de aves, 195 espécies de mamíferos, 780 espécies de peixe e 113 espécies de anfíbios.

Por sua importância na produção de água, ao contribuir com as principais bacias hidrográficas brasileiras, o Cerrado é hoje conhecido como “Caixa D’água do Brasil” ou “Cumeeira da América do Sul”. Na Bahia, este bioma ocupa 21,4% da área do estado, que representa a área de recarga do Aquífero Urucuia, onde estão localizadas 03 bacias hidrográficas perenes: rio Carinhanha, rio Corrente e rio Grande seus afluentes e subafluentes, que segundo Hidrólogos da Agência Nacional de Águas-ANA, contribui em média com 30 % da vazão média natural em Sobradinho, alcançando valores entre 80 % e 90 % no período de estiagem, entre os meses de agosto e outubro.

Os dados recentes são “alarmantes”, visto o ritmo acelerado com que licenciamentos para desmatamentos e outorgas para a retirada de água estão se dando no Oeste da Bahia. Esta região fora incluída recentemente, em uma nova região geográfica brasileira, criada a partir dos interesses da expansão das fronteiras agrícolas junto aos estados do Maranhão, Tocantins e Piauí, consolidando o projeto denominado de MATOPIBA. Para o povo que vive e depende do Cerrado esta será a “Cartada final”, contra as áreas ainda preservadas, que são produtoras de água e mantenedoras da vida.

Alegres e confiantes, o povo organizado do Oeste da Bahia estará realizando a 3ª Semana e Romaria do Cerrado, com o tema “Cerrado em Pé: Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida”. Contamos com o envolvimentos de todos (as) durante o período de 02 a 09 de setembro de 2016 nas atividades da Semana do Cerrado, e a fim de conduzir pela 3ª vez o “Calvário Geraizeiro” às ruas que se façam presentes em Canápolis-BA no dia 10 de 2016. E que em sinal de esperança e fé possamos juntos dizer: “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. Vinde adoremos!”

Organização: Paróquia de Canápolis, STR de Canápolis, Paróquia de Cocos, Paróquia de Correntina, PJMP, Pastorais, EFAPA, ACEFARCA, CPT, Pastoral do Meio Ambiente, MAB, APSFVIVO, AATR-BA, AAVV, STR de Correntina, Coletivo de Fundo e Fechos de Pasto, RODA, Movimento de Mulheres, SINDTEC, STR de Santa Maria da Vitória, STR de Cocos, Irmãs Filhas de Fátima, Guardados de Hermes – Comunidades Rurais de Canápolis, Santana, Serra Dourada, Cocos, Coribe, Jaborandi, Correntina, Santa Maria da Vitória–BA.

Organize, divulgue e participe – Contamos com a sua participação!

Comissão Organizadora da 3ª Semana e Romaria do Cerrado.

 Mais informações:

CPT Bahia: (71) 3328-4672 / 3329-5750

Campanha em Defesa do Cerrado será lançada nesta terça-feira, 27, em Brasília

A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, que tem como tema “Cerrado, Berço das Águas: Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida”, será lançada durante coletiva de imprensa, às 14 horas desta terça-feira, dia 27, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília. Após coletiva, os/as participantes promoverão um debate sobre o Cerrado.

“A Campanha, que já conta com a participação de 36 organizações, é fundamental para que todos conheçam o patrimônio histórico, cultural e biológico do Cerrado – seus povos, sua biodiversidade, e sua importância para a vida na terra –, já que sem Cerrado não há água e nem vida”, destaca Isolete Wichinieski, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) – uma das entidades que faz parte da Campanha.

Participarão da mesa de lançamento a antropóloga e professora da Universidade de Brasília (UNB), Mônica Nogueira; o indígena Elson Guarani Kaiowá; a liderança do Movimento Quilombola do Maranhão (Moquibom), Zilmar Pinto Mendes; Pedro Alves dos Santos, da Articulação Camponesa do Tocantins; e Isolete Wichinieski, da CPT.

Sabia que 52% do Cerrado já foram destruídos? A Campanha tem como objetivo também alertar a sociedade e denunciar a destruição do Cerrado e as violências contra os povos e comunidades que vivem neste espaço. Zilmar e Pedro, por exemplo, são de estados atingidos pelo Plano de Desenvolvimento Agropecuário do MATOPIBA. E o indígena Elson, Guarani Kaiowá do Mato Grosso Sul, denunciará as inúmeras violências e violações contra seu povo.

Água – A água é o tema central da Campanha. Mas por que essa escolha? O Cerrado é conhecido como a “caixa d´água do Brasil” e “berço das águas”, pois é neste espaço territorial onde nascem as três maiores bacias hidrográficas da América do Sul, Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata. “Nós dependemos de água para viver. 70% do nosso corpo é agua”, ressalta Isolete. “Defender o Cerrado é preservar as águas, é preservar a vida e todos e todas são responsáveis por isso”, completa.

