Campanha Nacional em Defesa do Cerrado participa do 16º Encontrão da Teia dos Povos no Maranhão
Evento contou com o pré-lançamento do Dossiê Terra e Território no Cerrado, entregue a entidades e representantes de povos e comunidades tradicionais do estado

Entre os dias 20 e 25 de agosto, o Território Indígena Taquaritiua, do povo Akroá Gamella, em Viana (MA), sediou o 16º Encontrão da Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão. Com o tema “Retomar Territórios para Tecer o Bem Conviver”, o evento reuniu centenas de pessoas em uma intensa programação de debates, formações e momentos de espiritualidade ancestral.
A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado esteve presente através da participação de Emília Costa (Moquibom) e Gilderlan Rodrigues (Cimi-MA), da coordenação da Campanha, e de sua secretária executiva, Iarinma de Morais, além de entidades, movimentos e comunidades que integram a iniciativa no Maranhão. O encontro foi marcado pela partilha de experiências e de clamores das lutas dos povos indígenas e comunidades tradicionais por terra, território e pela garantia de seus direitos.
Pré-lançamento do Dossiê Terra e Território no Cerrado
Durante o Encontrão, foi realizado o pré-lançamento do Dossiê Terra e Território no Cerrado. O material será lançado oficialmente em setembro, durante o XI Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, promovido pela Rede Cerrado em Brasília (DF), que marca a Semana do Dia Nacional do Cerrado.
Os participantes do evento em Viana tiveram acesso antecipado a exemplares da primeira tiragem impressa da publicação, que reúne denúncias e análises sistematizadas a partir da Sessão Especial em Defesa dos Territórios do Cerrado, realizada em 2022 pelo Tribunal dos Povos do Cerrado (TPP).

Vitória Soares e Edmar Alves, da Comunidade Quilombola Cocalinho, de Parnarama (MA), recebem exemplares do Dossiê Terra e Território no Cerrado (Foto: Campanha Cerrado)
O Tribunal dos Povos denunciou o ecocídio do Cerrado e o genocídio de seus povos, condenando o Estado brasileiro, governos estrangeiros e empresas nacionais e transnacionais pelos crimes. São apresentados 15 casos representativos que reúnem graves violações de direitos, três deles ocorridos no Maranhão.
“Nosso trabalho é amplificar as denúncias de violações que atingem povos e comunidades tradicionais do Cerrado. Por isso, viemos apresentar este novo instrumento político: o Dossiê Terra e Território no Cerrado”, afirmou Iarinma durante apresentação do material no evento.
Na denúncia ao Tribunal dos Povos, a Campanha alertou que, sem medidas urgentes para conter a devastação, o Cerrado pode caminhar para uma destruição irreversível — com a extinção da região ecológica e, junto a ela, a base material e cultural que sustenta a vida de povos indígenas, comunidades quilombolas e tradicionais.