Mulheres do Cerrado na linha de frente das lutas por territórios, água e sociobiodiversidade
No Cerrado, são as mulheres que estão na linha de frente das lutas por seus territórios, pela água e pela defesa da sociobiodiversidade. Também são elas as primeiras a sentir os impactos da crise climática agravada pela devastação de seus territórios - consequência direta do avanço do agronegócio e da expansão de grandes monocultivos.
Em comunidades camponesas e territórios de povos e comunidades tradicionais, são as mulheres que sustentam redes de cuidado, produção de alimentos, preservação de sementes e transmissão de saberes ancestrais. Ao mesmo tempo, enfrentam diariamente as pressões de um modelo de “desenvolvimento” que avança sobre seus territórios por meio do desmatamento, da contaminação por agrotóxicos e da apropriação da água, afetando diretamente a vida, a saúde e a autonomia de suas comunidades.
Mesmo diante dessas ameaças, mulheres cerradeiras seguem organizando resistências, defendendo seus modos de vida e afirmando que a proteção do Cerrado também é uma luta por justiça climática, por soberania alimentar e por direitos territoriais.
Neste 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, convidamos você a conhecer a série “Mulheres do Cerrado: diálogos sobre clima e sistemas alimentares”, um especial do podcast Guilhotina realizado em parceria com a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), a Articulação de Mulheres do Cerrado e a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado.
A série apresenta reflexões, vivências e experiências de mulheres que vivem e lutam nos territórios do Cerrado, trazendo perspectivas fundamentais para os debates sobre mudanças climáticas, justiça social e sistemas alimentares.
Episódio 1: Crise climática e a armadilha das falsas soluções
No primeiro episódio, a conversa reúne Letícia Rangel Tura, da FASE, Maryellen Crisóstomo, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), e Juvana Xakriabá, da Articulação de Juventude Xakriabá.
As convidadas analisam como o agronegócio e as mudanças climáticas aprofundam desigualdades e denunciam as chamadas “falsas soluções climáticas”: iniciativas apresentadas como respostas ao aquecimento global, mas que muitas vezes se transformam em novos negócios que mantêm as estruturas responsáveis pela própria crise.
Ouça o episódio 1:
https://diplomatique.org.br/guilhotina/mulheres-do-cerrado-1-crise-climatica-e-a-armadilha-das-falsas-solucoes/
Episódio 2: Clima, racismo ambiental e agronegócio
O segundo episódio aborda como a crise climática, o racismo ambiental e o agronegócio atravessam os corpos e os territórios das mulheres.
Participam da conversa Joice Silva, educadora popular e dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Tocantins, Arilene Martins, da Coletiva Pretas de Angola, de Goiás, e Elionice Sacramento, da Articulação Nacional de Pescadoras.
Ouça o episódio 2:
https://diplomatique.org.br/guilhotina/mulheres-do-cerrado-2-interseccoes-entre-clima-racismo-e-agronegocio/
Episódio 3: Sistemas alimentares e a conexão campo-cidade
No terceiro e último episódio, o debate se volta para os impactos da produção no campo sobre a vida nas cidades e para o papel do Cerrado na construção de sistemas alimentares mais justos e sustentáveis.
Participam Emília Costa, do Movimento Quilombola do Maranhão e da coordenação executiva da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, e Maria Emília Pacheco, assessora da FASE e integrante da Articulação Nacional de Agroecologia.
A conversa destaca como as experiências e saberes dos territórios podem apontar caminhos para garantir alimentação saudável, justiça ambiental e proteção do Cerrado — beneficiando não apenas quem vive no campo, mas toda a população.
Ouça o episódio 3:
https://diplomatique.org.br/guilhotina/mulheres-do-cerrado-3-campo-e-cidade-dialogos-sobre-seguranca-alimentar-e-agroecologia-no-cerrado/
Neste 8 de março, celebramos a força, os saberes e a resistência das mulheres do Cerrado, protagonistas na defesa dos territórios, das águas e da sociobiodiversidade. Ouvir suas vozes é fundamental para compreender os desafios do presente e construir caminhos de justiça climática e social para o futuro.