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Vozes da Terra na COP 30: Campanha em Defesa do Cerrado, Articulação Agro é Fogo e Comissão Pastoral da Terra marcam presença em Belém (PA)

Programação das entidades será aberta ao público e acontece entre os dias 11 e 15 de novembro na capital paraense

destaque site Campanha 960x540px cop30

Em meio à crise climática e à alarmante aposta em falsas soluções de mercado travestidas de ações em prol do clima e meio ambiente, povos indígenas e comunidades tradicionais do campo, das águas e das florestas continuam sendo os menos ouvidos nos espaços de debate sobre o futuro do planeta. Paradoxalmente, são estes povos os mais impactados pelos grandes empreendimentos e pelo processo de devastação ambiental que avança sobre seus territórios e destrói a nossa sociobiodiversidade.

Na COP 30, que acontece de 10 a 21 de novembro de 2025 em Belém (PA), esse cenário tende a se repetir. Para confrontar essa exclusão e disputar espaços e narrativas, a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, a Articulação Agro é Fogo e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) marcam presença em terras paraenses promovendo uma intensa programação de atividades abertas ao público em diversos espaços organizados pela sociedade civil, como a Cúpula dos Povos, a Casa COP do Povo e a Casa do Jornalismo Socioambiental.

Incêndios criminosos, crise hídrica, desmatamento e violência no campo são alguns dos temas que irão pautar as rodas de conversa e mesas de debate que fazem parte da lista de atividades. Os espaços contarão com a participação de representantes de povos e comunidades tradicionais das regiões do Cerrado e da Amazônia, além de pesquisadores, agentes pastorais e integrantes das entidades.

Confira a programação completa:

10 de novembro

→ 8h30 ao 12h

Exposição “Presença e Resistência: Acervo da Comissão Pastoral da Terra”

Local: Casa COP do Povo

Endereço: Travessa Piedade, 426, 66053-210, Reduto – Belém (PA)

Organização: UFPA, CPT

11 de novembro

→ 8h30 às 10h

Lançamento do manual de prevenção e combate a incêndios elaborado pelas brigadas comunitárias de combate aos incêndios do Cerrado

Local: Casa COP do Povo

Endereço: Travessa Piedade, 426, 66053-210, Reduto – Belém (PA)

Realização: Articulação Agro é Fogo (Atividade da programação da COP do Povo)

→ 8h30 às 10h

Roda de Conversa sobre Trabalho Escravo e Mudanças Climáticas

Local: Sala 01, Térreo

Organização: CPT

→ 14h às 16h

Roda de Conversa “Eco-Genocídio em pauta: No rastro do fogo e da seca no Cerrado, Amazônia e Pantanal”

Local: Casa do Jornalismo Socioambiental 

Endereço: Casa Carmina – Rua Arcipreste Manoel Teodoro, 864, próximo à Praça da República – Belém (PA)

Realização: Articulação Agro é Fogo + Campanha Nacional em Defesa do Cerrado (Atividade da programação da Casa do Jornalismo Socioambiental)

12 de novembro

→ 8h00 às 10h

Apresentação dos Dados Parciais de Conflitos no Campo 2025

Local: Centro Alternativo de Cultura, Aud. São Luís Gonzaga. 1º andar do Centro Santo Inácio – Prédio anexo à Capela de Lourdes.

Organização: CPT-PA

→ 8h30 às 10h

Mesa de debate: COP 30 na Amazônia: Caminhos para proteção de territórios e enfrentamento às mudanças do clima

Local: Casa COP do Povo – Área externa coberta (Térreo)

Endereço: Travessa Piedade, 426, 66053-210, Reduto – Belém (PA)

Realização: Articulação Agro é Fogo, Rede MTI, FGVCES, GEMTI/COIAB e Coalização Florestas e Finanças (Atividade da programação da COP do Povo)

*Haverá transmissão online: bit.ly/cop30-amz 

→ 13h30 às 15h

Oficina e debate sobre a Cartografia das águas mortas do Oeste da Bahia

Local: Casa COP do Povo 

Endereço: Travessa Piedade, 426, 66053-210, Reduto – Belém (PA)

Realização: Campanha Nacional em Defesa do Cerrado (Atividade da programação da COP do Povo)

13 de novembro

→ 8h às 18h

Participação no Tribunal dos Povos com apresentação de um caso representativo das comunidades TI Karipuna (RO), Barra da Lagoa (PI) e Quilombo Grotão (TO)

Local: Ministério Público Federal

Endereço: Auditório – Ministério Público Federal, R. Domingos Marreiros, 690 – Umarizal, Belém (PA)

Realização: COP do Povo

Participação: Articulação Agro é Fogo + Campanha Nacional em Defesa do Cerrado

14/11

→ 8h às 14h30

Participação no Tribunal dos Povos com apresentação de caso representativo das comunidades TI Karipuna (RO), Barra da Lagoa (PI) e Quilombo Grotão (TO)

Local: Ministério Público Federal

Endereço: Auditório – Ministério Público Federal, R. Domingos Marreiros, 690 – Umarizal, Belém (PA)

Realização: COP do Povo

Participação: Articulação Agro é Fogo + Campanha Nacional em Defesa do Cerrado

14 e 15 de novembro

→ 14h às 16h

Participação na programação da Cúpula dos Povos (atividades no Eixo 1)*

Local: Cúpula dos Povos – Universidade Federal do Pará (UFPA)

Endereço: R. Augusto Corrêa, 01 – Guamá, Belém (PA)

→ Roda de Conversa “Crise climática e injustiça hídrica: alternativas para enfrentar o desmatamento, os incêndios e a morte das águas” (Enlace 2)

Realização: Articulação Agro é Fogo + Campanha Nacional em Defesa do Cerrado + FASE + MapBiomas + Ibon International

→ Mesa “Alimentando a vida: povos tradicionais lutando pela soberania climática e segurança alimentar” (Enlace 18) 

Realização: Articulação Agro é Fogo, Rede das Águas de Coari e MPA

*As atividades na Cúpula dos Povos acontecerão nos dias 14 e 15/11, entre 14h e 16h. Assim que a confirmação do dia e horário exatos da atividade forem disponibilizadas pela organização do evento, atualizaremos essa notícia.

20 de novembro

→ 8h30 às 12h45

Exposição “Presença e Resistência: Acervo da Comissão Pastoral da Terra”

Local: Sala 01, Térreo

Organização: UFPA, CPT

→ 10h15 às 12h45

Lançamento do Livro: Assassinatos e Impunidade no Campo no Pará

Local: Área externa coberta – Térreo

Organização: José Batista Afonso,Professor Airton Pereira, CPT de Marabá e Regional Belém

21 de novembro

→ 18h15 às 21h15

Lançamento do Documentário “Antonina: Negra de Sangue Revoltoso”

Local: Área externa coberta – Térreo

Organização: UFPA, CPT


Mais informações:

Articulação Agro é Fogo – agroefogo@gmail.com

Campanha Nacional em Defesa do Cerrado – comunicacerrado@gmail.com

Comissão Pastoral da Terra (CPT) – comunicacaocpt@gmail.com 

Desde el corazón de Brasil al mundo: durante la COP 30, campaña denuncia la crisis socioambiental que enfrentan los pueblos del Cerrado

 ¿Alguna vez ha imaginado un futuro en el que el agua sea un artículo de lujo, un recuerdo de un pasado lejano? ¿Un escenario en el que incluso el agua para saciar nuestra sed tenga que racionarse?

 Esta es una preocupación constante para la Campaña Nacional en Defensa del Cerrado. Por eso, dedicamos nuestros esfuerzos a la protección de las aguas, los territorios y las vidas de los pueblos indígenas y las comunidades tradicionales que habitan el Cerrado brasileño.

 Conocido como la “cuna de las aguas” de Brasil, el Cerrado es crucial para la supervivencia de nuestra sociedad, ya que abastece a 8 de las 12 cuencas hidrográficas del país y mantiene una profunda conexión con otras regiones ecológicas. Las lluvias del Amazonas, por ejemplo, están intrínsecamente ligadas a la capacidad de almacenamiento de agua del Cerrado.

 Sin embargo, en las últimas cuatro décadas, el 91 % de las cuencas hidrográficas de esta ecorregión han sufrido una disminución de su superficie de agua natural. Esta pérdida repercute directamente en la disponibilidad de agua, intensificando la escasez en más de 300 municipios brasileños.

 Es urgente reconocer que el Cerrado está inmerso en un proceso de ecogenocidio, que no solo diezma su sociobiodiversidad y agota sus ríos y manantiales, sino que también amenaza, expulsa y victimiza a los pueblos y comunidades tradicionales que residen en él.