A Campanha – A campanha é promovida por 36 organizações, movimentos sociais, e entidades religiosas, como a CNBB. Esse grupo, em sintonia com povos e comunidades do Cerrado, tem olhado com preocupação para o bioma, que tem sofrido ações devastadoras nos últimos tempos, assim como as pessoas que vivem nesse espaço.

“A campanha tem várias dimensões. Uma primeira é dar visibilidade à presença da diversidade humana, cultural e natural do Cerrado. Outra é visibilizar a importância do bioma para o conjunto da vida em outras regiões, isso quanto à questão da água, por exemplo. E ainda, por outro lado, mostrar como tudo isso está em risco. Por isso não é só uma campanha dos povos e organizações do Cerrado, mas de todos brasileiros”, destaca Gilberto Vieira, membro do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), organização que também compõe a Campanha.

Objetivos da Campanha – Pautar e conscientizar a sociedade, em nível nacional e internacional, sobre a importância do Cerrado e os impactos dos grandes projetos do agronegócio, da mineração e de infraestrutura; dar visibilidade à realidade das Comunidades e Povos do Cerrado, como representantes da sociobiodiversidade, conhecedores e guardiões do patrimônio ecológico e cultural dessa região; fortalecer a identidade dos Povos do Cerrado, envolvendo a população na defesa do bioma e na luta pelos seus direitos; e manter intercâmbio entre as comunidades dos Cerrados brasileiros com as comunidades de Moçambique, na África, impactadas pelos projetos do Programa Pró-Savana.

SERVIÇO:

Lançamento da Campanha em Defesa do Cerrado: “Cerrado, Berço das Águas: Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida”.

Onde? Sede da CNBB – Brasília/DF – Setor de Embaixadas Sul, 801, Conjunto B.

Mais informações:

Elvis Marques (assessoria de comunicação): (62) 9 9309-6781

Isolete Wichinieski (Campanha em Defesa do Cerrado): (62) 9 8186-6964

Saiba mais:

Facebook: Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida

E-mail: semcerrado@gmail.com

Documentário ‘Sertão Serrado’ abre Mostra de Lançamento Nacional do FICA, em Goiás

Sertão Serrado, curta de 30 minutos, abriu a Mostra de Lançamento Nacional da 18º edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), que ocorre anualmente na Cidade de Goiás, antiga capital do estado de Goiás. “Junto à Campanha em Defesa do Cerrado, esse documentário é mais um método de conscientização”, destaca Dagmar Talga, diretora da produção.

(Por Elvis Marques, CPT e Coletivo de Comunicação do Cerrado)

O filme é uma produção da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e da Essá Filmes, com apoio da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e do Gwatá – Núcleo de Agroecologia e Educação no Campo da Universidade Estadual de Goiás (UEG).

Mas a Campanha que Dagmar se refere foi lançada, também durante o festival, no último dia 17, e tem como tema “Cerrado, berço das águas: Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida”O documentário, iniciado em 2015, integra a Campanha.

Participaram da mesa de debates, após o lançamento da produção, o indígena Antônio Apinajé, o ator Eduardo Tornaghi e Isolete Wichinieski, da CPT – uma das organizações que compõe a Campanha em Defesa do Cerrado, são 36 até o momento.

Acesse o documentário: Sertão Serrado

“Eu acabei de ver o filme e estou impactado com as cenas e os discursos”, disse, no início do debate, Eduardo Tornaghi, que contribuiu com a narração do documentário. “É a minha praia”, brincou ele, que é um dos artistas do Movimento Humanos Direitos (MHuD). “Cada ser humano tem de se colocar dentro disso [na luta pela vida e meio ambiente, não só porque é nossa vida que está em jogo, é a nossa alma”, afirmou.

“Eu, aqui na Cidade de Goiás, quero lembrar Dom Tomás Balduino e falar de esperança. Um dia ele falou ‘A esperança não é a última que morre. A esperança é a única que nunca morre”, lembrou, durante debate, Antônio Apinajé. “Mas eu quero denunciar hoje que os indígenas e as comunidades tradicionais estão sob um fogo pesado dos poderosos. Isso vem do Congresso Nacional, do agronegócio, dos políticos, empresários”, denuncia. Ao fim Antônio questiona: “Eu tenho minha família, meus filhos, meus netos, e fico pensando que futuro eles terão diante de toda essa destruição”.

Informações técnicas

País: Brasil

Duração: 30 minutos

Sinopse: O filme integra a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado “Cerrado, berço das águas: Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida”, retratando o Cerrado brasileiro e a resistência dos povos tradicionais e originários, além dos conflitos agrários, o avanço da monocultura intensiva de grãos, a pecuária extensiva e os grandes empreendimentos hidrográficos e minerais. Diante do intenso processo de degradação dos bens naturais do Cerrado, o filme indica também, a partir dos conhecimentos científicos e populares, caminhos para a conservação deste bioma, especialmente da água, e para a construção de uma nova relação do povo que o habita.

