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Comunidades denunciam impactos da pulverização aérea durante durante Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos, em São Luís (MA)

Encontro reuniu comunidades, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, pesquisadores e representantes do Ministério Público para discutir estratégias de enfrentamento aos impactos dos agrotóxicos sobre a saúde, o meio ambiente e os direitos das populações atingidas

por Alcileia Torres

Foto: Reprodução RAMA

A 3ª Reunião da Coordenação Ampliada do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos (FNCIAT) foi realizada nos dias 3 e 4 de agosto, no Auditório do Centro Cultural e Administrativo do Ministério Público do Estado do Maranhão (MPMA), em São Luís (MA). A programação contou com representantes do Ministério Público, instituições de pesquisa, universidades, movimentos sociais e organizações da sociedade civil e teve como objetivo fortalecer a atuação nacional no enfrentamento aos impactos dos agrotóxicos, com ênfase na pulverização aérea.

Formado por 33 fóruns estaduais e regionais distribuídos pelo país, o Fórum Nacional reúne organizações, movimentos e instituições que atuam na denúncia e no enfrentamento aos impactos dos agrotóxicos e transgênicos. Nesta edição, realizada no Maranhão, a pulverização aérea esteve entre os principais temas debatidos, diante do avanço dessa prática sobre comunidades quilombolas, camponesas e tradicionais.

Durante a programação, as lideranças quilombolas Marli Borges e Raimunda Nonata, das comunidades Guerreiro e Cocalinho, localizadas no município de Parnarama (MA), denunciaram as consequências da pulverização aérea nos territórios. Entre os impactos relatados estão a contaminação da água, os prejuízos às roças e à produção de alimentos, a perda de espécies nativas do Cerrado e o aumento de problemas respiratórios e de pele entre as famílias.

Para Marli Borges, liderança quilombola da comunidade Guerreiro, Parnarama (MA), que esteve presente na reunião, os impactos dos agrotóxicos ultrapassam os danos à saúde e ao meio ambiente, pois comprometem as condições de vida e de permanência das comunidades em seus territórios.

Foto: Reprodução RAMA

“Essa pulverização aérea tanto de avião como a de drone tá acabando com nós, e eles tão usando ela como uma arma química justamente pra querer expulsar a gente dos nossos territórios. Mas nós não vamos pra cidade, se a gente ir pra cidade vai só morrer lá. Nós somos igual uma árvore, aqui a gente nasceu, cresceu  e se rancar a gente daqui, a gente vai morrer”, afirma Marli Borges, em depoimento à Campanha Nacional em Defesa do Cerrado.

Somente no primeiro semestre de 2026, foram registradas 255 notificações de pulverização aérea, envolvendo 209 comunidades de 33 municípios maranhenses. Desde 2024, o estado contabiliza 608 ocorrências. Os dados foram apresentados por Ariana Gomes, da Rede de Agroecologia do Maranhão (RAMA).

A programação também contou com a participação da geógrafa Larissa Bombardi, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP). Durante o debate, ela destacou que sete dos dez ingredientes ativos mais comercializados no Brasil são proibidos na União Europeia devido aos riscos à saúde humana e ao meio ambiente. A pesquisadora também alertou para o crescimento do uso do fungicida Mancozebe no Maranhão, substância banida na União Europeia desde 2021.

Representando a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Lenora Rodrigues evidenciou experiências de acompanhamento das denúncias e estratégias de enfrentamento aos casos de contaminação por agrotóxicos nos territórios rurais. 

A 3ª Reunião da Coordenação Ampliada foi encerrada com a definição de encaminhamentos para fortalecer a atuação das comunidades, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, instituições de pesquisa e órgãos públicos. Diante do avanço da pulverização aérea, o enfrentamento aos agrotóxicos também se reafirma como uma luta em defesa das águas, da soberania alimentar, da biodiversidade do Cerrado e do direito dos povos e comunidades de permanecerem em seus territórios.

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