En 2024, la región volvió a encabezar el ranking de deforestación en Brasil, con una pérdida de 652 197 hectáreas, más de la mitad del total nacional. De esta superficie, el 75 % de la devastación se concentró en Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí y Bahía).

Y quienes viven con los pies en la tierra del Cerrado saben que esta destrucción está directamente relacionada con el cambio climático.

Los principales responsables de esta devastación son las empresas nacionales e internacionales que operan en los sectores de la agroindustria, la minería y la explotación de recursos naturales, además de los Estados extranjeros y el propio Estado brasileño. Paradójicamente, todos estos actores están presentes en la COP 30, promoviendo discursos sobre un supuesto desarrollo sostenible y falsas «soluciones verdes».

En medio de la crisis climática y la alarmante apuesta por falsas soluciones de mercado disfrazadas de acciones en favor del clima y el medio ambiente, los pueblos indígenas y las comunidades tradicionales del campo, las aguas y los bosques siguen siendo los menos escuchados en los espacios de debate sobre el futuro del planeta. Paradójicamente, son estos pueblos los más afectados por los grandes proyectos y por el proceso de devastación ambiental que avanza sobre sus territorios y destruye nuestra sociobiodiversidad.

Los incendios provocados, la crisis hídrica, la deforestación y la violencia en el campo son algunos de los temas que se tratarán en las rondas de conversación y mesas de debate que forman parte de la lista de actividades. En estos espacios participarán representantes de pueblos y comunidades tradicionales de las regiones del Cerrado y la Amazonia, además de investigadores, agentes pastorales y miembros de las entidades.

Consulte la programación completa:

11/11

→ 8:30 a 10:00

Lanzamiento del manual de prevención y combate de incendios elaborado por las brigadas comunitarias de combate a incendios del Cerrado.

Lugar: Casa COP do Povo.

Dirección: Travessa Piedade, 426, 66053-210, Reduto – Belém (PA).

Organización: Articulação Agro é Fogo (Actividad del programa de la COP del Pueblo)

→ 14:00 a 16:00

Ronda de conversaciones «El ecogenocidio en la agenda: Tras el rastro del fuego y la sequía en el Cerrado, la Amazonia y el Pantanal»

Lugar: Casa del Periodismo Socioambiental

Dirección: Casa Carmina – Rua Arcipreste Manoel Teodoro, 864, cerca de la Praça da República – Belém (PA)

Organización: Articulação Agro é Fogo + Campaña Nacional en Defensa del Cerrado (Actividad del programa de la Casa del Periodismo Socioambiental)

12/11

→ 8:00 a 10:00 h.

Presentación de los datos parciales sobre conflictos en el campo 2025.

Lugar: Centro Alternativo de Cultura, Auditorio São Luís Gonzaga. 1.ª planta del Centro Santo Inácio, edificio anexo a la Capilla de Lourdes.

Organización: CPT-PA

→ 8:30 a 10:00 

Mesa redonda: COP 30 en la Amazonía: Caminos para la protección de los territorios y la lucha contra el cambio climático.

Lugar: Casa COP del Pueblo – Área exterior cubierta (planta baja)

Dirección: Travessa Piedade, 426, 66053-210, Reduto – Belém (PA)

Realización: Articulação Agro é Fogo, Rede MTI, FGVCES, GEMTI/COIAB y Coalición Bosques y Finanzas (Actividad del programa de la COP del Pueblo)

*Habrá transmisión en línea: bit.ly/cop30-amz

→ 13:30 a 15:00

Taller y debate sobre la cartografía de las aguas muertas del oeste de Bahía

Lugar: Casa COP del Pueblo

Dirección: Travessa Piedade, 426, 66053-210, Reduto – Belém (PA)

Organización: Campaña Nacional en Defensa del Cerrado (Actividad del programa de la COP del Pueblo)

13/11

→ 8:00 a 18:00 

Participación en el Tribunal de los Pueblos con la presentación de un caso representativo de las comunidades TI Karipuna (RO), Barra da Lagoa (PI) y Quilombo Grotão (TO)

Lugar: Ministerio Público Federal

Dirección: Auditorio – Ministerio Público Federal, R. Domingos Marreiros, 690 – Umarizal, Belém (PA)

Organización: COP do Povo

Participación: Articulação Agro é Fogo + Campaña Nacional en Defensa del Cerrado

14/11

→ 8:00 a 14:30

Participación en el Tribunal de los Pueblos con la presentación de un caso representativo de las comunidades TI Karipuna (RO), Barra da Lagoa (PI) y Quilombo Grotão (TO)

Lugar: Ministerio Público Federal

Dirección: Auditorio – Ministerio Público Federal, R. Domingos Marreiros, 690 – Umarizal, Belém (PA)

Organización: COP do Povo (COP del Pueblo)

Participación: Articulação Agro é Fogo (Articulación Agro es Fuego) + Campaña Nacional en Defensa del Cerrado

14/11 y 15/11

→ 14:00 a 16:00 

Participación en la programación de la Cumbre de los Pueblos (actividades del Eje 1)*

Lugar: Cumbre de los Pueblos – Universidad Federal de Pará (UFPA).

Dirección: R. Augusto Corrêa, 01 – Guamá, Belém (PA)

→ Ronda de conversaciones «Crisis climática e injusticia hídrica: alternativas para hacer frente a la deforestación, los incendios y la muerte de las aguas» (Enlace 2)

Organización: Articulação Agro é Fogo + Campaña Nacional en Defensa del Cerrado + FASE + MapBiomas + Ibon International

→ Mesa “Alimentando la vida: pueblos tradicionales luchando por la soberanía climática y la seguridad alimentaria” (Enlace 18)

Organización: Articulação Agro é Fogo, Rede das Águas de Coari y MPA

*Las actividades de la Cumbre de los Pueblos tendrán lugar los días 14 y 15 de noviembre, entre las 14:00 y las 16:00 horas. Tan pronto como la organización del evento confirme la fecha y la hora exactas de la actividad, actualizaremos esta noticia.


Más información:

comunicacerrado@gmail.com – 55 11 99985 0378 (Bruno)

 

 

 

From the heart of Brazil to the world: During COP 30, campaign denounces the socio-environmental crisis facing the peoples of the Cerrado

Have you ever imagined a future where water is a luxury item, a memory of a distant past? A scenario where even the water to quench our thirst needs to be rationed?

This is a constant concern for the National Campaign in Defense of the Cerrado. That is why we dedicate our efforts to protecting the waters, territories, and lives of the indigenous peoples and traditional communities that inhabit the Brazilian Cerrado.

Known as the “cradle of waters” of Brazil, the Cerrado is crucial to the survival of our society, supplying 8 of the country’s 12 river basins and maintaining a deep connection with other ecological regions. Rainfall in the Amazon, for example, is intrinsically linked to the Cerrado’s water storage capacity.

However, over the last four decades, 91% of the watersheds in this ecoregion have suffered a decrease in their natural water surface area. This loss directly impacts water availability, intensifying shortages in more than 300 Brazilian municipalities.

It is urgent to recognize that the Cerrado is immersed in a process of ecocide, which not only decimates its socio-biodiversity and exhausts its rivers and springs, but also threatens, expels, and victimizes the traditional peoples and communities that reside there.

In 2024, the region once again topped Brazil’s deforestation rankings, losing 652,197 hectares—more than half of the national total. Of this amount, 75% of the devastation was concentrated in Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí, and Bahia).

And those who live with their feet on the ground in the Cerrado know that this destruction is directly related to climate change.

The main culprits responsible for this devastation are national and international companies operating in agribusiness, mining, and natural resource exploitation, as well as foreign states and the Brazilian state itself. Paradoxically, all of these actors are present at COP 30, promoting discourses of supposed sustainable development and false “green solutions.”

Amid the climate crisis and the alarming reliance on false market solutions disguised as actions in favor of the climate and the environment, indigenous peoples and traditional communities from the countryside, waters, and forests continue to be the least heard in debates about the future of the planet. Paradoxically, these are the peoples most impacted by large-scale projects and the process of environmental devastation that is advancing on their territories and destroying our socio-biodiversity.

At COP 30, which will take place from November 10 to 21, 2025, in Belém (PA), this scenario of invisibility is likely to repeat itself. To confront this exclusion and compete for space and narratives, the National Campaign in Defense of the Cerrado will be present in Pará, promoting an intense program of activities open to the public in various spaces organized by civil society, such as the People’s Summit, the People’s COP House, and the House of Socio-Environmental Journalism.

Arson, water crisis, deforestation, and violence in rural areas are some of the topics that will be discussed in the conversation circles and debate tables that are part of the list of activities. The spaces will feature the participation of representatives of traditional peoples and communities from the Cerrado and Amazon regions, as well as researchers, pastoral agents, and members of the entities.