Campanha em Defesa do Cerrado é lançada na cidade de Goiás durante o FICA

Em meio ao Cerrado da histórica Cidade de Goiás, distante 140 quilômetros de Goiânia (GO), foi lançada oficialmente a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, que tem como tema Cerrado, berço das Águas: Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida”. O lançamento ocorreu durante o Fórum de Ambiental, espaço de debate que integra o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), que acontece entre os dias 16 e 21 de agosto.

(Por Coletivo de Comunicação do Cerrado)

A Igreja do Rosário, no Centro de Goiás, foi onde aconteceu o evento. O evento contou com a participação de um público composto por alunos dos ensinos fundamentais e médios, universitários, pesquisadores, membros de organizações e movimentos socais, além, claro, de representantes de comunidades tradicionais e assentados – a Cidade de Goiás é um dos municípios brasileiros com maior número de assentamentos.

A abertura do lançamento ficou por conta dos/as Artistas do Cerrado, que apresentaram ao público a peça “Com Cerrado, Com Água, Com Vida”. A encenação, segundo o grupo de teatro composto por agentes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), “convida o povo a integrar, fazer parte e compor a criação do Cerrado com responsabilidade, ou seja, respeitando a biodiversidade e participando de entidades, grupos, associações e comunidades que defendem nossa Casa Comum, o Cerrado. É a Casa Comum porque nos garante Água”.

Confira um trecho da apresentação abaixo:

 

Participaram do lançamento o pesquisador Altair Sales Barbosa; Elziene de Abreu, do Coletivo de Fundo e Fecho de Pasto da Bahia; a liderança indígena Antônio Apinajé, do Tocantins; Isolete Wichinieski, da Comissão Pastoral da Terra (CPT); e o mediador Robson de Sousa Moraes, da Universidade Estadual de Goiás (UEG).

Professor universitário há mais de 46 anos e pesquisador, Altair Sales tem publicado vários livros, feito e participado de vários documentários sobre o Cerrado. É considerado um dos maiores estudiosos brasileiros desse bioma. “Depois que começamos a estudar o Cerrado, em 1971, descobrimos que se trata de um ambiente muito peculiar. Na realidade, é a maior biodiversidade do planeta atualmente. E o Cerrado desempenha um papel fundamental para o equilíbrio, não só do Continente Sul-americano, mas também para o equilíbrio de todos os ambientes da terra. Nesse sentido, a gente luta, desde a década de 70, na tentativa de incutir na cabeça das pessoas uma série de iniciativas que possam ser capazes de colocar fim nesse processo de degradação do bioma”, explica.

Elziene de Abreu, durante sua fala no evento, destacou ações que as comunidades de fundo e fecho de pasto do oeste baiano têm realizado em defesa do Cerrado e das Águas, como o Grito em Defesa das Águas e a Romaria do Cerrado. Destacou ainda que a luta pelo Cerrado é dever de todos/as. “As comunidades tradicionais de fundo e fecho de pasto são guardiões do Cerrado. A prova disso é que só existe Cerrado na Bahia onde as comunidades tradicionais estão presentes. Nossos rios estão secando. E dependemos dos rios e dos frutos do Cerrado para nossa existência. É a nossa vida que está em jogo. Quando falamos em destruição do Cerrado, nós estamos falando da nossa existência. A permanência do Cerrado é a permanência da gente”, ressaltou. Em meio a aplausos, o público entoou: “O Cerrado, eu defendo!”.

“Nós queremos convidar todos e todas para entrar nessa Campanha”, convidou o público, Isolete Wichinieski, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) – uma das organizações que compõe a Campanha. “Se o Cerrado deixar de existir, como disse o professor Altair [Saleshttps://www.facebook.com/CampanhaCerrado/” rel=”alternate” style=”box-sizing: border-box; outline: 0px; text-decoration: none; background-color: transparent; transition-property: background-color, box-shadow, border, color, opacity, transform; transition-duration: 0.3s; color: rgb(113, 167, 211); font-size: 16px;”>Acompanhe mais informações e vídeos! Clique aqui e acesse a página da Campanha “Cerrado, berço das Águas: Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida”.

A Campanha – A campanha é promovida por 36 organizações, movimentos sociais, e entidades. Esse grupo, em sintonia com povos e comunidades do Cerrado, tem olhado com preocupação para o bioma, que tem sofrido ações devastadoras nos últimos tempos, assim como as pessoas que vivem nesse espaço.

São objetivos dessa Campanha – Pautar e conscientizar a sociedade, em nível nacional e internacional, sobre a importância do Cerrado e os impactos dos grandes projetos do agronegócio, da mineração e de infraestrutura; dar visibilidade à realidade das Comunidades e Povos do Cerrado, como representantes da sociobiodiversidade, conhecedores e guardiões do patrimônio ecológico e cultural dessa região; fortalecer a identidade dos Povos do Cerrado, envolvendo a população na defesa do bioma e na luta pelos seus direitos; e manter intercâmbio entre as comunidades dos Cerrados brasileiros com as comunidades de Moçambique, na África, impactadas pelos projetos do Programa Pró-Savana.

Participe da Campanha em Defesa do Cerrado. Saiba mais informações:

Facebook: Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida

E-mail: semcerrado@gmail.com