Check out the complete schedule:

11/11

→ 8:30 a.m. to 10 a.m.

Launch of the fire prevention and fighting manual prepared by the Cerrado community firefighting brigades.

Location: Casa COP do Povo (People’s COP House)

Address: Travessa Piedade, 426, 66053-210, Reduto – Belém (PA)

Organized by: Articulação Agro é Fogo (Activity of the COP do Povo program)

→ 2:00 p.m. to 4:00 p.m.

Roundtable discussion “Eco-Genocide on the agenda: In the wake of fire and drought in the Cerrado, Amazon, and Pantanal”

Location: Casa do Jornalismo Socioambiental (House of Socio-Environmental Journalism)

Address: Casa Carmina – Rua Arcipreste Manoel Teodoro, 864, near Praça da República – Belém (PA)

Organized by: Articulação Agro é Fogo + National Campaign in Defense of the Cerrado (Activity included in the Casa do Jornalismo Socioambiental program)

12/11

→ 8:00 a.m. to 10:00 a.m.

Presentation of Partial Data on Conflicts in the Countryside 2025

Location: Alternative Culture Center, São Luís Gonzaga Auditorium. 1st floor of the Santo Inácio Center – Building adjacent to the Lourdes Chapel.

Organization: CPT-PA

→ 8:30 a.m. to 10:00 a.m.

Panel discussion: COP 30 in the Amazon: Paths to protecting territories and tackling climate change

Location: Casa COP do Povo – Covered outdoor area (Ground floor)

Address: Travessa Piedade, 426, 66053-210, Reduto – Belém (PA)

Organized by: Articulação Agro é Fogo, Rede MTI, FGVCES, GEMTI/COIAB, and Coalizão Florestas e Finanças (Activity from the People’s COP program)

*There will be an online broadcast: bit.ly/cop30-amz 

→ 1:30 p.m. to 3 p.m.

Workshop and debate on the Cartography of Dead Waters in Western Bahia

Location: People’s COP House

Address: Travessa Piedade, 426, 66053-210, Reduto – Belém (PA)

Organized by: National Campaign in Defense of the Cerrado (People’s COP program activity)

13/11

→ 8am to 6pm

Participation in the People’s Tribunal with presentation of a case representing the Karipuna (RO), Barra da Lagoa (PI), and Quilombo Grotão (TO) indigenous communities

Location: Federal Public Prosecutor’s Office

Address: Auditorium – Federal Public Prosecutor’s Office, R. Domingos Marreiros, 690 – Umarizal, Belém (PA)

Organized by: COP do Povo

Participation: Articulação Agro é Fogo + National Campaign in Defense of the Cerrado

14/11

→ 8am to 2:30pm

Participation in the People’s Tribunal with presentation of a case representing the communities of TI Karipuna (RO), Barra da Lagoa (PI) and Quilombo Grotão (TO)

Location: Federal Public Prosecutor’s Office

Address: Auditorium – Federal Public Prosecutor’s Office, R. Domingos Marreiros, 690 – Umarizal, Belém (PA)

Organized by: COP do Povo

Participation: Articulação Agro é Fogo + National Campaign in Defense of the Cerrado

November 14 and 15

→ 2:00 p.m. to 4:00 p.m.

Participation in the Cúpula dos Povos (activities in Axis 1)*

Location: Cúpula dos Povos – Federal University of Pará (UFPA)

Address: R. Augusto Corrêa, 01 – Guamá, Belém (PA)

→ Roundtable Discussion “Climate crisis and water injustice: alternatives to tackle deforestation, fires, and the death of waters” (Link 2)

Organized by: Articulação Agro é Fogo + National Campaign in Defense of the Cerrado + FASE + MapBiomas + Ibon International

→ Panel “Feeding life: traditional peoples fighting for climate sovereignty and food security” (Link 18)

Organized by: Articulação Agro é Fogo, Rede das Águas de Coari, and MPA

*The activities at the People’s Summit will take place on November 14 and 15, between 2:00 p.m. and 4:00 p.m. As soon as the exact date and time of the activity are confirmed by the event organizers, we will update this news item.


More information:

comunicacerrado@gmail.com – 11 99985 0378 (Bruno)

 

 

 

 

Do coração do Brasil para o mundo: Durante COP 30, Campanha denuncia crise socioambiental que enfrentam os povos do Cerrado

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Você já imaginou um futuro onde a água seja um artigo de luxo, uma lembrança de um passado distante? Um cenário onde até a água para saciar a nossa sede precisa ser racionada?

Essa é uma preocupação constante para a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado. Por isso, dedicamos nossos esforços à proteção das águas, dos territórios e das vidas dos povos indígenas e comunidades tradicionais que habitam o Cerrado brasileiro.

Conhecido como o “berço das águas” do Brasil, o Cerrado é crucial para a sobrevivência de nossa sociedade, abastecendo 8 das 12 bacias hidrográficas do país e mantendo uma profunda conexão com outras regiões ecológicas. As chuvas da Amazônia, por exemplo, estão intrinsecamente ligadas à capacidade de armazenamento de água no Cerrado.

No entanto, nas últimas quatro décadas, 91% das bacias hidrográficas dessa ecorregião sofreram uma diminuição em sua superfície de água natural. Essa perda impacta diretamente a disponibilidade hídrica, intensificando a escassez em mais de 300 municípios brasileiros.

É urgente reconhecer que o Cerrado está imerso em um processo de Ecogenocídio, que não só dizima sua sociobiodiversidade e exaure seus rios e nascentes, mas também ameaça, expulsa e vitima povos e comunidades tradicionais que nele residem.

Em 2024, a região novamente liderou o ranking de desmatamento no Brasil, perdendo 652.197 hectares – mais da metade do total nacional. Desse montante, 75% da devastação concentrou-se no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

E quem vive com os pés no chão do Cerrado sabe que essa destruição tem relação direta com as mudanças climáticas. 

Os principais responsáveis por essa devastação são empresas nacionais e internacionais atuantes no agronegócio, mineração e exploração de recursos naturais, além de estados estrangeiros e o próprio estado brasileiro. Paradoxalmente, todos esses atores marcam presença na COP 30, promovendo discursos de um suposto desenvolvimento sustentável e de falsas “soluções verdes”.

Em meio à crise climática e à alarmante aposta em falsas soluções de mercado travestidas de ações em prol do clima e meio ambiente, povos indígenas e comunidades tradicionais do campo, das águas e das florestas continuam sendo os menos ouvidos nos espaços de debate sobre o futuro do planeta. Paradoxalmente, são estes povos os mais impactados pelos grandes empreendimentos e pelo processo de devastação ambiental que avança sobre seus territórios e destrói a nossa sociobiodiversidade.

Na COP 30, que acontece de 10 a 21 de novembro de 2025 em Belém (PA), esse cenário de invisibilidade tende a se repetir. Para confrontar essa exclusão e disputar espaços e narrativas, a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado marca presença em terras paraenses promovendo uma intensa programação de atividades abertas ao público em diversos espaços organizados pela sociedade civil, como a Cúpula dos Povos, a Casa COP do Povo e a Casa do Jornalismo Socioambiental.

Incêndios criminosos, crise hídrica, desmatamento e violência no campo são alguns dos temas que irão pautar as rodas de conversa e mesas de debate que fazem parte da lista de atividades. Os espaços contarão com a participação de representantes de povos e comunidades tradicionais das regiões do Cerrado e da Amazônia, além de pesquisadores, agentes pastorais e integrantes das entidades.

Confira a programação completa:

11/11

→ 8h30 às 10h

Lançamento do manual de prevenção e combate a incêndios elaborado pelas brigadas comunitárias de combate aos incêndios do Cerrado

Local: Casa COP do Povo

Endereço: Travessa Piedade, 426, 66053-210, Reduto – Belém (PA)

Realização: Articulação Agro é Fogo (Atividade da programação da COP do Povo)

→ 14h às 16h

Roda de Conversa “Eco-Genocídio em pauta: No rastro do fogo e da seca no Cerrado, Amazônia e Pantanal”

Local: Casa do Jornalismo Socioambiental 

Endereço: Casa Carmina – Rua Arcipreste Manoel Teodoro, 864, próximo à Praça da República – Belém (PA)

Realização: Articulação Agro é Fogo + Campanha Nacional em Defesa do Cerrado (Atividade da programação da Casa do Jornalismo Socioambiental)

12/11

→ 8h00 às 10h

Apresentação dos Dados Parciais de Conflitos no Campo 2025

Local: Centro Alternativo de Cultura, Aud. São Luís Gonzaga. 1º andar do Centro Santo Inácio – Prédio anexo à Capela de Lourdes.

Organização: CPT-PA

→ 8h30 às 10h

Mesa de debate: COP 30 na Amazônia: Caminhos para proteção de territórios e enfrentamento às mudanças do clima

Local: Casa COP do Povo – Área externa coberta (Térreo)

Endereço: Travessa Piedade, 426, 66053-210, Reduto – Belém (PA)

Realização: Articulação Agro é Fogo, Rede MTI, FGVCES, GEMTI/COIAB e Coalização Florestas e Finanças (Atividade da programação da COP do Povo)

*Haverá transmissão online: bit.ly/cop30-amz 

→ 13h30 às 15h

Oficina e debate sobre a Cartografia das águas mortas do Oeste da Bahia 

Local: Casa COP do Povo 

Endereço: Travessa Piedade, 426, 66053-210, Reduto – Belém (PA)

Realização: Campanha Nacional em Defesa do Cerrado (Atividade da programação da COP do Povo)

13/11

→ 8h às 18h

Participação no Tribunal dos Povos com apresentação de um caso representativo das comunidades TI Karipuna (RO), Barra da Lagoa (PI) e Quilombo Grotão (TO)

Local: Ministério Público Federal

Endereço: Auditório – Ministério Público Federal, R. Domingos Marreiros, 690 – Umarizal, Belém (PA)

Realização: COP do Povo

Participação: Articulação Agro é Fogo + Campanha Nacional em Defesa do Cerrado

14/11

→ 8h às 14h30

Participação no Tribunal dos Povos com apresentação de caso representativo das comunidades TI Karipuna (RO), Barra da Lagoa (PI) e Quilombo Grotão (TO)

Local: Ministério Público Federal

Endereço: Auditório – Ministério Público Federal, R. Domingos Marreiros, 690 – Umarizal, Belém (PA)

Realização: COP do Povo

Participação: Articulação Agro é Fogo + Campanha Nacional em Defesa do Cerrado

14/11 e 15/11

→ 14h às 16h

Participação na programação da Cúpula dos Povos (atividades no Eixo 1)*

Local: Cúpula dos Povos – Universidade Federal do Pará (UFPA)

Endereço: R. Augusto Corrêa, 01 – Guamá, Belém (PA)

→ Roda de Conversa “Crise climática e injustiça hídrica: alternativas para enfrentar o desmatamento, os incêndios e a morte das águas” (Enlace 2)

Realização: Articulação Agro é Fogo + Campanha Nacional em Defesa do Cerrado + FASE + MapBiomas + Ibon International

→ Mesa “Alimentando a vida: povos tradicionais lutando pela soberania climática e segurança alimentar” (Enlace 18) 

Realização: Articulação Agro é Fogo, Rede das Águas de Coari e MPA

*As atividades na Cúpula dos Povos acontecerão nos dias 14 e 15/11, entre 14h e 16h. Assim que a confirmação do dia e horário exatos da atividade forem disponibilizadas pela organização do evento, atualizaremos essa notícia.


 Mais informações:

comunicacerrado@gmail.com – 11 99985 0378 (Bruno) 

 

Trieiro de Saberes dos Cerrados – Um Guia Didático sobre o Cerrado nas Escolas e nas Comunidades

O Trieiro de Saberes dos Cerrados nasce da urgência de redescobrir os Cerrados no século XXI — não somente como território de recursos, mas como berço das águas, guardião da biodiversidade e teia viva de culturas milenares. Enquanto oferece vida, os Cerrados sofrem: o desmatamento avança, o fogo ameaça, o solo é explorado sem cuidado, os rios são barrados e contaminados, e a biodiversidade se perde. Ainda assim, este é um território que resiste — e com ele re-existem também os povos e comunidades que o habitam e o protegem.

Este guia é um chamado à ação e à esperança, dirigido a professores(as), educadores(as) populares e comunidades urbanas e rurais. A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado convida todos e todas a transformar salas de aula, rodas de conversa e espaços comunitários em territórios de reflexão, diálogo e mobilização.

Cada atividade proposta é como uma parada no caminho — um trieiro — que oferece pausa, inspiração e força para pensar, sentir e agir pela defesa dos Cerrados e de seus povos.

Que este guia inspire encontros em escolas, projetos de extensão, associações, sindicatos e organizações sociais; que fortaleça a luta pela vida, pela justiça socioambiental e pela valorização dos saberes tradicionais.

Mais do que um material didático, este guia é um convite a percorrer caminhos de cuidado, respeito e compromisso com a terra, com as florestas e com as águas, explorando conceitos como Cerrados, povos e comunidades tradicionais, biodiversidade e sociobiodiversidade.

Esperamos que estes trieiros dos Cerrados ecoem e os guiem na construção de conhecimentos críticos e na promoção de projetos coletivos que valorizem os Cerrados e seus povos. Caminhemos juntos!

Trieiro de Saberes dos Cerrados – Um Guia Didático sobre o Cerrado nas Escolas e nas Comunidades

Clique aqui para baixar o documento em PDF

O Trieiro de Saberes dos Cerrados nasce da urgência de redescobrir os Cerrados no século XXI — não somente como território de recursos, mas como berço das águas, guardião da biodiversidade e teia viva de culturas milenares. Enquanto oferece vida, os Cerrados sofrem: o desmatamento avança, o fogo ameaça, o solo é explorado sem cuidado, os rios são barrados e contaminados, e a biodiversidade se perde. Ainda assim, este é um território que resiste — e com ele re-existem também os povos e comunidades que o habitam e o protegem.

Este guia é um chamado à ação e à esperança, dirigido a professores(as), educadores(as) populares e comunidades urbanas e rurais. A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado convida todos e todas a transformar salas de aula, rodas de conversa e espaços comunitários em territórios de reflexão, diálogo e mobilização.

Cada atividade proposta é como uma parada no caminho — um trieiro — que oferece pausa, inspiração e força para pensar, sentir e agir pela defesa dos Cerrados e de seus povos.

Que este guia inspire encontros em escolas, projetos de extensão, associações, sindicatos e organizações sociais; que fortaleça a luta pela vida, pela justiça socioambiental e pela valorização dos saberes tradicionais.

Mais do que um material didático, este guia é um convite a percorrer caminhos de cuidado, respeito e compromisso com a terra, com as florestas e com as águas, explorando conceitos como Cerrados, povos e comunidades tradicionais, biodiversidade e sociobiodiversidade.

Esperamos que estes trieiros dos Cerrados ecoem e os guiem na construção de conhecimentos críticos e na promoção de projetos coletivos que valorizem os Cerrados e seus povos. Caminhemos juntos!

Guia didático que convoca a sociedade a “redescobrir os Cerrados” será lançado no Dia dos Professores (15)

Material pedagógico da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado será disponibilizado gratuitamente no site campanhacerrado.org.br

No próximo dia 15 de outubro, em sintonia com o Dia dos Professores, a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado lança o livro educativo “Trieiro de Saberes dos Cerrados – Um Guia Didático sobre o Cerrado e seus povos”. A obra chega com o objetivo de subsidiar pedagogicamente professores e educadores para trabalhar temas relacionados ao Cerrado e seus povos em escolas e espaços formativos da educação formal e não formal.

O material educativo, que será disponibilizado gratuitamente para download no site da Campanha em Defesa do Cerrado a partir do dia 15, convoca professores e educadores para “redescobrir os Cerrados no século XXI”, apresentando uma abordagem integral sobre a região. 

De acordo com a publicação, o “guia nasce da necessidade de olhar para o Cerrado não apenas como território de recursos”, propondo uma compreensão que conecta saberes e modos de vida tradicionais, territorialidades e aspectos socioambientais do ecossistema cerratense.

A edição impressa do livro será lançada oficialmente no dia seguinte, em 16 de outubro, às 14h (horário de Brasília), durante o Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA), que acontece na Universidade Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) em Juazeiro (BA). A Mesa de lançamento ocorre na Tenda Rachel Carson.

O guia apresenta cinco trieiros temáticos, que se configuram como caminhos pedagógicos a serem percorridos por educadores e educandos. O livro reúne textos inéditos, subsídios teóricos, indicações de materiais para estudos em uma vasta bibliografia, além de exercícios práticos que nos convocam a colocar as “mãos na massa” para absorver os conteúdos. 

Nesta primeira edição do Trieiro de Saberes dos Cerrados, os temas abordados incluem uma abordagem sobre a conformação histórica e socioambiental do Cerrado, de sua sociobiodiversidade, de suas águas e do modo como a região é retratada pela mídia. O livro também conta com um glossário da diversidade de povos e comunidades tradicionais do bioma.

Redescobrir e defender os Cerrados e seus povos

Em 2024, segundo o Relatório Anual do MapBiomas, o Cerrado liderou o ranking de desmatamento no país, com 652.197 hectares devastados, mais da metade do total nacional. A região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) concentrou 75% dessas perdas, afetando diretamente territórios indígenas e quilombolas, que viram sua vegetação nativa desaparecer e suas formas de vida tradicionais ameaçadas.

Essa degradação também compromete as bacias hidrográficas que abastecem grande parte do Brasil. Ainda de acordo com o MapBiomas, nas últimas quatro décadas, 91% das bacias do Cerrado perderam superfície de água natural, agravando a escassez hídrica em mais de 300 municípios do país.

Amone Inácia Alves, doutora em Educação e professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), é uma das autoras e coordenadoras da publicação. Diante do cenário de devastação do Cerrado, a docente explica que o projeto do Trieiro de Saberes é uma construção coletiva, feita a muitas mãos, com viés educativo e propósito social e transformador.

“O Trieiro busca educar as pessoas para que compreendam a necessidade de defender o Cerrado e as pessoas que aqui vivem. Tem uma finalidade bem definida: mostrar que há outros modos de vida, saberes e práticas além do agronegócio, do urbanocentrismo e do consumo destruidor”, destaca a professora.

“Pretendemos levar o debate para os educadores para que empreendam essa luta de defesa do Cerrado e das suas gentes! Desejo que o nosso material colabore com a conscientização e que tenhamos próximas gerações menos consumistas e mais defensoras do lugar onde vivemos!”, enfatiza a educadora.


Serviço: Lançamento do Trieiro de Saberes dos Cerrados – Um Guia Didático sobre o Cerrado e seus povos

Versão digital:  

15/10, a partir das 7h (horário de Brasília), no site campanhacerrador.org.br

Edição impressa: 

Mesa de Lançamento durante o Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA)

16/10, às 14h (horário de Brasília), na Tenda Rachel Carson

Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) – Juazeiro, BA

Mais informações: comunicacerrado@gmail.com | 11 99985 0378 (Bruno)

 

Dossiê Terra e Território no Cerrado

A apropriação privada da terra quiçá seja a exclusão originária de todas as exclusões, em um país por elas tão marcado. Apropriar-se e, a partir desse ato, privar os outros do acesso à terra constitui-se, ao mesmo tempo, na principal forma de demarcar quais os seus usos sancionados (exploração monocultural) e os sujeitos legitimados ao direito de sua posse e propriedade (homens, brancos, das elites). Contar a história do Eco-Genocídio do Cerrado a partir desse fio condutor, revelando a persistente r-existência das territorialidades tradicionais, é o objetivo deste Dossiê Terra e Território no Cerrado.

Lembramos os ensinamentos de nosso amigo e mestre Carlos Walter Porto- -Gonçalves, naquilo que chamou de tríade relacional território-territorialidade- -territorialização. A apropriação material e simbólica do espaço geográfico por povos e grupos sociais equivale a seu processo de territorialização, por meio do qual se desenvolvem identidades (territorialidades) dinâmicas, resultando em seu território, como condição de sua r-existência.

Deriva disso o entendimento, desenvolvido pela Campanha em Defesa do Cerrado no âmbito do Tribunal Permanente dos Povos, de que o Ecocídio do Cerrado – que inviabiliza as bases da (re)produção social dos povos cerradeiros (seus territórios) como povos culturalmente diferenciados (com territorialidades próprias) – consiste, intrinsecamente, em seu Genocídio.

Os povos indígenas Guarani e Kaiowá sabem essa verdade profundamente. Nas diversas retomadas de seu território ancestral, frequentemente invadido, um de seus primeiros atos é o cultivo do milho saboró branco, alimento sagrado ancestral, demarcando sua reapropriação material e simbólica pelo povo. Cabe ao Estado reconhecer o território que o povo demarcou e demarca cotidianamente por meio de suas territorialidades. Em encontro recente, lideranças Guarani e Kaiowá diziam: “Peço a vocês pra fazer o papel falar”. Esperamos que este papel, que apresentamos em formato de dossiê, fale longe e alcance interlocutores atentos.

Dossiê Terra e Território no Cerrado

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A apropriação privada da terra quiçá seja a exclusão originária de todas as exclusões, em um país por elas tão marcado. Apropriar-se e, a partir desse ato, privar os outros do acesso à terra constitui-se, ao mesmo tempo, na principal forma de demarcar quais os seus usos sancionados (exploração monocultural) e os sujeitos legitimados ao direito de sua posse e propriedade (homens, brancos, das elites). Contar a história do Eco-Genocídio do Cerrado a partir desse fio condutor, revelando a persistente r-existência das territorialidades tradicionais, é o objetivo deste Dossiê Terra e Território no Cerrado.

Lembramos os ensinamentos de nosso amigo e mestre Carlos Walter Porto- -Gonçalves, naquilo que chamou de tríade relacional território-territorialidade- -territorialização. A apropriação material e simbólica do espaço geográfico por povos e grupos sociais equivale a seu processo de territorialização, por meio do qual se desenvolvem identidades (territorialidades) dinâmicas, resultando em seu território, como condição de sua r-existência.

Deriva disso o entendimento, desenvolvido pela Campanha em Defesa do Cerrado no âmbito do Tribunal Permanente dos Povos, de que o Ecocídio do Cerrado – que inviabiliza as bases da (re)produção social dos povos cerradeiros (seus territórios) como povos culturalmente diferenciados (com territorialidades próprias) – consiste, intrinsecamente, em seu Genocídio.

Os povos indígenas Guarani e Kaiowá sabem essa verdade profundamente. Nas diversas retomadas de seu território ancestral, frequentemente invadido, um de seus primeiros atos é o cultivo do milho saboró branco, alimento sagrado ancestral, demarcando sua reapropriação material e simbólica pelo povo. Cabe ao Estado reconhecer o território que o povo demarcou e demarca cotidianamente por meio de suas territorialidades. Em encontro recente, lideranças Guarani e Kaiowá diziam: “Peço a vocês pra fazer o papel falar”. Esperamos que este papel, que apresentamos em formato de dossiê, fale longe e alcance interlocutores atentos.

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Dia Nacional do Cerrado: Campanha lança Dossiê inédito, Podcast protagonizado por mulheres e integra programação do XI Encontro e Feira dos Povos

Dossiê Terra e Território no Cerrado será disponibilizado gratuitamente para download no site da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado no sábado (13) a partir das 8h

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A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado celebra o Dia Nacional da região ecológica, comemorado em 11 de setembro, com uma programação especial que se estende de quarta-feira (11) a sábado (13), em Brasília (DF).

Entre as atividades, destacam-se o lançamento do Dossiê Terra e Território no Cerrado, no dia 13 de setembro, às 10h30, na Funarte, durante o XI Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, promovido pela Rede Cerrado, e a estreia da série especial do podcast Guilhotina, intitulada “Mulheres do Cerrado: diálogos sobre clima e sistemas alimentares”, realizada em parceria com o Le Monde Diplomatique Brasil, com a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e com a Articulação das Mulheres do Cerrado.

A Campanha também promoverá, dentro da programação do XI Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, a atividade “Vidas, Raízes e Rios: Terra, Território e Águas do Cerrado”, no dia 13, das 10h30 às 12h, que marcará oficialmente o lançamento do Dossiê e contará com a presença da jurista e ex-Procuradora Geral da República Deborah Duprat, além de pesquisadores e representantes de povos e comunidades tradicionais do Cerrado. 

Ainda no mesmo evento, participará da mesa “Atlas dos Conflitos no Campo Brasileiro e a atual conjuntura política”, das 14h às 15h30, apresentando dados recentes sobre violências e conflitos no campo que impactam comunidades do Cerrado, e contará com uma barraca na Feira da Sociobiodiversidade, que estará disponível no evento de 10 a 13/09, das 16h às 22h.

Dossiê Terra e Território no Cerrado

Parte da série Eco-Genocídio no Cerrado, o Dossiê foi elaborado pela Campanha Nacional em Defesa do Cerrado a partir de denúncias e dados levantados durante o Tribunal dos Povos do Cerrado – tribuna popular realizada entre 2021 e 2022, e protagonizada por povos indígenas, comunidades tradicionais, movimentos sociais e entidades da região.

Na Audiência Final do Tribunal, em setembro de 2022, uma coalizão formada por mais de 60 organizações, movimentos e representantes do Cerrado alertou durante a acusação que se nada fosse feito, o bioma estaria a caminho de um ecocídio irreversível e, junto com ele, do genocídio de seus povos.

Três anos depois, o Dossiê Terra e Território reforça esse clamor ao revelar o estado crítico em que se encontra o Cerrado – conhecido como Berço das Águas do Brasil por alimentar as principais bacias hidrográficas do país, mas que já perdeu mais da metade de sua vegetação nativa para o desmatamento.

A jurista Deborah Duprat, que integrou o Júri multidisciplinar do Tribunal do Cerrado, ressaltou a relevância dos dados sistematizados na publicação. “O júri ficou especialmente surpreendido com a quantidade e qualidade das informações reunidas pela Campanha, muitas delas sequer disponíveis em bases públicas, e que permitiram enxergar com nitidez o quadro de desmonte de conquistas sociais históricas traduzidas na Constituição de 1988”, afirmou. 

Entre os retrocessos destacados pela jurista estão a ausência de políticas efetivas para identificação e titulação de terras indígenas, quilombolas e de povos e comunidades tradicionais; o desmonte da política de reforma agrária; a fragilização da política ambiental que deveria monitorar o desmatamento; e o uso abusivo e sem controle de agrotóxicos. Para Duprat, a obra “representa a batalha, a um só tempo política, epistemológica e simbólica, travada em favor do Cerrado e de seus povos”.

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Serviço:

→ Lançamento do Dossiê Terra e Território no Cerrado – Mesa “Vidas, Raízes e Rios: Terra, Território e Águas do Cerrado” (Tenda Veredas)

Local: XI Encontro e Feira dos Povos do Cerrado – Funarte, Brasília (DF) 

Data: 13/09, sexta-feira | Horário: 10h30

Será disponibilizado gratuitamente para download no site campanhacerrado.org.br 

→ Mesa “Atlas dos Conflitos no Campo Brasileiro e a atual conjuntura política” (Tenda Veredas)

Local: XI Encontro e Feira dos Povos do Cerrado – Funarte, Brasília (DF) 

Data: 13/09, sábado | Horário: 14h às 15h30

→ Feira da Sociobiodiversidade – Venda de produtos e exposição de materiais 

Local: XI Encontro e Feira dos Povos do Cerrado – Funarte, Brasília (DF) 

Data: 10 a 13/09 | Horário: das 16h às 22h

→ Série especial do Podcast Guilhotina – “Mulheres do Cerrado: diálogos sobre clima e sistemas alimentares”

Realização: Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, Le Monde Diplomatique Brasil, CESE e Articulação das Mulheres do Cerrado

Disponível a partir de 11/09 nos principais tocadores de podcast

Atendimento à imprensa: Bruno Santiago | comunicacerrado@gmail.com | 011 99985-0378

 

Cerrado em chamas: Quilombo Grotão luta contra incêndio há 5 dias; COEQTO e CPT cobram ação das autoridades

Contatos foram feitos com o Naturatins, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, mas nenhuma ação concreta foi tomada. Chamas seguem ativas, ameaçando moradias, roçados e áreas de vegetação nativa

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Texto e informações: CPT – Regional Araguaia-Tocantins e COEQTO

A Comunidade Quilombola Grotão, localizada na zona rural de Filadélfia (TO), enfrenta há cinco dias incêndios que tiveram início no dia 1º de setembro. O fogo teria começado após a queda de um fio da rede elétrica que atravessa a região. Até hoje, as chamas seguem ativas, ameaçando moradias, roçados e áreas de vegetação nativa, sem qualquer assistência dos órgãos competentes — situação que causa grande preocupação e prejuízos às famílias quilombolas.

De acordo com os moradores, o incêndio começou quando uma árvore caiu sobre a rede elétrica. Desde então, pelo menos outras três árvores já atingiram a rede, e várias permanecem sob risco de queda devido ao avanço das chamas, agravando ainda mais a situação.

A comunidade denuncia que, há anos, a concessionária responsável não realiza as podas preventivas da vegetação próxima à rede, limitando-se a intervenções emergenciais apenas após acidentes. Animais já sofreram choques e o fornecimento de energia elétrica tem sido constantemente interrompido. Essa negligência, segundo os moradores, explica a rápida propagação do fogo, que só não destruiu casas e plantações graças à mobilização da própria comunidade.

Apesar dos esforços coletivos, focos de incêndio ainda permanecem ativos, colocando em risco tanto o Cerrado quanto as famílias quilombolas. Uma das áreas mais atingidas foi o “Brejo da Maria Viúva”, considerado estratégico por ser fonte de água fundamental para o território. O espaço foi arrasado pelas chamas, comprometendo a biodiversidade e a segurança hídrica da comunidade.

Os moradores também denunciam a ausência de apoio dos órgãos públicos. Contatos foram feitos com o Naturatins, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, mas, até o momento, nenhuma ação concreta foi realizada. Diante da gravidade, a comunidade registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil, buscando garantir a apuração das responsabilidades e providências cabíveis.

“Hoje estamos sozinhos enfrentando o fogo. Estamos fazendo a nossa parte, mas precisamos de apoio imediato antes que a tragédia seja ainda maior”, declarou uma liderança da comunidade. Ela também destacou que muitas famílias quilombolas seguem sem acesso à energia elétrica — um direito já reivindicado há anos. O Programa Luz para Todos ainda não atendeu a comunidade: “o que chegou na nossa porta foi o medo e a destruição causada pelo fogo”, lamentou.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) – Regional Araguaia-Tocantins, que historicamente acompanha as famílias, e a Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Tocantins (COEQTO) cobram das autoridades competentes medidas urgentes para conter o incêndio, responsabilizar os agentes envolvidos e implementar ações preventivas que evitem novas tragédias.

Campanha Nacional em Defesa do Cerrado participa do 16º Encontrão da Teia dos Povos no Maranhão

Evento contou com o pré-lançamento do Dossiê Terra e Território no Cerrado, entregue a entidades e representantes de povos e comunidades tradicionais do estado

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Encontrão da Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão (Foto: Moquibom)

Entre os dias 20 e 25 de agosto, o Território Indígena Taquaritiua, do povo Akroá Gamella, em Viana (MA), sediou o 16º Encontrão da Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão. Com o tema “Retomar Territórios para Tecer o Bem Conviver”, o evento reuniu centenas de pessoas em uma intensa programação de debates, formações e momentos de espiritualidade ancestral.

A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado esteve presente através da participação de Emília Costa (Moquibom) e Gilderlan Rodrigues (Cimi-MA), da coordenação da Campanha, e de sua secretária executiva, Iarinma de Morais, além de entidades, movimentos e comunidades que integram a iniciativa no Maranhão. O encontro foi marcado pela partilha de experiências e de clamores das lutas dos povos indígenas e comunidades tradicionais por terra, território e pela garantia de seus direitos.

Pré-lançamento do Dossiê Terra e Território no Cerrado

Durante o Encontrão, foi realizado o pré-lançamento do Dossiê Terra e Território no Cerrado. O material será lançado oficialmente em setembro, durante o XI Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, promovido pela Rede Cerrado em Brasília (DF), que marca a Semana do Dia Nacional do Cerrado.

Os participantes do evento em Viana tiveram acesso antecipado a exemplares da primeira tiragem impressa da publicação, que reúne denúncias e análises sistematizadas a partir da Sessão Especial em Defesa dos Territórios do Cerrado, realizada em 2022 pelo Tribunal dos Povos do Cerrado (TPP).

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Vitória Soares e Edmar Alves, da Comunidade Quilombola Cocalinho, de Parnarama (MA), recebem exemplares do Dossiê Terra e Território no Cerrado (Foto: Campanha Cerrado)

O Tribunal dos Povos denunciou o ecocídio do Cerrado e o genocídio de seus povos, condenando o Estado brasileiro, governos estrangeiros e empresas nacionais e transnacionais pelos crimes. São apresentados 15 casos representativos que reúnem graves violações de direitos, três deles ocorridos no Maranhão.

“Nosso trabalho é amplificar as denúncias de violações que atingem povos e comunidades tradicionais do Cerrado. Por isso, viemos apresentar este novo instrumento político: o Dossiê Terra e Território no Cerrado”, afirmou Iarinma durante apresentação do material no evento.

Na denúncia ao Tribunal dos Povos, a Campanha alertou que, sem medidas urgentes para conter a devastação, o Cerrado pode caminhar para uma destruição irreversível — com a extinção da região ecológica e, junto a ela, a base material e cultural que sustenta a vida de povos indígenas, comunidades quilombolas e tradicionais.

Após anos de violência, Comunidade ribeirinha em Minas Gerais tem direito ao território adiado mais uma vez 

Pescadores artesanais e vazanteiros que sofrem com violência e criminalização há décadas foram surpreendidos pelo adiamento da entrega do Termo de Autorização de Uso Sustentável (TAUS)

Por Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP)

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Foto: Comunidade Canabrava/MG – CPP

A Comunidade Tradicional Pesqueira e Vazanteira de Canabrava, situada em Canabrava, no Norte de Minas Gerais, foi surpreendida com o adiamento da entrega do Termo de Autorização de Uso Sustentável (TAUS), marcado para o dia 19 de agosto, documento aguardado há anos como forma de garantir segurança jurídica ao seu território. A decisão, tomada após parecer do jurídico da União em Minas Gerais, desconsiderando o histórico de violência, expulsões e vulnerabilidade da comunidade, que desde 2005 resiste às margens do rio São Francisco.

Uma história de luta invisibilizada

Desde meados dos anos 2000, a Comunidade de Canabrava, localizada às margens do rio São Francisco, em Buritizeiro (MG), enfrenta uma trajetória marcada por perseguições, criminalização e violência. Organizada coletivamente para reivindicar o direito ao território tradicional, a comunidade viu seu modo de vida ser ameaçado por grileiros, fazendeiros e grandes empreendimentos. Em 2017, mesmo com decisão judicial favorável, sofreu um despejo violento que resultou na destruição de casas e pertences, além de ameaças armadas e criminalização de lideranças e agentes pastorais. Desde então, as famílias vivem sob constante insegurança, sofrendo pressões para abandonar a área.

Apesar da mobilização constante e de diversas denúncias públicas, inclusive em instâncias internacionais, a situação permanece crítica. Em 2023, a comunidade enfrentou nova tentativa de despejo, suspensa após forte articulação. No início de 2025, mais um episódio de violência ocorreu com a invasão do território por gado, que destruiu plantações e a sede comunitária. A negativa repetida da emissão do TAUS por parte do Estado agrava ainda mais o cenário. Mesmo diante de tantas violações, a comunidade segue resistindo com coragem, reafirmando seu vínculo com o território e o direito de viver do rio e da terra.

Em 6 de maio de 2025, a Comunidade realizou a ocupação da sede da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) em MG para exigir a emissão imediata do TAUS. A ação, articulada com o Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil (MPP), comunidades quilombolas e vazanteiras da região, sindicatos, do Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP/MG-ES), e organizações de direitos humanos, foi uma resposta ao longo histórico de omissão do Estado e violência contra os povos das águas. Com três gerações presentes na ocupação, a comunidade reafirmou seu direito ao território tradicional e cobrou providências concretas frente às recorrentes ameaças, despejos e tentativas de expulsão que enfrentam há quase duas décadas.

Após a ocupação, a Comunidade permaneceu em Belo Horizonte e participou de uma reunião pública articulada junto à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de MG. Como resultado da mobilização, a SPU/MG assumiu publicamente o compromisso de publicar até 31 de maio o relatório final de demarcação das áreas da União no Norte de Minas e, em seguida, processar e outorgar o TAUS para Canabrava.

Comunidade cobra resposta do Estado após novo adiamento do TAUS

O pescador artesanal Clarindo dos Santos, morador da Comunidade de Canabrava, expressou indignação com o recente adiamento da entrega do TAUS, prevista para 19 de agosto. “A comunidade está revoltada, indignada por mais uma vez a SPU nos enrolar e adiar a entrega do nosso TAUS”, afirmou. Ele destacou que a expectativa era grande e que todos estavam organizados para receber o documento que garantiria segurança jurídica e dignidade às famílias. Segundo Clarindo, a decisão da SPU pode ter sido influenciada pelos interesses dos latifundiários. “A SPU, com certeza seguindo os apelos do latifundiário, adiou a entrega desse TAUS, e sem data determinada para que fosse tratada a outra entrega”, denunciou.

Clarindo relatou que a comunidade vive há quase 20 anos em situação de extrema vulnerabilidade às margens do rio São Francisco, resistindo em um espaço reduzido e precário. “A comunidade já não resiste mais tanta violência”, lamentou o pescador. Ele ressaltou que o TAUS representa autonomia para defender os recursos naturais dos quais dependem para viver. “Precisamos dessa regularização fundiária para ter mais autoridade para preservar, para tirar dos ataques dos latifundiários esses recursos naturais, pois eles são a nossa fonte de vida”, explicou. Diante do descaso, ele foi enfático: “Seguimos indignados, repudiando, mais uma vez, a negativa da SPU de entregar o nosso TAUS”. Ao cobrar respeito aos direitos tradicionais garantidos por lei, Clarindo reafirmou o compromisso da comunidade: “Vamos continuar na luta, lutando pela regularização fundiária do nosso território. Precisamos da nossa liberdade territorial”, concluiu.

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Foto: Comunidade Canabrava/MG – CPP

Esperança frustrada: pescadora denuncia insegurança e cobra regularização do território

A pescadora e vazanteira Rosimeire Santos, da Comunidade de Canabrava, expressou sua profunda indignação diante do novo adiamento da entrega do TAUS. “A gente só quer trabalhar, viver em paz, poder deitar, no outro dia levantar e saber que a gente tem segurança, que a gente não vai ser exposto mais uma vez”, salientou. Rosimeire destacou o desejo de garantir às futuras gerações o direito de viver no território onde seus antepassados viveram, sem o medo constante de novos despejos.

Para Santos, o que está em jogo é o direito básico à tranquilidade. “Só quero isso, é isso que a gente pede. A gente não quer nada mais, a gente quer viver em paz, quer viver em segurança, quer viver cheio de esperança que amanhã vai ser melhor”, desabafou. No entanto, a repetição das negativas por parte da SPU tem aprofundado o sentimento de frustração. “É muito triste saber que todo mundo estava aqui esperançoso. É muito, muito ruim mesmo a gente não poder viver em paz”, finalizou a pescadora. 

Apesar de decisões judiciais anteriores e de um processo ativo na 3ª Vara Federal de Montes Claros (MG), a SPU-MG continua prorrogando prazos e agora alega que o TAUS só pode ser concedido para quem “ocupa de fato” o território, ignorando o deslocamento forçado da comunidade e a impossibilidade de permanência plena por conta das ameaças e violências históricas.

TAUS: instrumento de justiça travado por burocracias e pressões políticas

O TAUS é o principal instrumento que pode assegurar o direito à permanência e à reprodução do modo de vida tradicional de Canabrava. No entanto, mesmo com todos os elementos favoráveis e com apoio de diversos órgãos, como o Ministério Público Federal, o parecer jurídico atual da União em MG se mostra, pelo que parece, alinhado com interesses do latifúndio e grandes empreendimentos, travando o processo.

Indignação diante da morosidade e dos interesses do capital

Para o CPP, regional MG e ES, é inadmissível que, enquanto a SPU adia indefinidamente a regularização fundiária da Comunidade de Canabrava, áreas públicas sigam sendo negociadas com o capital privado. A morosidade do Estado em garantir o direito das famílias contrasta com a celeridade das transações econômicas: parte do território reivindicado pela comunidade, pertencente à União, foi vendido por mais de R$ 12 milhões, segundo as agentes de pastoral. A última parcela dessa negociação foi quitada no dia 25 de maio, aprofundando ainda mais a situação de injustiça e vulnerabilidade vivida pelas famílias pesqueiras e vazanteiras.

Documentário intensifica revela urgência por justiça territorial

Lançado nesta quinta-feira (21), o documentário “Povos da Beira D’água – Comunidade de Canabrava” retrata com sensibilidade a vida, a cultura e a resistência das famílias que, há mais de duas décadas, enfrentam despejos, perseguições e o risco constante de perder seu território tradicional às margens do rio São Francisco. O filme revela o cotidiano de um povo que constrói sua existência a partir da pesca, da agricultura de vazante e da relação espiritual com o território que chamam de sagrado. Em meio a barracos de lona e ameaças recorrentes, a comunidade reafirma seu direito de permanecer em paz no lugar onde gera vida, alimento e pertencimento. Assista aqui.

A obra é também uma homenagem à luta coletiva, apoiada por pastorais e organizações como o CPP, que acompanham e fortalecem a caminhada da comunidade, sobretudo ao legado de Ir. Neusa Francisca que dedicou sua vida junto com o povo de Canabrava. A comunidade segue unida e em luta por dignidade, aguardando uma resposta definitiva do Estado brasileiro, que reconheça o território tradicional e ponha fim às violências sistemáticas enfrentadas.


Serviço

Denúncia sobre o adiamento da entrega do TAUS (Termo de Autorização de Uso Sustentável) à Comunidade Tradicional Pesqueira e Vazanteira de Canabrava (MG), que aguarda há anos pela regularização fundiária de seu território tradicional às margens do rio São Francisco.

Situação atual: A entrega do TAUS, prevista para o dia 19 de agosto de 2025, foi adiada após parecer jurídico da União em Minas Gerais, que desconsidera o histórico de expulsões, ameaças e deslocamentos forçados sofridos pela comunidade.

Contato para entrevistas e informações: 

Comunidade de Canabrava – canabravaburitizeiro@gmail.com;

Agentes do CPP Regional MG e ES – cppminasgerais@gmail.com;

Assessoria de Comunicação do CPP Nacional: comunicacao@cppnacional.org.br. 

V Congresso Nacional da CPT acontece na próxima semana (21), em São Luís (MA)

Em seu Ano Jubilar, a Pastoral da Terra celebra 50 anos de serviço profético e caminhada junto aos povos e comunidades do campo, das águas e das florestas, com evento que reunirá mais de mil participantes, entre lideranças, agentes pastorais e camponeses e camponesas de todo o Brasil. 

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Na próxima semana, entre os dias 21 e 25 de julho de 2025, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) se reunirá nacionalmente em Congresso, em São Luís, capital do Maranhão, quando celebrará seus 50 anos de missão profética e acompanhamento dos trabalhadores e trabalhadoras do campo em seus processos de lutas e resistências. 

Animados e animadas pelo tema “CPT 50 anos – Presença, Resistência e Profecia” e o lema “Romper Cercas e Tecer Teias: A Terra a Deus Pertence! (cf. Lv 25)”, agentes da CPT, povos, comunidades e trabalhadores do campo, das águas e das florestas de todo o país, irão se encontrar para recordar a caminhada percorrida e projetar a que se apresenta para os próximos anos. Com os desafios, conquistas e aprendizagens, ao longo dessas cinco décadas de vida e luta, a CPT irá olhar para o futuro, com novos e velhos enfrentamentos que se colocam no caminho à frente, e traçar novos horizontes de luta. 

Programação 

21/07 – Na manhã do primeiro dia (21), a Celebração de Abertura contará com as falas de Dom José Ionilton Lisboa, presidente da CPT e bispo da Prelazia do Marajó, e de Dom Gilberto

Pastana, Arcebispo de São Luís. A programação da tarde continua com a mesa “O Chão da realidade dos povos e comunidades que a CPT atua”, integrada por lideranças camponesas em sua diversidade, com representantes dos povos do campo e das águas. 

Ainda na tarde do primeiro dia, haverá o lançamento e apresentação do “Atlas dos Conflitos no Campo Brasileiro”, documento inédito que traz uma radiografia do campo no Brasil por meio da análise de 39 anos de conflitos registrados pela CPT. A programação do dia se encerra com a Celebração da Espiritualidade Ancestral. 

22/07 – O segundo dia de Congresso se inicia com a Celebração Eucarística. O período da manhã então se volta para o momento de Análise de Conjuntura, que terá as contribuições de Moema de Miranda, secretária da Rede Igrejas e Mineração, de Jean Marc von der Weid, fundador da organização não governamental Agricultura Familiar e Agroecologia (ASTA), e de Alessandra Munduruku, liderança originária e coordenadora da Associação Indígena Pariri – Médio Tapajós (PA). 

Pela tarde, com participantes distribuídos entre pequenas tendas, cada espaço terá a apresentação e discussão das experiências de “Romper Cercas”, vivenciadas nas lutas dos povos em enfrentamento ao latifúndio e à exploração e expropriação pelo capital no campo. Ainda no segundo dia, durante a noite, haverá a Plenária das Juventudes. 

23/07 – A manhã do terceiro dia se concentra nas apresentações das sínteses das discussões feitas nas pequenas tendas, no eixo “Romper Cercas”. Após as provocações da assessoria, terá início a Fila do Povo. Pela tarde, as pequenas tendas apresentam e discutem as experiências de “Tecer Teias”. 

À noite, o terceiro dia se encerra com a Romaria e Celebração dos Mártires e dos Defensores e Defensoras da Vida, momento que será aberto ao público e se iniciará às 19h30, na Praça Deodoro. A romaria celebrará a memória daqueles e daquelas que tombaram pelas causas dos povos do campo, das histórias e testemunhos de vidas dedicadas, até o fim, à concretização do sonho da Terra Sem Males. 

24/07 – A manhã do quarto dia se concentra nas apresentações das sínteses das discussões feitas nas pequenas tendas, no eixo “Tecer Teias”. À tarde, com base nas conclusões das Tendas e

Plenárias, serão discutidas as linhas de ação da CPT junto aos povos do campo, das águas e das florestas. A tarde finaliza com o momento de avaliação do V Congresso e a noite haverá a Festa das Comunidades. 

25/07 – O quinto e último dia se concentra na apresentação das Linhas de Ação e na leitura da proposta de Carta Final do V Congresso Nacional da CPT. O V Congresso se encerra, então com a Celebração de Envio. 

CPT 50 Anos – Presença, Resistência e Profecia 

Com as reflexões propostas a partir do tema e lema do V Congresso, seguindo a programação proposta, a CPT irá trabalhar sobre a presença da Pastoral ao lado dos povos e comunidades tradicionais do país, colaborando com instrumentos para o fortalecimento do seu protagonismo. Ainda, a resistência insurgente dos povos diante das violências empreendidas pelos capitalistas do campo, levantando um grito de profecia, com a denúncia das injustiças e o anúncio do bem viver nas comunidades. A Pastoral propõe, também, refletir sobre as cercas, velhas e novas, a serem rompidas, e sobre as teias de resistências e possibilidades a serem tecidas coletivamente, rumo à Terra Sem Males. 


SERVIÇO 

V Congresso Nacional: CPT 50 anos – Presença, Resistência e Profecia Data: 21 a 25 de julho de 2025 

Local: São Luís – Maranhão 

Assessoria de comunicação da CPT 

Carlos Henrique Silva – comunicacao@cptnacional.org.br – (62) 99453-9629

Heloisa Sousa – heloisa@cptnacional.org.br – (62) 99252-7437 

Renata Albuquerque – comunicacao@cptne2.org.br – (81) 99663-2716

Articulação das Mulheres do Cerrado realiza Roda de Saberes sobre Clima e Sistemas Alimentares

A Articulação das Mulheres do Cerrado, em parceria com a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), convida as mulheres cerradeiras para a Roda de Saberes das Mulheres do Cerrado, propondo um bate-papo sobre Clima e Sistemas Alimentares.

O espaço acontecerá nos dias 28 e 29 de julho, das 9h às 12h (horário de Brasília), em formato virtual (plataforma Zoom). Venham juntar vozes, saberes e lutas em torno da defesa do Cerrado e de suas mulheres!

Inscreva-se clicando aqui.

mulheres cerrado


Realização: Articulação das Mulheres do Cerrado e Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) | Apoio: HEKS EPER

Imagem: Articulação das Mulheres do Cerrado

 

Fiocruz e Campanha Contra os Agrotóxicos lançam nota técnica sobre implementação do Pronara

Foi lançada nesta terça (8), durante a 28ª Reunião Ordinária da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO), Nota Técnica elaborada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, sobre a implementação do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (PRONARA). Acesse aqui o documento na íntegra.

Após uma espera de mais de dez anos, o decreto que institui o PRONARA foi finalmente assinado pelo presidente Lula no último dia 30 de junho, durante o lançamento do Plano Safra. Embora a assinatura do Programa Nacional seja um marco à proteção da vida e do ambiente frente à exposição aos agrotóxicos, o decreto deixa em aberto ações estruturantes para a sua efetividade.

Nesse contexto, a nota aponta a urgência de ações imediatas, como a provação um plano com base nas propostas de ações já desenvolvidas no processo de construção do Pronara, em que cada ministério se comprometa com ações concretas, prazos e indicadores buscando o objetivo principal do Pronara, que é reduzir o uso de agrotóxicos no Brasil.

Foto: Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

Além disso, o texto ressalta a importância da definição de mecanismos que garantam a perenidade do programa, como orçamento assegurado, fortalecimento institucional, participação e controle social, e autonomia frente aos interesses privados. O material destaca ainda que a redução do uso de agrotóxicos cabe às três esferas de governo, e que a implementação do Pronara deve promover a articulação intersetorial e federativa, envolvendo os governos municipais e estaduais.

“Essa abordagem é principalmente relevante diante das fragilidades impostas pela nova legislação de agrotóxicos, que imprime ao MAPA um caráter decisório em assuntos que não são de sua competência e também enfraquece a capacidade regulatória de estados e municípios sobre a circulação de agrotóxicos em seus territórios. A construção de uma governança tripartite é, portanto, fundamental para garantir a efetividade territorializada do programa”, aponta a publicação.

Outro ponto refere-se ao termo “uso racional” dos agrotóxicos. Para as organizações, a expressão é, no mínimo, inadequada, pois não expressa objetivamente metas de redução. “Esse é um conceito absolutamente vago, que não exprime realmente o que é esse uso e quanto significa em termos de redução e limitação. Evitar a ambiguidade nesse campo é fundamental para garantir a transparência e o controle social”. 


 Texto: Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida